Não pode ser tão difícil. Não é possível que seja tão inalcançável quanto parece a idéia de arranjar alguém que se disponha a conviver comigo de maneira afetuosa e fiel.
Quer dizer, eu nem sou tão exigente assim. Sou só meio chata (sabe, era bom suportar a minha chatice, por questões de convívio mesmo). E, por chatice, eu quero dizer ansiedade, impaciência, exigência, neurose, obsessão. Fora isso, nada muito absurdo. Eu não sou preconceituosa, muito pelo contrário: respeito é fundamental! Se tem algo que eu não tolero é intolerância.
Sendo mais objetiva, a parte prática é bem menos confusa. Eu só reclamo de barulho quando leio ou escrevo, durmo sob quaisquer condições (até, em pé. mesmo.), não fico resmungona quando estou no trânsito. Não fico doente com muita frequencia. Na verdade, só quando durmo no ventilador. Gasto um pouco além do que posso, mas estou trabalhando nisso. Durmo tarde sem problemas, pra eu acordar tarde é mais fácil ainda.
Faço listas pra tudo, canto o dia inteiro, falo alto e chamo atenção. Ainda não me posicionei sobre a questão do ciúme, mas isso pode ser visto como um ponto a favor do indivíduo a se candidatar para o cargo em questão. Tenho mania de vermelho, rôo unha de vez em quando, não deixo mais a toalha molhada em cima da cama. Saio aos fins de semana, mas acompanhada a experiência pode até ser melhor.
Ouço música de todo o tipo, leio o suficiente (sobre aquilo que me interessa, obviamente) e escrevo bastante. Falo, como e durmo mais do que o necessário, mas quem não o faz? Admito que bebo além da conta - outro ponto no qual tenho trabalhado -, mas, para compensar, abro mão tranquilamente de uma xícara de café. Tenho estrias, algumas raras celulites e minha bunda não é tão durinha quanto deveria ser (considerando-se minha juventude), mas a academia é uma selva da qual eu definitivamente não faço parte.
Não ajo por impulso, reflito sobre tudo ao meu redor, não costumo temer as coisas. Não sou de sentir dor, não tenho medo de dentista e adoro montanha-russa. Gosto de girar até ficar tonta, comer até passar mal, beber até criar coragem de dizer (ou fazer) tudo aquilo que a sobriedade faz questão de reprimir.
Não resisto a crianças, tenho vontade de roubar os filhos alheios para poder apertá-los até não poderem mais respirar. Mas isso não significa que eu pretenda ter os meus. Não tão cedo. Minha mãe não é a pessoa mais equilibrada que eu conheço. Mas é a mais inconveniente (não é por isso que eu vou deixar de amá-la). Acredito em Deus e tenho fé, mas isso é o máximo de religiosidade que pode se encontrar em mim.
Aceito vícios, manias e tiques. Contanto que aceitem os meus. Garanto um sorriso quase incondicional, discussões fervorosas e respostas irônicas. Desculpas arrependidas, presentes criativos e beijos longos. E, é claro, o meu diferencial: duvido que haja um cafuné melhor que o meu.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Caixa Postal
Olha só, é a última vez que eu vou repetir. Eu sei, eu sei, eu já disse que não iria te ligar de novo pra falar disso, mas você não me dá outra escolha.
Dessa semana não passa. Não passa, tá bom? Até sexta quero que suas coisas já estejam fora de casa. Não aguento mais olhar pra sua calça jeans, ela me lembra o quão chato você é pra escolher qualquer roupa. Uma cueca que seja. Por DEUS, será que você nunca vai deixar de ser tão teimoso? Quando eu dizia que a roupa vestiu bem, não era pra te sacanear. Se você realmente estivesse parecendo um jeca com as calças pescando, eu diria. Eu não mentiria por algo tão babaca. Não naquela época. Mas de um tempo pra cá você bem que tem merecido.
Aliás, você só tem me dado dor de cabeça. Despesas sem fim só por sua causa. Aquele seu perfume maldito já me fez mandar estofar os dois sofás. Já tem quase um ano que você voltou praí e a sala permanece impregnada com aquele cheiro. Você não imagina o quão infernal é a convivência com esse odor. Parece que toda a ânsia de vômito que eu sentia voltou, não sei como eu pude me acostumar com você exalando aquilo o dia inteiro. A cama não teve jeito, no primeiro mês eu comprei outra. O quarto ficou até mais bonitinho, eu sempre falava em trocar, mas você muquirana do jeito que é, né...
Muquirana e mentiroso! Porra, sua mãe ainda continua falando mal de mim! Eu sabia que ainda era assunto nessa casa... Sua irmã me disse, deixou escapar outro dia lá no escritório que sempre que vocês jantam juntos ela dá graças a Deus que eu não estou mais ali pra atrapalhar a refeição com minha falta de modos. De quanto tempo ela vai precisar pra me esquecer? Não foi com ela que eu passei cinco anos e meio casada, não faço questão de suas críticas, por favor.
Não duvido nada de que você velho fique igualzinho. Só reclama, mas que inferno. Morro de vergonha só de lembrar daquele jantar que deu a confusão da reserva no japonês. Outro dia tomei coragem pra voltar lá e até que me trataram bem. Quer dizer, não sei, né? Podem ter cuspido na minha comida. Vai que me reconheceram e lembraram do escândalo que você fez...
Anteontem fui na casa da Carla e a Julinha desandou a perguntar de você. Mas que merda, não é possível que ela não te esqueça. Memória de criança é foda. Eu só falava "Ju, vamo tomar sorvete com a tia.", oferecia tudo que me vinha à cabeça e ela falando que sorvete napolitano lembrava aquela viagem em que a gente levou ela pra Búzios. Até que não foi ruim, de fato. O chopp ainda não tinha dado uma forma tão inegavelmente esférica à sua barriga e você ainda me deixava falar palavrão em paz.
Puta merda, vou ter que desligar. Tem blitz ali na frente, sempre dá merda quando eu falo no telefone dirigindo, é de lei. Suas coisas tão numa caixa do lado do móvel da tv, perto da porta. A bola de vôlei tá indo junto, não quero mais aquela merda também, não. Você me encheu tanto o saco, agora leva. Se passar de sexta eu deixo a caixa na portaria, não tô brincando não, hein? Não... melhor: depois de sexta vai tudo janela abaixo. Já vi que vou ter que me fazer de louca pra me livrar das suas coisas, só assim que funciona, pra variar.
E deixa a chave perto dos porta-retratos, cansei de você me enrolando pra me entregar essa merda já. Senão eu vou trocar as fechaduras todas.
Última vez que eu te ligo, hein? Não ligo mais nã...
Caralho, a polícia me parou. Mais 50 reais por sua causa, vou botar na sua conta. Tchau.
Dessa semana não passa. Não passa, tá bom? Até sexta quero que suas coisas já estejam fora de casa. Não aguento mais olhar pra sua calça jeans, ela me lembra o quão chato você é pra escolher qualquer roupa. Uma cueca que seja. Por DEUS, será que você nunca vai deixar de ser tão teimoso? Quando eu dizia que a roupa vestiu bem, não era pra te sacanear. Se você realmente estivesse parecendo um jeca com as calças pescando, eu diria. Eu não mentiria por algo tão babaca. Não naquela época. Mas de um tempo pra cá você bem que tem merecido.
Aliás, você só tem me dado dor de cabeça. Despesas sem fim só por sua causa. Aquele seu perfume maldito já me fez mandar estofar os dois sofás. Já tem quase um ano que você voltou praí e a sala permanece impregnada com aquele cheiro. Você não imagina o quão infernal é a convivência com esse odor. Parece que toda a ânsia de vômito que eu sentia voltou, não sei como eu pude me acostumar com você exalando aquilo o dia inteiro. A cama não teve jeito, no primeiro mês eu comprei outra. O quarto ficou até mais bonitinho, eu sempre falava em trocar, mas você muquirana do jeito que é, né...
Muquirana e mentiroso! Porra, sua mãe ainda continua falando mal de mim! Eu sabia que ainda era assunto nessa casa... Sua irmã me disse, deixou escapar outro dia lá no escritório que sempre que vocês jantam juntos ela dá graças a Deus que eu não estou mais ali pra atrapalhar a refeição com minha falta de modos. De quanto tempo ela vai precisar pra me esquecer? Não foi com ela que eu passei cinco anos e meio casada, não faço questão de suas críticas, por favor.
Não duvido nada de que você velho fique igualzinho. Só reclama, mas que inferno. Morro de vergonha só de lembrar daquele jantar que deu a confusão da reserva no japonês. Outro dia tomei coragem pra voltar lá e até que me trataram bem. Quer dizer, não sei, né? Podem ter cuspido na minha comida. Vai que me reconheceram e lembraram do escândalo que você fez...
Anteontem fui na casa da Carla e a Julinha desandou a perguntar de você. Mas que merda, não é possível que ela não te esqueça. Memória de criança é foda. Eu só falava "Ju, vamo tomar sorvete com a tia.", oferecia tudo que me vinha à cabeça e ela falando que sorvete napolitano lembrava aquela viagem em que a gente levou ela pra Búzios. Até que não foi ruim, de fato. O chopp ainda não tinha dado uma forma tão inegavelmente esférica à sua barriga e você ainda me deixava falar palavrão em paz.
Puta merda, vou ter que desligar. Tem blitz ali na frente, sempre dá merda quando eu falo no telefone dirigindo, é de lei. Suas coisas tão numa caixa do lado do móvel da tv, perto da porta. A bola de vôlei tá indo junto, não quero mais aquela merda também, não. Você me encheu tanto o saco, agora leva. Se passar de sexta eu deixo a caixa na portaria, não tô brincando não, hein? Não... melhor: depois de sexta vai tudo janela abaixo. Já vi que vou ter que me fazer de louca pra me livrar das suas coisas, só assim que funciona, pra variar.
E deixa a chave perto dos porta-retratos, cansei de você me enrolando pra me entregar essa merda já. Senão eu vou trocar as fechaduras todas.
Última vez que eu te ligo, hein? Não ligo mais nã...
Caralho, a polícia me parou. Mais 50 reais por sua causa, vou botar na sua conta. Tchau.
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Sobre temer e ser temido
Eu adoro meter medo nas pessoas.
Basicamente, é isso. Simples assim, sem muitos rodeios. Complicação nenhuma praticamente.
Em teoria, é algo meio óbvio de se gostar, mas não são todos que são providos da perspicácia e da sagacidade (estou num dia muito modesto, eu sei) necessárias para se perceber o quão proveitosa pode ser a experiência de ser temido.
O medo invariavelmente gera respeito, devido à ameaça de perda causada por terceiros. Ok, parece viagem, mas não é. Esclarecendo: aqueles que têm algo a perder tendem a ser mais medrosos do que os que já estão na merda. "Se você não tem nada, não tem nada a perder."
Pobres indivíduos, procurando algo para atormentar seus dias incessantemente. Pessoas assim têm algo que preencha suas vidas. Têm preocupações e têm prazeres. Mas, por mais que suas vidas pareçam completas, constantemente procuram uma forma de submeterem-se a algo novo. Uma doutrina, uma religião, uma pessoa. E é aí que eu entro.
A parte difícil fica por conta da prática do negócio. Geralmente, a mais frequente das situações é uma cena de ciúmes. Eles sempre aparecem na primeira oportunidade que têm: insegurança, desconfiança, remorso, consciência pesada, falta do que fazer... tudo é motivo pra deixar um babaca enciumado. O que me resta a fazer é dar um real motivo para que se preocupem. Entenda, se não fosse eu, seria algum outro indivíduo se divertindo às custas do medo alheio - intencionalmente ou não.
Mas isso acontece o tempo inteiro. O ciúme é apenas um exemplo dentro das infinitas situações que são criadas nos mais variados tipos de relacionamento. Filhos temem pais, crentes temem Deus, atuais temem exs (isso existe?), fracos temem fortes.
Não digo que não tenho medos, hipocrisia não me agrada. Mas faço questão de escolher a dedo aquilo que vai me tirar o sono.
E você, do que tem medo?
Basicamente, é isso. Simples assim, sem muitos rodeios. Complicação nenhuma praticamente.
Em teoria, é algo meio óbvio de se gostar, mas não são todos que são providos da perspicácia e da sagacidade (estou num dia muito modesto, eu sei) necessárias para se perceber o quão proveitosa pode ser a experiência de ser temido.
O medo invariavelmente gera respeito, devido à ameaça de perda causada por terceiros. Ok, parece viagem, mas não é. Esclarecendo: aqueles que têm algo a perder tendem a ser mais medrosos do que os que já estão na merda. "Se você não tem nada, não tem nada a perder."
Pobres indivíduos, procurando algo para atormentar seus dias incessantemente. Pessoas assim têm algo que preencha suas vidas. Têm preocupações e têm prazeres. Mas, por mais que suas vidas pareçam completas, constantemente procuram uma forma de submeterem-se a algo novo. Uma doutrina, uma religião, uma pessoa. E é aí que eu entro.
A parte difícil fica por conta da prática do negócio. Geralmente, a mais frequente das situações é uma cena de ciúmes. Eles sempre aparecem na primeira oportunidade que têm: insegurança, desconfiança, remorso, consciência pesada, falta do que fazer... tudo é motivo pra deixar um babaca enciumado. O que me resta a fazer é dar um real motivo para que se preocupem. Entenda, se não fosse eu, seria algum outro indivíduo se divertindo às custas do medo alheio - intencionalmente ou não.
Mas isso acontece o tempo inteiro. O ciúme é apenas um exemplo dentro das infinitas situações que são criadas nos mais variados tipos de relacionamento. Filhos temem pais, crentes temem Deus, atuais temem exs (isso existe?), fracos temem fortes.
Não digo que não tenho medos, hipocrisia não me agrada. Mas faço questão de escolher a dedo aquilo que vai me tirar o sono.
E você, do que tem medo?
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