sábado, 27 de dezembro de 2008

Galochas no Verão

E lá vou eu e minhas galochas
Descobrir mundos mundo afora
Outono, inverno, primavera, verão
Não importa o clima, não importa a estação

Tomo conta de lares, de céus e de mares
Às vezes destruo, quase um furacão
Não tenho angústias, receios, temores
Levo minha ousadia, sem nenhum tostão

Coragem eu já tenho - o que me falta é o impulso
Um motivo pra correr, olhos fechados, pés no chão
De itinerário não preciso: meu caminho nunca é curto
Eu me faço companhia, de galochas no verão.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Meu bem

1 - A Origem

Deve ser realmente complicado para alguém descobrir que a sua maior fonte de felicidades, onde depositava confiança e fé no futuro, não passava de uma mentira. Uma dessas falácias, baseadas em uma lógica infundada, com o raciocínio obviamente quebrado para qualquer pensante que a examinasse atentamente, mas perfeitamente correta para quem o fizesse de maneira cega e tendenciosa.

Ainda mais quando se tratava de alguém como ela. Aparentemente frágil e destrutível, mas, na realidade, constituída de um egoísmo tão intenso que mal podia receber tal nome. Não tinha medo, não naquele momento. Não tinha o que perder, já havia perdido o que chamava de tudo. Tornara-se impenetrável.

Então, chegou àquele ponto. Era limitada à razão, tratava o prazer carnal como uma ciência exata, com fórmulas e proporções. Que dirá sentimentos...

Não se dava o trabalho de importar-se com o que poderia vir a causar ao próximo. Suas seqüelas eram inevitáveis, e considerava seu olhar de desdém a todos que não conhecia um aviso de sua impenetrabilidade. Não considerava seu comportamento uma crueldade, apenas se via como superior, algo tão inevitável, que, de uma maneira ou de outra, acabaria sendo demonstrado. Preferia, então, deixar claro espontaneamente.

Importava-se de fato com a imagem que causaria aos outros, logo agia com cautela ao demonstrar quem era. Logo após a aprovação no teste do olhar, não culpava-se mais ao ser manipuladora com terceiros. É a lei do mais forte, meu bem.

Assim, não admitia mais culpa alguma devido ao seu comportamento. Se agia de determinada forma, foi uma exigência do Universo para que sobrevivesse nesse mundo. Matar ou morrer, meu bem.

Sorriso no rosto, sempre. O que muitos desconheciam era a ironia por trás dos lábios abertos, dos dentes desenhados.

Aproximação feita, seu raciocínio frio e calculado já torna-se adrenalina por inteiro. A idéia de mais uma prova a ser submetida, mais um obstáculo a se superar, a fazia tremer de tanta ansiedade. Quando seu objetivo não demonstrava ser tão fácil assim de se alcançar, e notava que havia a necessidade de articulação e argumentação, seu coração disparava.

Fazia questão de utilizar as mesmas falácias que seu passado utilizara para torná-la assim. Satisfazia seu desejo por vingança e ainda alimentava sua vontade de criar nos outros as mesmas cicatrizes que alguém lhe causara tempos antes. Unia ainda a, mesmo que remota, possibilidade de tais cicatrizes causarem àqueles indivíduos o mesmo comportamento que as suas lhe causaram. Idealizava um mundo onde haveria uma série de seus semelhantes, cuidadosamente selecionados e aptos a agir com a mesma eficiência que ela.

Exigia tempo, inteligência e dedicação. Não era qualquer um que podia tomar aquele rumo.

continua...

domingo, 5 de outubro de 2008

Viuvez Crônica

E sentia-se cada vez mais como se fosse viúva. Como se aquela solidão viesse de uma perda que só poderia ter sido causada por um mal tão definitivo quanto a morte - o mais definitivo dos males.

E a ausência, que a consumia diariamente, parecia ser irremediável. Ninguém pode apenas ir embora de uma maneira que a machucasse tanto senão sendo arrancado de seus braços por uma força maior do que a sua.

Abandonou a cor loura de seus cabelos. Aquela cor, a qual seu falecido tanto contemplava quando refletia os raios solares a cada manhã que acordavam sorrindo, apenas trazia lembranças dolorosas à pobre mulher. Então decidiu que a única saída era livrar-se do tom cheio de lembranças em suas madeixas. Já bastavam suas idéias para fazer com que sofresse.

Acordou então motivada a tornar-se ruiva. Tornou-se ruiva. Livrou-se dos cachos, livrou-se dos trinta e cinco centímetros de cabelo cuidadosamente cultivados para que seu amor se orgulhasse de toda a beleza que dedicava a ele, a apenas ele.

Agora não passava de uma mulher magra, de cabelos curtos, com a feição chorosa. Daquelas que dá até uma certa pena de olhar. Até vem um aperto no coração ao esbarrar com tanta frieza perambulando sem rumo pelas ruas de uma cidade que já transmite frieza por si só.

Mas era preciso, era assim que deveria ser. Não tinha cabimento manter uma imagem de algo que ela jamais conseguiria voltar a ser. Obviamente nada daquilo foi premeditado. Nunca fora uma mulher oportunista, e não cabia à sua personalidade fazer-se de vítima. Não era proposital todo aquele drama.

Mas, ainda assim, tinha plena consciência de que era vista como pobre coitada por todos. Os que já a conheciam antes do suposto luto tomar conta de seus dias não entendiam como chegara àquele ponto. Logo ela, uma mulher que sempre fora tão cheia de vida, se rendendo às circunstâncias. Fraquejou logo de cara. Em momentou algum tentou reerguer-se após o tombo causado por aquele homem que a abandonara.

Por mais que tente a todo momento encontrar notícias ou qualquer fato que satisfaça sua quase obesessiva curiosidade, o universo não colabora com a moça. Tudo que descobre são vagas informações, nada que seja relevante de fato ou alimente sua fome de ele.

Seu maior desejo era que, um dia, se surpreendesse com a garantia de que seu amor, de alguma maneira, ainda estivesse vivo. Vivo de fato, vivo como sempre viveu, do seu lado. Pronto para voltar a ser quem um dia já foi: alguém cujo amor àquela dama seria vitalício.

Sem muitas palavras, sem muita explicações, sem muitos porquês. Não haveria necessidade de sofrer mais nem um segundo, desde que o amor voltasse a reger sua vida.

E então, aí sim, retornaria para seu lar - lar esse que tornara-se nada mais que um monte de paredes e portas sem propósito algum desde que fora embora. Casas são construídas visando a proteção de seus moradores, e a última sensação que a possuía no momento era a segurança. Em hipótese alguma sentia-se protegida sob tais condições.

Mas, com seu amor de volta, sua casa voltaria a ser um lar. A proteção voltaria, a segurança também.

E aí sim, a moça teria suas louras madeixas novamente.
As cores teriam vida, e a vida teria cor.

Mas, enquanto o falecido não voltar, a viúva continuará ruiva...

domingo, 28 de setembro de 2008

Não sei mais o que fazer:

Se durmo de porta aberta,
Só pra te esperar entrar,
Ou se fecho a porta,
Para que, enquanto sonho, não possas escapar.

assim não dá...

E hoje, vendo que, por mais que eu tente negar e achar o contrário, eu percebi que, sim, o mundo gira sem mim.
Que as pessoas que costumavam me jurar a eternidade, se dizerem fiéis a mim, se foram... Até a mais promissora das amizades se desfez.

Eu tenho medo, muito medo. Perdi aqueles que um dia já foram essenciais à minha existência. Não que eu menospreze a relação que eu tenho com os atuais personagens principais da minha vida, mas aqueles aos quais me refiro eram peças-chave pra mim.

Não sei o que se passou, mas parece que foi num piscar de olhos. As luzes apagaram-se e quando tornaram-se acesas outra vez, não estavam mais ali aqueles que seguravam minhas mãos a todo momento. Deixei de segurá-las por um instante, mas não quer dizer que deixei de ser quem eu era...

Metáforas a parte, dói.
E me dói muito ver que não há muito o que fazer, principalmente considerando-se o ponto em que se chegou. A indiferença, o desdém... consome cada parte de mim ver que suas vidas não alteraram-se em absolutamente nada sem mim.

Suas palavras, que pareciam ser feitas de diamante... Não são mais tão valiosas assim, uma vez que deixaram sua sinceridade para trás.

Se eu pudesse voltar, sem dúvida o faria. A saudade doía, a distância me consumia...
Mas a certeza era a maior das minhas felicidades, me confortava como um colo quente, de mãe, que dizia que já já tudo isso vai passar.

Agora, me falta segurança. Não conheço mais a estrada pela qual caminho. Suas curvas são sinuosas e desconhecidas. Não há mãos a segurar sempre, e sinto que mal conheço aquelas que ocasionalmente agarro por medo.

Tudo é estranho demais pra mim...
Não quero mais viver assim, não quero mais isso pra mim.

Prefiro viver em meus sonhos, onde tenho controle de tudo que se passa, a viver nessa realidade incerta.
Assim não dá...

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

alô?

Dando continuidade ao meu até então infalível plano de não falar sobre você-sabe-quem (ou pelo menos sabe que é alguém que eu quero que mor... foco, thaísa), optei por dissertar aos poucos sobre coisas que me irritam. E é tão fácil me tirar do sério que tratar sobre esse assunto também não deve ser tão difícil assim.

(Até porque, se eu realmente planejo vir a ter leitores algum dia, é fundamental que eu pare já de resmungar pra evitar parecer mais velha e chata que minha bisavó de 98 anos. Tá, ela não é tão velha assim, mas eu praticamente dependo de hipérboles pra me manter viva, e minha neurose me faz achar que se eu não desmentir algo vou parar de respirar em alguns segundos.) Enfim...

Telefones.
Ai, ai... Telefones.

Malditos aparelhos de telefonia fixa, malditos toques irritantes, malditos desocupados inconvenientes que insistem em ligar para meu doce lar nos mais inoportunos momentos.

Chega a ser torturante pra mim a dor que um telefone tocando incessantemente provoca. Agora junte isso à ausência constante dos outros moradores na casa, e também à inutilidade da serviçal contratada pela senhora minha mãe para cumprir as tarefas diárias do lar. Até onde eu sei, atender o telefone é um dos afazeres domésticos mais básicos e óbvios que se pode compreender, e, tendo em vista que só a idéia de um telefone tocando mais de uma única vez sem ser atendido me dói, eu me pergunto:
O QUE CUSTA ATENDER, PORRA?

Eu desprezo a idéia de dizer alô, perguntar quem fala e tentar demonstrar interesse pela vida de quem está do outro lado da linha - coisa que eu definitivamente não sinto.

Fora que nunca é pra mim. Porra, se eu sei que quem tá ligando não quer falar comigo, qual é o objetivo de tirar minha bunda de onde quer que eu esteja e ir atender àquela merda?
E não é recalque. As pessoas que querem falar comigo têm meu celular, meu telefone móvel, que me acompanha pra onde eu vou e não obriga ninguém a se deslocar para atendê-lo. Logo, ligam pro número dele e falam comigo da maneira mais prática e direta possível, sem ligar pra minha casa e incomodar o pobre indivíduo que atenderia o maldito telefone.

Ontem eu saí do banho CINCO vezes pra atender essa merda.
E nenhuma das vezes era pra mim.

Pra me deixar mais puta que isso, só comendo o meu chocolate...

terça-feira, 9 de setembro de 2008

regressiva

Bom, daí que eu resolvi tomar vergonha na cara. Ou pelo menos tentar. E, bom, no meu caso, só a tentativa já é um puta motivo a se comemorar.

Colocar uma pedra nessa porra de passado e viver minha vida. Demorei quase um ano, mas agora acho que a ficha caiu de forma definitiva: depende só de mim, e eu sei que preciso disso mais do que ninguém.
Até porque é super fácil pra um babaca como ele viver a vida correndo atrás da minha paixonite aguda quando é conveniente. Então, para o meu próprio bem, decidi me livrar desse mal.
Claro que a decisão foi definitiva quando eu percebi que, o ignorando, teria grandes chances de que isso soasse como um grande "vai tomar no cu, you jerk". E eu simplesmente não resisto à idéia de pertubar ele e seu maior ego do mundo.

Ok. Chega de falar dele.
Mesmo sem citar a porra daquele nome, dedicar posts quase que platonicamente a alguém tão sem cérebro quanto ele é o cúmulo da falta de amor-próprio.

Por outro lado, resolvi me dar uma chance. E dar outra chance ao M, mesmo sabendo que em momento algum ele fez menção de pedir por ela.
Espero poder reconstruir as coisas ao meu redor, reconstruir a confiança que tinha nos outros ou até mesmo em mim, me reconstruir.

Eu sei que felicidade não é bolo pra ter receita, mas eu tento seguir o caminho mais óbvio, ou, pelo menos, aparentemente menos arriscado e fatal.
Tudo bem que eu já saí sorrindo de muita cagada, mas, depois de todo esse drama, eu abro mão completamente de qualquer dor-de-cabeça que possa vir a surgir.

Enquanto isso, meus neurônios trabalham a mil, tentando conciliar crises, vestibular, homens e falta de auto-estima em um corpo só.

Acho que eu vou explodir em 5, 4, 3, 2...

1.

domingo, 7 de setembro de 2008

tentativa número mil (e um?)

Eu sei que pode parecer ridículo (ok, eu sei que é ridículo), mas todo esse negócio meio obsessivo de dedicar boa parte do meu tempo a pensar sobre o que somos ou éramos ou o que ainda pode ser feito pra tentar nos salvar funciona mais ou menos como uma obrigação pra mim.

Já percebi que sou meio babaca com relação a regras. E também sei que sou babaca com relação a nós. Junta os dois, o que dá? Uma babaquice generalizada.
Parece que estabeleci, desde o começo, que a nossa relação seria algo praticamente definitivo na minha vida. E desde então venho me desdobrando pras coisas funcionarem como tal.

É, tá bom, eu sei que você não dá a mínima pro que disse ou deixou de dizer, que as pessoas mudam, blablablá. Mas oi? eu também tenho meus direitos?. Quer dizer, só o fato de você existir me perturba tanto que eu fui obrigada a criar um blog, porra.
E eu até tentei mudar de assunto por aqui umas mil vezes, mas eu já disse, você me deixou problemática. Sabe, doente da cabeça? Desequilibrada? Maluca?

Definitivamente eu deveria exigir uma puta indenização pelos danos que você me causou. Mas, porra, eu acho que já consegui provar que sou idiota demais pra isso.
Além do que, eu já fodi uns (na boa, agora é sério) 15 possíveis relacionamentos por sua causa? Tá, exagero. Mas que foram uns 10, certeza.

Mas tranquilão, vou tentar de novo - tentar me livrar de você ou tentar transformar alguém em você?

Sei lá, foda-se, viu... Eu só sei que quero tentar viver.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

por causa de você

Você não é o mesmo. E eu realmente tento não me importar com o fato de você ter seguido sua vida, arranjado outra - outras? -, ou o que for.

O que me incomoda de fato é a idéia de que eu perdi tudo que havia construído. Mesmo sabendo que foi ao seu lado, me sinto prejudicada ao lembrar que parte do que foi embora com a SUA inconseqüencia havia sido fruto de MINHA dedicação. De meses, e, por que não, anos, desperdiçados, ao ver minhas palavras e sonhos completamente inutilizados por toda a sua ignorância.

Me dói mais ainda lembrar do futuro que se foi. Dos meus planos, minuciosamente idealizados, visando melhorias não só na minha vida, como na sua também.

Se hoje em dia te odeio, o faço por ter precisado de maneira inexplicável da sua piedade, e tudo que você me ofereceu foi exatamente o contrário. Não me canso de repetir o quanto te desprezo por ter me dado as costas, por ter ido embora, metaforicamente ou não (porque deixar de vir é praticamente ir embora, certo?). E, caso algum dia eu tenha criado esperanças de ter feito crescer a criança que você era, que elas vão pro inferno junto com você.

O que mais percebo em todo o seu comportamento é que, mais do que nunca, hoje em dia a ÚLTIMA coisa que você pode ser considerado é um homem. Você é fraco, covarde e babaca. Não enfrenta sequer seus conterrâneos mentalmente subdesenvolvidos, que dirá sua consciência. Aliás, que dirá ME enfrentar.

Já me cansei de ver você fugir de mim e de tudo que eu tenho pra te dizer. Espero ansiosamente pelo dia em que eu possa te amarrar numa cadeira, te imobilizar com uma camisa-de-força e te amordaçar até garantir que você mal respire. Aliás, apenas o faça, e mesmo assim com bastante dificuldade, para ouvir cada letra do que eu venho tentando te dizer ao longo desse ano perturbado que você me fez passar. Ano esse que eu só sofri o que sofri e só chorei o que chorei por descaso SEU. Por descompromisso SEU, e por, mais uma vez repito, ignorância SUA.

Se não fosse você me contradizendo, fugindo do que eu tenho a dizer ou manipulando as minhas idéias para fazer com que eu me sentisse uma completa louca - e, admito, com sucesso - eu garanto que hoje em dia não seria tão insegura quanto sou. Não teria o receio que tenho de que tudo aconteça novamente, mesmo que seja com outro alguém. Também tenho certeza que não teria desenvolvido metade sequer da aversão que criei aos homens. Não teria mais tanto medo de agir, não teria medo de me envolver, não teria medo do amanhã.

Então, antes de tudo me agradeça. Mas agradeça com toda a gratidão que você conseguir concentrar, mesmo que seja pouca e dure uma fração de segundo.
Pois duvido muito que haja outro alguém no mundo disposto a passar tudo que passei por você sem perder o controle. Sem te ameaçar de morte, sem gritar nos seus ouvidos até você querer morrer por vontade própria.

E, acima de tudo, sem deixar de desejar que você volte à sua consciência normal e bata na minha porta dizendo que aprendeu. Ou de ter esperanças de que isso de fato, um dia, quem sabe, possa vir a ocorrer.

sábado, 30 de agosto de 2008

antes prevenir

Eu definitivamente não consigo evitar o assunto frustração. Nos meus pensamentos e nas minhas palavras.
É complicado demais pra mim decidir agir ou não sabendo que corro o risco de quebrar a cara mais uma vez. Parece definitivo, eu me sinto como uma vidraça toda rachada, estilhaçada. E que se levar mais uma porrada, por menor que seja, o resultado vai ser infinitos cacos no chão.

Não dá, eu sou de criar expectativas e pronto. Se não crio, é porque não me importo com a situação. Às vezes isso de não me importar e conseqüentemente não me animar faz bem. Subestimar as coisas (ok, pessoas) não é tão legal e nem um pouco altruísta, mas muitas das vezes eu me surpreendo bastante.

Mas nem toda surpresa é boa...
Ontem, por exemplo, eu saí. Foi bem de repente, como praticamente tudo que me acontece.
Tinha show d'O Rappa. Minha tia conseguiu 4 ingressos totally free pra eu e minha prima irmos, e, se é de graça, o universo quer que eu saia.
Eu não planejava absolutamente nada pra minha sexta-feira, mas já que o universo queria tanto que eu saísse, eu decidi: "ok, universo, eu saio".
Decisão tomada, lá fui eu.

Chegamos lá, encontrei de cara uma amiga minha que ia. Ela tava com mais duas amigas, me apresentei e fiquei fazendo hora com elas na porta do Canecão até decidirmos entrar.
Eis que o acontecimento da noite se dá. Uma das meninas reconhece um suposto amigo que estava por perto, foi encontrá-lo e chega com o ser mais perfeito que eu já vi na vida.
Eu queria agarrar ele, casar com ele, jurar amor eterno a ele, me amarrar a ele e toda a sua perfeição pra nunca mais largar.

Ele ficava sumindo e aparecendo, e toda vez que ele ressurgia eu queria morrer só de olhar praquele monumento. Por alguns segundos eu até achei que realmente gostava de homens.

Na hora eu tava realmente obcecada pela criatura, e ficava vesga só de olhar pra ele, mas... Como em todo show, acabei me perdendo ds meninas e deixei a neura pra lá. Devia ter mais uns 3.000 caras pra eu cismar ali dentro, e dor-de-cotovelo era (e ainda é) a última coisa que eu precisava.

Eis que o universo resolve agir mais uma vez, e, enquanto eu estava completamente distraída, assistindo ao Falcão fazer aiôua-êê com outra amiga garimpada pelos cantos do Canecão, quem me aparece com a maior cara de cachorro sem dono? O PRÓPRIO.

Eu sei, eu sei, o universo me ama. Colocar o cara mais gato dessa galáxia enquanto estava completamente perdido e com cara de vítima na minha frente é muita coragem.

Mas... bom. Apesar de ele ter passado o resto do show ouvindo o Falcão pregar sua filosofia igualitária pulando na minha frente enquanto eu o segurava pra não despencar, eu não consegui fazer nada. Nem chegar, nem dar uma rendida, nem um molezinho sequer. A minha filosofia anti-frustração me impediu de fazer qualquer coisa que pudesse o tornar um completo imbecil e fizesse com que eu me arrependesse amargamente de achar que ele era perfeito.

Quer dizer, prefiro manter ele na minha mente insana sendo indefectível do que acabar me aproximando do indivíduo e descobrir uma série de fatos que mudem completamente a imagem que tenho dele. Enquanto sonho, ele pode ser quem eu quiser que ele seja.
Prefiro evitar a realidade enquanto ainda posso.

(Principalmente depois de ter decidido encará-la tão de perto e hoje me questionar se realmente valeu a pena me submeter às suas garras ou não.)

De qualquer forma, hoje, como boa compulsiva-obsessiva, fui catá-lo no orkut e guess what? Não precisei nem me dar o trabalho de beijar a boca dele pra me amargurar: descobri que ele é leskão de fotolog, arrota horrores suas viagens à Europa e põe carimbos ENORMES escrito LUCAS SPIKE em suas fotos.

E isso só me leva a uma única saída:
Novo item adicionado à minha política de não-aproximação:
- Não catarás o orkut no dia seguinte.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

sabe, eu te conheço.

Sabe, eu te conheço.
O seu 'adeus' é 'até logo', o seu 'nunca mais' é 'pra sempre', o seu 'não' é 'sim'.
E eu sei disso tudo porque me conheço também, e eu funciono da mesma maneira.

A gente só anda em círculos, vive dando voltas e correndo atrás dos próprios rabos, sem nem saber o porquê.
Já virou vício essa mania de procurar um ao outro. Falar besteira, incomodar de propósito, importunar até as dores e problemas antigos voltarem todos, um a um.

Até parece que, quando a dúvida sobre o que fazer com relação a nós surge, dá uma sensação de alívio, de dever cumprido. Mas, na verdade, o que dá é uma dor - ou algo semelhante.
Parece saudade, mas saudade do quê se a gente só se mata e se consome faz bastante tempo já?

Deve ser saudade de quando as coisas eram... não diria fáceis, mas sim menos difíceis. Quando essa situação não tinha ainda se tornado maior do que nós.
Hoje tomou uma dimensão tão grande que parece surreal a idéia deque sorrir juntos e achar tudo mágico e simples é possível.
Ou de que sintonia existe, ou de que foi tudo um sonho (que se realizou sem deixar de parecer um sonho).

Botar tudo a perder não foi uma opção tomada por vontade própria. Nem minha, nem sua.
Mas o que poderia ter sido feito para evitar a catástrofe que se sucedeu foi simplesmente ignorado.
Não foi culpa nossa, não houve aviso prévio. A desgraça não bateu na nossa porta antes de chegar destruindo o nosso lar.
Apenas aconteceu, de repente.

E, sem que ninguém esperasse...
Lá fomos nós.

Mas, olha, tá tudo bem.
Porque, sabe, eu te conheço...

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

adeus também foi feito pra se dizer

Às vezes eu fico tonta, assim, de graça...
De graça, de graça, não. Motivo tem, né?
Mas não faz sentido.

Quer dizer, é uma coisa que já era ra ter sido esquecida, ter ficado para trás.
Ter virado poeira e uma mera lembrança largada nos confins da minha memória.
Mas, inconscientemente, a saudade bate sem aviso prévio.

É impressionante como eu NUNCA consigo enterrar meus defuntos. E, porra, isso dá a eles uma irrecusável oportunidade de ressurgirem e me perseguirem, fisicamente ou não.

Quando não sou eu correndo atrás, são eles.

Minha consciência não me deixa em paz, e ela é o pior inimigo que eu posso vir a ter.
Me perturba, grita, desesperada, exigindo por atenção. Repete, insiste e me obriga a, mesmo que contrariada, realizar seus mais incabíveis desejos.

Na boa, tô delirando.

tchau.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

puta, eu?!

Eu não tô puta.
Por que eu deveria estar puta?
Não há motivo algum para que eu fique puta.
De forma alguma.

Quer dizer, só porque eu quebrei a cara novamente e me fudi mais uma vez, isso não quer dizer que eu não posso sorrir e gargalhar e morrer de alegria. Claro que não.

Não preciso dos meus planos e expectativas dando certo para ser feliz, não é mesmo?
Aliás, não ligo se todos eles foram pra casa do caralho, fading away como se nada de estranho tivesse acontecido.
Tudo bem, a vida está uma merda mesmo.

A parada é dar a descarga e fingir que nada aconteceu.

-

Quer dizer, eu realmente devo ser assustadora mesmo.
Porque, porra, a pessoa DO NADA some. De-sa-pa-re-ce.
E foi só da minha vida. Quer dizer, do meu orkut.
Mas quem se importa? A questão foi que...

Cara, tava tudo tipo super planejado na minha mente. MSN, fotolog, e tcharãn.
Daí já seria sábado novamente e já tava tudo certo pra gente sair de novo.

Mas saiu tudo do meu controle e agora eu tô aqui.
PUTA, esperando alguma solução cair do céu.

(ou pelo menos essa idéia sair da minha mente)

domingo, 10 de agosto de 2008

private gods

sempre quis deixar claro que o propósito inicial desse blog era ser uma válvula de escape minha.
não que eu precise realmente justificar alguma ausência minha por aqui, mas, futuramente, caso algum leitor ocasional (ou até eu mesma) venha a notar que passei um longo período de tempo sem escrever nada e isso gere algum tipo de indignação, bom... faltou tesão.

de qualquer forma... (ih, esqueci das maiúsculas).
Ok, agora sim.
De qualquer forma, eu voltei. Não só para me redimir em relação à ausência, mas também para livrar minha consciência da confusão sob a qual está submetida no momento.

Acontece que eu tenho uma desagradável mania.
Tudo bem, não é só uma, mas no momento a mais irritante e problemática parece ser a de perseguição. E não, eu não acho que estou constantemente sendo perseguida.
Eu persigo, constante e inevitavelmente.
Não a todos, mas hoje notei que esse número não é tão limitado o quanto eu imaginava.

Fora isso, o problema é um tanto quanto curioso.
Eu tenho perfeito conhecimento da minha mania de, digamos, endeusar as pessoas. As coloco num altar e as admiro de uma maneira quase obsessiva. Mas o problema é como isso se reflete em mim, ou no meu dia-a-dia.
Há paixões (podem ser tranqüilamente assim chamadas) que vêm de séculos. Começam com uma leve admiração, ou uma curiosidade despertada por beleza, inteligência ou o que for.
Mas a tecnologia (preciso culpar alguém, mil perdões) não me permite evitar descobrir a cada dia algo novo sobre meus objetos de admiração. É inevitável. Eu entro lá, e ali estão seus rostos, indefectíveis, intraduzíveis, esperando meu clique e as minhas leituras e investigações diárias sobre suas curiosíssimas vidas (ok, às vezes nem tanto, minha imaginação que faz isso com elas).

E meus alvos provavelmente não têm a mínima noção da minha existência. E, quando têm, sequer pensam em mim, que dirá na minha vida como eu penso na deles.

Mas, olha, não posso deixar de dizer que eles são completamente passíveis de admiração. Belas vozes, charmes irresistíveis, belezas encantadoras, inteligências admiráveis... Meu grau de seleção é altíssimo. Modéstia a parte, eu não peco na seleção de meus deuses particulares.

Ainda não consegui definir se isso me faz mal ou minha condição psicológica não é alterada por tal comportamento (uma coisa dessas não pode fazer bem). Mas, de qualquer forma, continuo vivendo perseguindo quem não me conhece, e refletindo sobre suas vidas. Quem sabe um dia, em algum lugar, alguém não me persegue também?

Well, guess what?
I'm a stalker.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

(des)escrevendo

Escrever é um negócio engraçado.

Exige concentração, tempo, dedicação, e, acima de tudo, assunto.
Não dá pra eu decidir "ok, agora vou lá escrever" se não tenho algo sobre o que dissertar, para pôr em questão. Fica algo vazio e sem propósito algum.
É pior ainda quando eu decido sobre o que escrever, paro tudo que esto fazendo, sento, me concentro, e o texto não sai. Não sei, é estranho. Parece que não tá rolando química entre eu e o teclado. E em assuntos químicos eu não me meto.

De qualquer forma, não custa nada tentar... Ficar lembrando de tudo que eu pensei sobre o que escrever ao longo do dia. Porque é só eu me afastar do teclado que surgem mais de mil idéias na minha mente insana (que se tornará vazia assim que eu retornar ao computador).

E é assim. Fazer o quê, né?
Não dá pra fugir.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

será?

Nem eu acredito muito na possibilidade de eu levar um blog a sério.
Não por falta do que escrever, mas sim por minhas alterações de humor ou por pura preguiça.
De qualquer forma, tentar não vai me doer nada.
E é de graça - ao contrário das 48.900 sessões de terapia as quais precisaria pra falar nem a metade do que posso vomitar aqui.
Além disso, é uma boa tentativa de comprometimento, já que eu, pra levar a sério ou realizar atividades que não ponham pressão sobre mim, sou um fiasco.

E, por sinal, também preciso me acostumar com as letras maiúsculas, apesar de odiá-las declaradamente.

Caso haja alguém lendo isso além de mim, bem-vindo às minhas sessões de terapia particulares.
Prepare-se pra enfrentar muitos itálicos, advérbios de modo e muito, muito drama.