E ela não sentia mais nada além de desprezo e ódio. Vontade de vê-lo morto também, talvez.
Mas só se pudesse matá-lo com as suas próprias mãos e depois desfazer-se daquele lindo corpo que um dia fora sua maior fonte de felicidade e prazer.
As coisas não haviam sido nada fáceis desde que ele deu sua cartada final. Toda vez que ela tentava reeguer-se, fraquejava e voltava a desejar tudo o que sabia que lhe era proibido, uma vez que a consumia de tanta dor e ignorância. Apesar de não ser obrigada a passar por nada daquilo, ainda insistia na idéia de reconstruir algo que nunca teve a menor vocação para manter-se em pé.
Provavelmente não admitiria nem pra si mesma tão cedo que perdeu a batalha. Preferia culpá-lo, relembrar todo o seu jogo sujo, e viver a remoer toda a trapaça que fez com que ela quase chegasse quase no fundo do poço.
Quase.
-
(25/09/08)
domingo, 25 de outubro de 2009
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
subliminar
eu não diria todo dia
mesmo com toda a vontade do mundo
de dizer a cada segundo
(a mesma vontade vadia e nada vazia
que me dá toda hora que eu olho pro lado)
não diria, por excesso de coragem e por falta de medo
ou talvez por covardia demais e bravura de menos
é que eu não sei se só sou eu
ou se ambos queremos
mas eu juro, juro pra você
que se soubesse agora o tamanho do seu querer
que fôlego não faltaria
(provavelmente eu antes suspiraria -
é que suspiro me encoraja, eu me sinto maior)
e, aí sim, sorriso no rosto, eu declararia
tudo aquilo que eu quero, e, melhor:
eu até me declararia
eu sei, parece ousadia
e é ousadia
então, por enquanto, eu só demonstraria...
mesmo com toda a vontade do mundo
de dizer a cada segundo
(a mesma vontade vadia e nada vazia
que me dá toda hora que eu olho pro lado)
não diria, por excesso de coragem e por falta de medo
ou talvez por covardia demais e bravura de menos
é que eu não sei se só sou eu
ou se ambos queremos
mas eu juro, juro pra você
que se soubesse agora o tamanho do seu querer
que fôlego não faltaria
(provavelmente eu antes suspiraria -
é que suspiro me encoraja, eu me sinto maior)
e, aí sim, sorriso no rosto, eu declararia
tudo aquilo que eu quero, e, melhor:
eu até me declararia
eu sei, parece ousadia
e é ousadia
então, por enquanto, eu só demonstraria...
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Dois
Sorriso sem riso é meio
e metade eu não quero
Não me satisfaz
Mas tu sabes tão bem quem eu sou
o que acho, o que espero
de ti que, não sei...
Até penso às vezes que mais
do que amante ou amigo,
te carrego comigo, ou algo assim
Todo canto que vou, me recordo
Desda hora em que acordo
me lembro de ti
Podes vir sem pensar no depois,
no agora ou no antes,
somos meros errantes
somos mais do que dois.
e metade eu não quero
Não me satisfaz
Mas tu sabes tão bem quem eu sou
o que acho, o que espero
de ti que, não sei...
Até penso às vezes que mais
do que amante ou amigo,
te carrego comigo, ou algo assim
Todo canto que vou, me recordo
Desda hora em que acordo
me lembro de ti
Podes vir sem pensar no depois,
no agora ou no antes,
somos meros errantes
somos mais do que dois.
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domingo, 18 de outubro de 2009
censura sem surra
eu cansei
eu não sei
quanto tempo dá mais
eu já vi
eu vivi
nada me satisfaz
se eu preciso
de riso, juízo
pra quê?
eu não quero
não espero
você pra viver
mesmo assim
você vem,
e repete também
tudo aquilo
que disse
a mesmice
o desdém
que a massa
sem graça
nem tesão de viver
crê e prega
carrega
não escuta e não lê
sou refém
de mazelas
balelas
mentiras
intrigas
e brigas
que nem quero brigar
se acredita
nos outros
no medíocre,
no fútil
não sou eu
quem vai
suas idéias mudar
eu não sei
quanto tempo dá mais
eu já vi
eu vivi
nada me satisfaz
se eu preciso
de riso, juízo
pra quê?
eu não quero
não espero
você pra viver
mesmo assim
você vem,
e repete também
tudo aquilo
que disse
a mesmice
o desdém
que a massa
sem graça
nem tesão de viver
crê e prega
carrega
não escuta e não lê
sou refém
de mazelas
balelas
mentiras
intrigas
e brigas
que nem quero brigar
se acredita
nos outros
no medíocre,
no fútil
não sou eu
quem vai
suas idéias mudar
Vou de táxi
Eu decidi deitar no colo dele. A minha dor na coluna já era insuportável, e o cansaço depois de um dia inteiro festejando como se não houvesse amanhã falava mais alto. Eu era uma caloura ansiosa, parecia uma pré-adolescente perdida na Disney sem saber em qual brinquedo ir. Queria sempre mais, e essa falta de controle já havia me levado a dar alguns vexames - dos quais eu preferia apenas não me lembrar no dia seguinte.
Mas não naquela noite. Pela primeira vez em quase um mês de faculdade, eu não estava bêbada numa festa. Seria até uma conquista, se todos ao meu redor não estivessem etilicamente anestesiados o suficiente para sequer notarem o quão pouco eu bebi. Em resumo, pra eles eu estava tão bêbada quanto os mesmos. Ótimo. "Preciso ir embora", eu pensei. "Agora."
E então, estávamos no táxi. Eu e ele. Ele e eu. Também havia o taxista, mas sua presença no momento era um tanto quanto irrelevante. Peguei a minha mochila e joguei em cima dele. Do meu amigo, não do taxista. Ele tirou a mochila de cima de suas pernas e a colocou entre nós dois. Talvez se ele estivesse um pouco menos bêbado ele reparasse que o meu objetivo era me deitar, e não atingí-lo com uma mochila que provavelmente pesava mais do que eu. Mas não, eu tive de esclarecer minhas intenções. "Eu quero deitar!", eu disse. Não quis dar muita oportunidade de resposta e coloquei a mochila de volta em seu colo. Fiz com que ele chegasse mais para o seu canto do carro e me espalhei. Talvez a viagem pra casa não fosse tão longa o quanto eu imaginava...
Com a cabeça já em seu colo, eu sorri. Mas não durou muito. Ainda não sei como, mas seu dedo encontrou meu ouvido. E, olha, se tem algo que me tira do sério é qualquer coisa no meu ouvido. Inseto no ouvido, língua no ouvido, dedo no ouvido. Não sei se era culpa do álcool, mas ele descobriu como me irritar. Por mais que eu desse tapas em sua mão, o maldito dedo insistia em tirar minha paz. Não era gracinha, não era charme. É que eu realmente fico irritada com qualquer coisa violando a paz dos meus ouvidos. E eu só queria que ele mantivesse uma certa distância dalí. Sem me tirar do meu canto, claro.
Entre um tapa e outro, conversávamos. Ele tapava meus olhos com um objetivo ainda desconhecido por mim. Mas não deixava de ser engraçado. Nós nos implicávamos bastante. Eu falava da menina com quem ele tivera um casinho, coisa corriqueira, mas ainda assim havia me contado. Dizia o quão o achava estúpido por desperdiçar tempo e neurônios pensando nela. E aproveitava para desejar silenciosamente que eu pudesse sê-la, mesmo que por um dia.
É, eu sei. Falar da quase-ex não é a maneira mais inteligente de tentar se conquistar alguém, mas era tudo que eu tinha no momento. Essas eram as minhas cartas, e eu tinha de usá-las. Querendo ou não, o assunto da menina era a minha única opção. Quer dizer, foi a maior aproximação que houve entre nós dois na história de nossa amizade. O contato físico até então limitava-se a esbarrões não intencionais, tapinhas em resposta a alguma implicância ou encostões de perna na curva do ônibus. Nada muito sedutor, percebe-se com facilidade.
E ali estava eu, deitada em seu colo, agradecendo aos céus que ele estava bêbado e sorridente, contando histórias e implicando comigo. O dedo no ouvido nem me incomodava tanto mais, depois da vigésima oitava vez. Ele também manifestava um suposto afeto através de uns cafunés esporádicos, meio tímidos. Estava mais pra afago, como alguém que tenta agradar um filhote de cachorro, mas com um certo receio de ser mordido. Ou arranhado. Tanto faz.
A nossa amizade era recente. Havíamos nos conhecido há pouco mais de um mês. Na verdade, eu o conhecia há pouco mais de um mês. Segundo o mesmo, já haviam previamente nos apresentado, mas parece que eu não guardei nenhuma recordação de tal fato. Não é que eu tenha o ignorado, mas ironicamente eu só fui notá-lo no nosso segundo encontro. E talvez tenha notado um pouco além da conta...
Desde então, nos falávamos quase que diariamente. Fomos à praia, com mais dois amigos em comum. Um grande amigo meu é um grande amigo dele. E uma grande amiga dele é uma grande amiga do nosso grande amigo em comum. Bom, fomos os quatro à praia, e foi ótimo. Apesar da distância, quero dizer.
Ele não é como a maioria dos caras que se vê por aí. Desde que nos conhecemos, ele não tentou me conquistar com uma conversa fiada clichê. Sempre tínhamos assunto, falávamos de tudo. Sabíamos detalhes da vida um do outro. Compartilhávamos fatos engraçados, sonhos, provavelmente até alguns segredos. Mas não romanceávamos nossa amizade com abraços e carinhos e declarações. Talvez por ele ser assim mesmo: um cara na dele. Não é que ele seja bruto ou frio. Ele simplesmente age assim porque é assim. E, quando vi, a distância entre nós já tinha virado um desejo louco de que nos aproximássemos.
Minha mãe ligou um pouco depois de entrarmos no táxi. Ela era um dos motivos pelos quais eu queria ir logo embora. Já tinha se passado quase uma hora e meia desde a última vez que ela havia me ligado, e eu disse que iria embora naquele exato momento. A não ser que eu estivesse cruzando o estado, já era pra eu estar em casa. Então, não contei a ela que estava indo de carro. Quando ela perguntou, disse que peguei um ônibus e estava no metrô, tentando justificar minha demora.
Ela aceitou a desculpa e eu desliguei o celular. Ele riu da minha cara. Na hora, me chamou de mentirosa e sem caráter. Eu dei de ombros, sabia que ele aproveitaria qualquer oportunidade de fazer graça. Entramos então num túnel e ele se lembrou da ligação do metrô. "Caralho, você é muito mentirosa!", ele disse. É incrível como todos ficamos educados sob o efeito de álcool.
Sem me importar muito, ri e perguntei: "Mentirosa? Eu?", com um sorrisinho cínico. Ele se abaixou, aproximando o rosto do meu. Eu senti que ia acontecer, mas não conseguia acreditar naquilo direito. Eu tentara imaginar incontáveis situações onde nos beijássemos, e aquela cena jamais havia se passado no meu imaginário. Eu sempre contava com a minha pessoa sob o efeito do álcool. Não ele. Era muito difícil de crer. E de reagir.
"Hahahah, como se você estivesse no metrô!", ele respondeu. A essa altura, ele já estava todo torto, se contorcendo para que seus olhos ficassem ao alcance dos meus. E eu ainda não acreditava que aquilo pudesse estar acontecendo. Dei uma risada leve e falei: "Ahh, mas eu tô no metrô... Onde é que você tá?", tentando parecer o menos deslumbrada possível. Sem a menor necessidade, obviamente. Quem precisaria de algum disfarce ali era ele, não eu: era terça-feira e ele estava prestes a chegar em casa da faculdade bêbado.
"Eu tô no Rebouças..."
Sorriu.
Abaixou um pouco mais a cabeça.
E aí...
Aconteceu.
"=)"
Eu não precisei fazer muito esforço, apenas levantei o queixo para que o alcançasse.
Feliz. Me sentia feliz. Satisfeita por saber que estava beijando alguém de quem gostava. A sensação parecia inédita, depois de tanto tempo e tantos beijos dados ao acaso, com descaso.
Mas, naquele momento, a sensação era completamente diferente. Pra mim, era uma conquista. E tudo pareceu ainda melhor quando as minhas expectativas forram correspondidas - até mesmo superadas. Ele era doce, carinhoso, sereno.
Fugia daquela rotina entediante praticada pelos últimos vinte caras que eu havia beijado. Não sei se era em respeito à nossa amizade, ele parecia ser assim em sua essência. Dócil, amável. Digno de todos os elogios possíveis.
Não consigo evitar um sorriso ao lembrar do táxi. E vem um frio na barriga que me faz achar que tenho treze anos...
Só tenho a lamentar que meu remédio também foi meu veneno. Talvez se não tivesse sido o álcool, nós não tivéssemos nos beijado. Não que ele tenha agido sem pensar, mas sabe-se que, quando ébrios, todos temos coragem de sobra.
Mas e quando a sobriedade voltar? E quando a ressaca chegar?
Será que ele ainda tem a mesma vontade?
A resposta... só cabe a mim esperar por ela.
Mas não naquela noite. Pela primeira vez em quase um mês de faculdade, eu não estava bêbada numa festa. Seria até uma conquista, se todos ao meu redor não estivessem etilicamente anestesiados o suficiente para sequer notarem o quão pouco eu bebi. Em resumo, pra eles eu estava tão bêbada quanto os mesmos. Ótimo. "Preciso ir embora", eu pensei. "Agora."
E então, estávamos no táxi. Eu e ele. Ele e eu. Também havia o taxista, mas sua presença no momento era um tanto quanto irrelevante. Peguei a minha mochila e joguei em cima dele. Do meu amigo, não do taxista. Ele tirou a mochila de cima de suas pernas e a colocou entre nós dois. Talvez se ele estivesse um pouco menos bêbado ele reparasse que o meu objetivo era me deitar, e não atingí-lo com uma mochila que provavelmente pesava mais do que eu. Mas não, eu tive de esclarecer minhas intenções. "Eu quero deitar!", eu disse. Não quis dar muita oportunidade de resposta e coloquei a mochila de volta em seu colo. Fiz com que ele chegasse mais para o seu canto do carro e me espalhei. Talvez a viagem pra casa não fosse tão longa o quanto eu imaginava...
Com a cabeça já em seu colo, eu sorri. Mas não durou muito. Ainda não sei como, mas seu dedo encontrou meu ouvido. E, olha, se tem algo que me tira do sério é qualquer coisa no meu ouvido. Inseto no ouvido, língua no ouvido, dedo no ouvido. Não sei se era culpa do álcool, mas ele descobriu como me irritar. Por mais que eu desse tapas em sua mão, o maldito dedo insistia em tirar minha paz. Não era gracinha, não era charme. É que eu realmente fico irritada com qualquer coisa violando a paz dos meus ouvidos. E eu só queria que ele mantivesse uma certa distância dalí. Sem me tirar do meu canto, claro.
Entre um tapa e outro, conversávamos. Ele tapava meus olhos com um objetivo ainda desconhecido por mim. Mas não deixava de ser engraçado. Nós nos implicávamos bastante. Eu falava da menina com quem ele tivera um casinho, coisa corriqueira, mas ainda assim havia me contado. Dizia o quão o achava estúpido por desperdiçar tempo e neurônios pensando nela. E aproveitava para desejar silenciosamente que eu pudesse sê-la, mesmo que por um dia.
É, eu sei. Falar da quase-ex não é a maneira mais inteligente de tentar se conquistar alguém, mas era tudo que eu tinha no momento. Essas eram as minhas cartas, e eu tinha de usá-las. Querendo ou não, o assunto da menina era a minha única opção. Quer dizer, foi a maior aproximação que houve entre nós dois na história de nossa amizade. O contato físico até então limitava-se a esbarrões não intencionais, tapinhas em resposta a alguma implicância ou encostões de perna na curva do ônibus. Nada muito sedutor, percebe-se com facilidade.
E ali estava eu, deitada em seu colo, agradecendo aos céus que ele estava bêbado e sorridente, contando histórias e implicando comigo. O dedo no ouvido nem me incomodava tanto mais, depois da vigésima oitava vez. Ele também manifestava um suposto afeto através de uns cafunés esporádicos, meio tímidos. Estava mais pra afago, como alguém que tenta agradar um filhote de cachorro, mas com um certo receio de ser mordido. Ou arranhado. Tanto faz.
A nossa amizade era recente. Havíamos nos conhecido há pouco mais de um mês. Na verdade, eu o conhecia há pouco mais de um mês. Segundo o mesmo, já haviam previamente nos apresentado, mas parece que eu não guardei nenhuma recordação de tal fato. Não é que eu tenha o ignorado, mas ironicamente eu só fui notá-lo no nosso segundo encontro. E talvez tenha notado um pouco além da conta...
Desde então, nos falávamos quase que diariamente. Fomos à praia, com mais dois amigos em comum. Um grande amigo meu é um grande amigo dele. E uma grande amiga dele é uma grande amiga do nosso grande amigo em comum. Bom, fomos os quatro à praia, e foi ótimo. Apesar da distância, quero dizer.
Ele não é como a maioria dos caras que se vê por aí. Desde que nos conhecemos, ele não tentou me conquistar com uma conversa fiada clichê. Sempre tínhamos assunto, falávamos de tudo. Sabíamos detalhes da vida um do outro. Compartilhávamos fatos engraçados, sonhos, provavelmente até alguns segredos. Mas não romanceávamos nossa amizade com abraços e carinhos e declarações. Talvez por ele ser assim mesmo: um cara na dele. Não é que ele seja bruto ou frio. Ele simplesmente age assim porque é assim. E, quando vi, a distância entre nós já tinha virado um desejo louco de que nos aproximássemos.
Minha mãe ligou um pouco depois de entrarmos no táxi. Ela era um dos motivos pelos quais eu queria ir logo embora. Já tinha se passado quase uma hora e meia desde a última vez que ela havia me ligado, e eu disse que iria embora naquele exato momento. A não ser que eu estivesse cruzando o estado, já era pra eu estar em casa. Então, não contei a ela que estava indo de carro. Quando ela perguntou, disse que peguei um ônibus e estava no metrô, tentando justificar minha demora.
Ela aceitou a desculpa e eu desliguei o celular. Ele riu da minha cara. Na hora, me chamou de mentirosa e sem caráter. Eu dei de ombros, sabia que ele aproveitaria qualquer oportunidade de fazer graça. Entramos então num túnel e ele se lembrou da ligação do metrô. "Caralho, você é muito mentirosa!", ele disse. É incrível como todos ficamos educados sob o efeito de álcool.
Sem me importar muito, ri e perguntei: "Mentirosa? Eu?", com um sorrisinho cínico. Ele se abaixou, aproximando o rosto do meu. Eu senti que ia acontecer, mas não conseguia acreditar naquilo direito. Eu tentara imaginar incontáveis situações onde nos beijássemos, e aquela cena jamais havia se passado no meu imaginário. Eu sempre contava com a minha pessoa sob o efeito do álcool. Não ele. Era muito difícil de crer. E de reagir.
"Hahahah, como se você estivesse no metrô!", ele respondeu. A essa altura, ele já estava todo torto, se contorcendo para que seus olhos ficassem ao alcance dos meus. E eu ainda não acreditava que aquilo pudesse estar acontecendo. Dei uma risada leve e falei: "Ahh, mas eu tô no metrô... Onde é que você tá?", tentando parecer o menos deslumbrada possível. Sem a menor necessidade, obviamente. Quem precisaria de algum disfarce ali era ele, não eu: era terça-feira e ele estava prestes a chegar em casa da faculdade bêbado.
"Eu tô no Rebouças..."
Sorriu.
Abaixou um pouco mais a cabeça.
E aí...
Aconteceu.
"=)"
Eu não precisei fazer muito esforço, apenas levantei o queixo para que o alcançasse.
Feliz. Me sentia feliz. Satisfeita por saber que estava beijando alguém de quem gostava. A sensação parecia inédita, depois de tanto tempo e tantos beijos dados ao acaso, com descaso.
Mas, naquele momento, a sensação era completamente diferente. Pra mim, era uma conquista. E tudo pareceu ainda melhor quando as minhas expectativas forram correspondidas - até mesmo superadas. Ele era doce, carinhoso, sereno.
Fugia daquela rotina entediante praticada pelos últimos vinte caras que eu havia beijado. Não sei se era em respeito à nossa amizade, ele parecia ser assim em sua essência. Dócil, amável. Digno de todos os elogios possíveis.
Não consigo evitar um sorriso ao lembrar do táxi. E vem um frio na barriga que me faz achar que tenho treze anos...
Só tenho a lamentar que meu remédio também foi meu veneno. Talvez se não tivesse sido o álcool, nós não tivéssemos nos beijado. Não que ele tenha agido sem pensar, mas sabe-se que, quando ébrios, todos temos coragem de sobra.
Mas e quando a sobriedade voltar? E quando a ressaca chegar?
Será que ele ainda tem a mesma vontade?
A resposta... só cabe a mim esperar por ela.
sábado, 20 de junho de 2009
All In
Falling feels like flying
Until you hit the ground
And everybody's fearless
When there's no one around
But oh you guys are so predictable
With your cheap and dirty dreams
Living lives that are unreasonable
And pretending movie scenes
But behind each and every silly boy
You'll always find a mean girl
Who thinks slavery is braveness
And believes she rules the world
When you realize there will be fences
And cages and no freedom
But, baby, I have told ya
These people have no limits
Girl, let me give you some advice
Don't you trust those fetching guys
I know they seem so captivating
And pretty easy in the eyes
But a month goes by, or maybe two
And, guess what? It wasn't true
All the things he said to you
It was all bullshit, never knew
And don't you care about his feelings
And his heart or silly mind
There's nothing else to do
There's no exit to find
He knows he's on a trap
And you've predicted every single step
If he fells, it's 'cause he wants to
You know, men just can't ask for help
Mercy, disappointment, pity, shame
Oh you guys are all the same
Until you hit the ground
And everybody's fearless
When there's no one around
But oh you guys are so predictable
With your cheap and dirty dreams
Living lives that are unreasonable
And pretending movie scenes
But behind each and every silly boy
You'll always find a mean girl
Who thinks slavery is braveness
And believes she rules the world
When you realize there will be fences
And cages and no freedom
But, baby, I have told ya
These people have no limits
Girl, let me give you some advice
Don't you trust those fetching guys
I know they seem so captivating
And pretty easy in the eyes
But a month goes by, or maybe two
And, guess what? It wasn't true
All the things he said to you
It was all bullshit, never knew
And don't you care about his feelings
And his heart or silly mind
There's nothing else to do
There's no exit to find
He knows he's on a trap
And you've predicted every single step
If he fells, it's 'cause he wants to
You know, men just can't ask for help
Mercy, disappointment, pity, shame
Oh you guys are all the same
quarta-feira, 3 de junho de 2009
De frente pro espelho
Meu bem, não há o que temer... Por tanta coisa já passaste, tanto susto que já levou. Por que agora essa insegurança toda? De onde vem?
Você sabe que é maior, que tudo nessa vida passa. És humilde, corajosa e destemida. Guarde toda a sua ansiedade para as expectativas de um reencontro , para o frio na barriga que vem antes da noitada. Mas perder sua paz para ele? Logo você...
Foi culpa da fragilidade também, eu sei. Por mais que pareça que o dito cujo tenha vindo diretamente dos céus embalado pra presente com laço de fita vermelho, você não pode perder o controle. Tens que pegar leve... Ir com calma, comer pelas bordas. Saber apreciar cada segundo da conquista, desfrutar do prazer de tê-lo ao seu lado em sua totalidade, sem deixar escapar uma gota do que são juntos.
Atropelar fases pra quê? Se o final é sempre o mesmo... É isso que você quer? Que chege logo a fase dolorida? Que tudo vire óbvio? A rotina cansa, minha amiga, e cansa muito. Eu te digo, aproveite enquanto ainda é novidade. E você aí tentando de qualquer jeito acelerar as coisas...
Sua possessividade não te faz bem, você sabe disso. Um nome não muda muita coisa, praticamente nada. Você sabe disso também. Essas respostas bastam para as suas tantas perguntas, e você já as tem. Só não quer encontrá-las...
Tens plena consciência de que, caso seus muitos anseios se realizassem, o sentimento seria banalizado. Você sabe que iria perder a graça. Não passa de mais um "Amor Cor-de-telha", em suas devidas proporções. Se está tão bom assim, pra que mudar? Se não há garantia de melhoria alguma...
Mas, ei! Não é por isso que se deve abrir mão de si mesma. Não é só você que sabe que tem dado mais do que recebe. Tome cuidado! Enquanto você era a única a sabê-lo, ainda tinha boa parte do controle da situação. Agora que já assumistes o risco de amar sozinha, uma armadilha foi criada. Fica por sua conta sofrer, ele já não tem mais nada a ver com isso. Você foi avisada, teve sua chance de juntar suas trouxinhas e ir embora. E, ainda assim, optou por ficar...
Tome isso como uma oportunidade de sair por cima. Mostre que tens consciência de seus esforços, mas que cobrará por eles. Afinal, tudo tem seu preço. Mostre que também quer seu metro quadrado de liberdade, que também sabe cumprir de menos em determinados quesitos. Insegurança sempre é uma boa forma de provocar reflexão.
E, não se esqueça, minha amiga: o mundo é redondo. O mundo gira, o mundo é um moinho! O tempo é o melhor dos remédios, e sempre há amanhã. O que não falta são aforismos para te convencer de que tudo isso é passageiro. De que ele, o tão apaixonante Don Juan, pode ser o próximo a ouvir "só não quero que você goste de mim".
Tenha cuidado, de fato. Conheces a ti mesma como ninguém, e sabes o quão frágil és depois de entregue. Mas também conheces a sua própria força e poder de superação. Sabes que pode e deve contar comigo. Antes de recorrer a qualquer outro indivíduo, lembre-se que cá estou eu, do outro lado do espelho. Esforçando-me para te convencer de que deves gostar de mim antes de tudo, pois é assim que te gosto. Só que precisa ser recíproco...
Talvez você até descubra que isso tudo não passa de uma grande brincadeira que foi levada a sério por engano, algum detalhe que passou despercebido pelo caminho. E então perceberás que já é hora de uma nova brincadeira ser vivida...
Você sabe que é maior, que tudo nessa vida passa. És humilde, corajosa e destemida. Guarde toda a sua ansiedade para as expectativas de um reencontro , para o frio na barriga que vem antes da noitada. Mas perder sua paz para ele? Logo você...
Foi culpa da fragilidade também, eu sei. Por mais que pareça que o dito cujo tenha vindo diretamente dos céus embalado pra presente com laço de fita vermelho, você não pode perder o controle. Tens que pegar leve... Ir com calma, comer pelas bordas. Saber apreciar cada segundo da conquista, desfrutar do prazer de tê-lo ao seu lado em sua totalidade, sem deixar escapar uma gota do que são juntos.
Atropelar fases pra quê? Se o final é sempre o mesmo... É isso que você quer? Que chege logo a fase dolorida? Que tudo vire óbvio? A rotina cansa, minha amiga, e cansa muito. Eu te digo, aproveite enquanto ainda é novidade. E você aí tentando de qualquer jeito acelerar as coisas...
Sua possessividade não te faz bem, você sabe disso. Um nome não muda muita coisa, praticamente nada. Você sabe disso também. Essas respostas bastam para as suas tantas perguntas, e você já as tem. Só não quer encontrá-las...
Tens plena consciência de que, caso seus muitos anseios se realizassem, o sentimento seria banalizado. Você sabe que iria perder a graça. Não passa de mais um "Amor Cor-de-telha", em suas devidas proporções. Se está tão bom assim, pra que mudar? Se não há garantia de melhoria alguma...
Mas, ei! Não é por isso que se deve abrir mão de si mesma. Não é só você que sabe que tem dado mais do que recebe. Tome cuidado! Enquanto você era a única a sabê-lo, ainda tinha boa parte do controle da situação. Agora que já assumistes o risco de amar sozinha, uma armadilha foi criada. Fica por sua conta sofrer, ele já não tem mais nada a ver com isso. Você foi avisada, teve sua chance de juntar suas trouxinhas e ir embora. E, ainda assim, optou por ficar...
Tome isso como uma oportunidade de sair por cima. Mostre que tens consciência de seus esforços, mas que cobrará por eles. Afinal, tudo tem seu preço. Mostre que também quer seu metro quadrado de liberdade, que também sabe cumprir de menos em determinados quesitos. Insegurança sempre é uma boa forma de provocar reflexão.
E, não se esqueça, minha amiga: o mundo é redondo. O mundo gira, o mundo é um moinho! O tempo é o melhor dos remédios, e sempre há amanhã. O que não falta são aforismos para te convencer de que tudo isso é passageiro. De que ele, o tão apaixonante Don Juan, pode ser o próximo a ouvir "só não quero que você goste de mim".
Tenha cuidado, de fato. Conheces a ti mesma como ninguém, e sabes o quão frágil és depois de entregue. Mas também conheces a sua própria força e poder de superação. Sabes que pode e deve contar comigo. Antes de recorrer a qualquer outro indivíduo, lembre-se que cá estou eu, do outro lado do espelho. Esforçando-me para te convencer de que deves gostar de mim antes de tudo, pois é assim que te gosto. Só que precisa ser recíproco...
Talvez você até descubra que isso tudo não passa de uma grande brincadeira que foi levada a sério por engano, algum detalhe que passou despercebido pelo caminho. E então perceberás que já é hora de uma nova brincadeira ser vivida...
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