os improvisos e as ações de alguém que me enche os olhos de lágrimas e os pulmões de ar
se eu pudesse te dar um presente
mais útil que um jornal de poesia
mais do que barras de ouro valeria
mais até do que ganhar na loteria
bom mesmo seria se eu te desse
uma dose de humildade
que a falta dela é a única coisa que derruba a gente
sem aos menos precisar de um demente
esperando a hora certa de empurrar
(e isso era bom você aprender)
um cara engraçadinho, inteligente, bem articulado
bem humorado, te ganha no papo
à medida certa do misterioso
fala grosso, ignora a baliza
da sociedade, mente a idade (quando precisa)
mas a mentalidade
eu não sei bem precisar
preciso é o ponto
(da orelha!)
que ele fala baixinho
demonstra carinho
mas não vai além de demonstrar
e tola sou eu que procuro
parece até que preciso
vou atrás no escuro
tropeço no vício
(no meu ou no seu?)
culpa do solstício
desses dias mais longos
que só alongam a espera
me atrasam o encontro
logo agora que eu resolvi ser pontual
pontual e inspirada
quem diria, nem parece aquela thaísa
que se escondia atrás das pessoas
resolveu ser Pessoa
com P de gente grande
que não tem medo de se encontrar
vasculhei mais e vomitei umas poesias
um vídeo com momentos de alegria
de algumas noites que meu corpo se encarregou de esquecer
ainda vou aproveitar pra me apoderar desse teu jeito
incisivo
instigante
insistente
confiante
sem medo de ser
pelo menos pra isso você tinha que servir
não é pouco caso, eu só não quero jogar muito confete
depois de te ver jogar tudo pro alto
você não merece muito elogio
passei dessa fase, ficar de tiete
pior ainda se for de marmanjo
você sequer tem cara de anjo
quem me dera ter essa desculpa pra dar
descuido meu, andar de guarda abaixada
perigosamente, eu te disse que vivia
pra quê andar de guarda-chuva
se não tem chuva nenhuma pra guardar?
cegueira seletiva, ver um monte de sinal e dar de ombros
botar na conta do acaso, foi por engano
engano meu achar que esse era nosso ano
melhor procurar outro alguém pra amar
fazer minhas malas, preparar minha bagagem
apertem os cintos, vai começar a contagem
nomadismo emocional, preparar pra decolar
(você bem que queria saber o que se passava na minha cabeça naquele momento
- e em todos os outros -
mas esse gostinho, meu amor, eu não vou te dar)