ando contando
os dias contados
pra pensar fora do graja
pra botar dentro da caixa
tudo aquilo que não vale guardar
me fazer um bota-fora
ter coragem de ir embora
juntar os cacos
as conchas
as pedras
os grãos
e pedaços
estilhaços
afiados e cortantes
a cicatriz profunda e grande
não parece parar de sangrar
é tudo culpa dessa geração
que nunca tá satisfeita
que não quer dar satisfação
é só brincar de gato e rato
fingir de surdo-mudo
prefere dar a bunda
a dar o braço a torcer
dar condição
pra quê?
galochas no verão
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
salve-me se puder
depois de tanta ferida aberta
tanta cicatriz com nome e sobrenome
fica difícil pisar com os dois pés
seria mais fácil se fosse delivery
de preferência em menos de meia hora
ah, quem me dera te ter aqui agora
querer é de graça e não custa sonhar
eu sei, o mar não tá pra peixe
e que poesia você já leu mais de mil
mas essa daqui não é só mais uma
nem sei se é de amor que eu tô aqui pra falar
como eu queria ser poderosa
que nem as palavras de leminski
pra ter certeza que não ia acabar em dezembro
talvez até eu ganhasse uma rosa
dessas mesmo de balde que vendem em bar
meu cabelo é dourado e eu encaro a corda bamba
mas as coincidências param por aí
implorar por amor não faz (mais) o meu tipo
pra viver com essa dor eu prefiro partir
não é que eu esteja me queixando
veja bem meu bem, eu sei que não foi por mal
é que sofrer calada já tá mais que doendo
e o meu coração não é seu quintal
tanta cicatriz com nome e sobrenome
fica difícil pisar com os dois pés
seria mais fácil se fosse delivery
de preferência em menos de meia hora
ah, quem me dera te ter aqui agora
querer é de graça e não custa sonhar
eu sei, o mar não tá pra peixe
e que poesia você já leu mais de mil
mas essa daqui não é só mais uma
nem sei se é de amor que eu tô aqui pra falar
como eu queria ser poderosa
que nem as palavras de leminski
pra ter certeza que não ia acabar em dezembro
talvez até eu ganhasse uma rosa
dessas mesmo de balde que vendem em bar
meu cabelo é dourado e eu encaro a corda bamba
mas as coincidências param por aí
implorar por amor não faz (mais) o meu tipo
pra viver com essa dor eu prefiro partir
não é que eu esteja me queixando
veja bem meu bem, eu sei que não foi por mal
é que sofrer calada já tá mais que doendo
e o meu coração não é seu quintal
domingo, 22 de janeiro de 2012
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
o contador de histórias
eu não me canso do amor giratório
que só me serve de afago ao ego
é melhor que não tenha escapatória
do que sofrer a perda dessa mistério
as teclas pretas do piano
são espelhadas, e refletem só luz
se tem validade e estragou nesse ano
não tá estragado, ainda dá pra mais um
o mundo é maravilhoso mas não é de mentira
tem mais verdade que muita história por aí
e se tragar não for a minha glória
eu não posso dizer que não te ouvi
mas de peixes essa menina não tem nada
tem tanto ar que até voa, tá na cara que é aquário
eu sei disso que tá marcado na minha pele
não parece, mas eu já fiz papel de otário
e leão que não gosta de algodão doce
com gente assim feliz nunca vai ser
moça assim já derrete na boca
isso aí dá e passa, espera pra ver
pra falar em fiel sem ninguém falar nada
o crime é a vaidade, isso não tem perdão
te usar de caminho, te fazer de estrada
marcar outras vidas e saber que é em vão
e não tem desculpa de sorriso bonito
uma linha no rosto eu já vi mais de mil
pra deixar de ser tom e aprender a ser summer
é só ter a coragem de tomar um doril
se quebrado estiver não vai dizer que a culpa é minha
carinho e afago não fazem mal a ninguém
bem que eu te disse que não é isso que eu faria
mas deixei claro, a escolha é sua, tudo bem
de peça em peça todo mundo morre um pouco
mundo imaginário cada um tem o seu
o problema é quando entram os sentimentos
é quando vira julieta e romeu
e a roda roda, a nóia nóia, vai girando
uma engrenagem bonita dessas dá pra ver
que antes isso que morrer sem história
só ir embora depois de amanhecer
que só me serve de afago ao ego
é melhor que não tenha escapatória
do que sofrer a perda dessa mistério
as teclas pretas do piano
são espelhadas, e refletem só luz
se tem validade e estragou nesse ano
não tá estragado, ainda dá pra mais um
o mundo é maravilhoso mas não é de mentira
tem mais verdade que muita história por aí
e se tragar não for a minha glória
eu não posso dizer que não te ouvi
mas de peixes essa menina não tem nada
tem tanto ar que até voa, tá na cara que é aquário
eu sei disso que tá marcado na minha pele
não parece, mas eu já fiz papel de otário
e leão que não gosta de algodão doce
com gente assim feliz nunca vai ser
moça assim já derrete na boca
isso aí dá e passa, espera pra ver
pra falar em fiel sem ninguém falar nada
o crime é a vaidade, isso não tem perdão
te usar de caminho, te fazer de estrada
marcar outras vidas e saber que é em vão
e não tem desculpa de sorriso bonito
uma linha no rosto eu já vi mais de mil
pra deixar de ser tom e aprender a ser summer
é só ter a coragem de tomar um doril
se quebrado estiver não vai dizer que a culpa é minha
carinho e afago não fazem mal a ninguém
bem que eu te disse que não é isso que eu faria
mas deixei claro, a escolha é sua, tudo bem
de peça em peça todo mundo morre um pouco
mundo imaginário cada um tem o seu
o problema é quando entram os sentimentos
é quando vira julieta e romeu
e a roda roda, a nóia nóia, vai girando
uma engrenagem bonita dessas dá pra ver
que antes isso que morrer sem história
só ir embora depois de amanhecer
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domingo, 8 de janeiro de 2012
improvisações
os improvisos e as ações de alguém que me enche os olhos de lágrimas e os pulmões de ar
se eu pudesse te dar um presente
mais útil que um jornal de poesia
mais do que barras de ouro valeria
mais até do que ganhar na loteria
bom mesmo seria se eu te desse
uma dose de humildade
que a falta dela é a única coisa que derruba a gente
sem aos menos precisar de um demente
esperando a hora certa de empurrar
(e isso era bom você aprender)
um cara engraçadinho, inteligente, bem articulado
bem humorado, te ganha no papo
à medida certa do misterioso
fala grosso, ignora a baliza
da sociedade, mente a idade (quando precisa)
mas a mentalidade
eu não sei bem precisar
preciso é o ponto
(da orelha!)
que ele fala baixinho
demonstra carinho
mas não vai além de demonstrar
e tola sou eu que procuro
parece até que preciso
vou atrás no escuro
tropeço no vício
(no meu ou no seu?)
culpa do solstício
desses dias mais longos
que só alongam a espera
me atrasam o encontro
logo agora que eu resolvi ser pontual
pontual e inspirada
quem diria, nem parece aquela thaísa
que se escondia atrás das pessoas
resolveu ser Pessoa
com P de gente grande
que não tem medo de se encontrar
vasculhei mais e vomitei umas poesias
um vídeo com momentos de alegria
de algumas noites que meu corpo se encarregou de esquecer
ainda vou aproveitar pra me apoderar desse teu jeito
incisivo
instigante
insistente
confiante
sem medo de ser
pelo menos pra isso você tinha que servir
não é pouco caso, eu só não quero jogar muito confete
depois de te ver jogar tudo pro alto
você não merece muito elogio
passei dessa fase, ficar de tiete
pior ainda se for de marmanjo
você sequer tem cara de anjo
quem me dera ter essa desculpa pra dar
descuido meu, andar de guarda abaixada
perigosamente, eu te disse que vivia
pra quê andar de guarda-chuva
se não tem chuva nenhuma pra guardar?
cegueira seletiva, ver um monte de sinal e dar de ombros
botar na conta do acaso, foi por engano
engano meu achar que esse era nosso ano
melhor procurar outro alguém pra amar
fazer minhas malas, preparar minha bagagem
apertem os cintos, vai começar a contagem
nomadismo emocional, preparar pra decolar
(você bem que queria saber o que se passava na minha cabeça naquele momento
- e em todos os outros -
mas esse gostinho, meu amor, eu não vou te dar)
se eu pudesse te dar um presente
mais útil que um jornal de poesia
mais do que barras de ouro valeria
mais até do que ganhar na loteria
bom mesmo seria se eu te desse
uma dose de humildade
que a falta dela é a única coisa que derruba a gente
sem aos menos precisar de um demente
esperando a hora certa de empurrar
(e isso era bom você aprender)
um cara engraçadinho, inteligente, bem articulado
bem humorado, te ganha no papo
à medida certa do misterioso
fala grosso, ignora a baliza
da sociedade, mente a idade (quando precisa)
mas a mentalidade
eu não sei bem precisar
preciso é o ponto
(da orelha!)
que ele fala baixinho
demonstra carinho
mas não vai além de demonstrar
e tola sou eu que procuro
parece até que preciso
vou atrás no escuro
tropeço no vício
(no meu ou no seu?)
culpa do solstício
desses dias mais longos
que só alongam a espera
me atrasam o encontro
logo agora que eu resolvi ser pontual
pontual e inspirada
quem diria, nem parece aquela thaísa
que se escondia atrás das pessoas
resolveu ser Pessoa
com P de gente grande
que não tem medo de se encontrar
vasculhei mais e vomitei umas poesias
um vídeo com momentos de alegria
de algumas noites que meu corpo se encarregou de esquecer
ainda vou aproveitar pra me apoderar desse teu jeito
incisivo
instigante
insistente
confiante
sem medo de ser
pelo menos pra isso você tinha que servir
não é pouco caso, eu só não quero jogar muito confete
depois de te ver jogar tudo pro alto
você não merece muito elogio
passei dessa fase, ficar de tiete
pior ainda se for de marmanjo
você sequer tem cara de anjo
quem me dera ter essa desculpa pra dar
descuido meu, andar de guarda abaixada
perigosamente, eu te disse que vivia
pra quê andar de guarda-chuva
se não tem chuva nenhuma pra guardar?
cegueira seletiva, ver um monte de sinal e dar de ombros
botar na conta do acaso, foi por engano
engano meu achar que esse era nosso ano
melhor procurar outro alguém pra amar
fazer minhas malas, preparar minha bagagem
apertem os cintos, vai começar a contagem
nomadismo emocional, preparar pra decolar
(você bem que queria saber o que se passava na minha cabeça naquele momento
- e em todos os outros -
mas esse gostinho, meu amor, eu não vou te dar)
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surpresa
Vale de lágrimas
- Quantas lágrimas valem um desamor?
- Depende do desamor. Que desamor?
- O nosso amor. Quantas lágrimas eu valeria se terminasse com você?
- Todo amor tem o mesmo valor, o mesmo número de lágrimas a serem choradas. O que varia é quem vai chorar mais e quem vai chorar menos. Ninguém nunca chora igual.
- Nesse caso, eu acho que ia chorar mais do que você.
- É. Você ia chorar bastante...
- Você não ia chorar nem um pouquinho por mim?
- Sei lá, eu acho que prefiro guardar pra depois.
- Por que pra depois, se a gente ia estar terminando?
- Porque eu sei que iria voltar. A gente sempre volta.
- Porque eu ainda não chorei. Mas, um dia, eu vou ter chorado tudo que eu tenho pra chorar - e aí nosso desamor não vai ter mais lágrima nenhuma pra valer.
- Depende do desamor. Que desamor?
- O nosso amor. Quantas lágrimas eu valeria se terminasse com você?
- Todo amor tem o mesmo valor, o mesmo número de lágrimas a serem choradas. O que varia é quem vai chorar mais e quem vai chorar menos. Ninguém nunca chora igual.
- Nesse caso, eu acho que ia chorar mais do que você.
- É. Você ia chorar bastante...
- Você não ia chorar nem um pouquinho por mim?
- Sei lá, eu acho que prefiro guardar pra depois.
- Por que pra depois, se a gente ia estar terminando?
- Porque eu sei que iria voltar. A gente sempre volta.
- Porque eu ainda não chorei. Mas, um dia, eu vou ter chorado tudo que eu tenho pra chorar - e aí nosso desamor não vai ter mais lágrima nenhuma pra valer.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
por enquanto
desenhar um milhão de margaridas
até achar a certa
é um desafio
uma prova de resistência ao passado
é uma prova da minha palavra
quando eu disse que estava indo
eu já sabia que não ia voltar
e agora tem os vagalumes
que se baseiam na luz dos baseados
e entre uma piscada e outra, iluminados
eu vejo corpos que já foram meus
porque aqui é tudo meu
essa história é minha
esse passado é meu
esse presente eu me dei
quando escolhi ser assim
essa sou eu, eu disse
você mergulhou porque quis
eu sei que te fiz um convite
mas você me disse que queria dançar
entre tantos amores, entre tantos passistas
por que você não me deixa passar?
eu posso passar com cuidado
só não passo despercebida
discrição nunca foi meu talento
e os discretos você sequer respeita, meu bem
tanta gente pra escolher, eu escolhi um vício
um viciado que mente pra curar
as feridas não são minhas, eu não sinto doer
dolorido é aquilo que te troca por dor
eu podia sarar, te rejuvenescer
uns vinte ou trinta anos em cada joelho
valem a história pra contar?
se um dia souber a resposta
eu não vou me surpreender
você é desses que esperam o momento certo
só pra fazer a coisa errada
e depois dizem que foi tudo de caso pensado
bobas somos nós, que não te vimos pensar
e no final das contas
você nem é tão imprevisível assim
eu que fantasio, eu que me inspiro
nas minhas próprias histórias pra te construir
mas o mérito é seu, você merece os créditos
não é tão fácil assim me fazer parar o olhar
depois dos escafandros, depois das borboletas
depois das margaridas, depois do jantar
vinte brigas em um mês, não sei se é bem isso
mas eu já perdi a conta
eu sou presa pelas rédeas
como assim "internalizar"?
seja minha mãe, seja o dinheiro
ou algum motivo melhor que o medo
o pudor não serve pra nada
só não sou alheia à vergonha alheia
depois do barco, na marina da glória
depois de tantos táxis pra chegar no flamengo
depois de lutar por todos eles na lapa
ou pelo meu gozo, nas camas, por aí
o truque é ser inesperado
melhor se for virado
melhor se for de manhã
depois de ser pego fazendo besteira
qualquer perdão já é tentador
se quer piedade, a manha é fazer manha
pra falar a verdade, a minha é fazer amor
até achar a certa
é um desafio
uma prova de resistência ao passado
é uma prova da minha palavra
quando eu disse que estava indo
eu já sabia que não ia voltar
e agora tem os vagalumes
que se baseiam na luz dos baseados
e entre uma piscada e outra, iluminados
eu vejo corpos que já foram meus
porque aqui é tudo meu
essa história é minha
esse passado é meu
esse presente eu me dei
quando escolhi ser assim
essa sou eu, eu disse
você mergulhou porque quis
eu sei que te fiz um convite
mas você me disse que queria dançar
entre tantos amores, entre tantos passistas
por que você não me deixa passar?
eu posso passar com cuidado
só não passo despercebida
discrição nunca foi meu talento
e os discretos você sequer respeita, meu bem
tanta gente pra escolher, eu escolhi um vício
um viciado que mente pra curar
as feridas não são minhas, eu não sinto doer
dolorido é aquilo que te troca por dor
eu podia sarar, te rejuvenescer
uns vinte ou trinta anos em cada joelho
valem a história pra contar?
se um dia souber a resposta
eu não vou me surpreender
você é desses que esperam o momento certo
só pra fazer a coisa errada
e depois dizem que foi tudo de caso pensado
bobas somos nós, que não te vimos pensar
e no final das contas
você nem é tão imprevisível assim
eu que fantasio, eu que me inspiro
nas minhas próprias histórias pra te construir
mas o mérito é seu, você merece os créditos
não é tão fácil assim me fazer parar o olhar
depois dos escafandros, depois das borboletas
depois das margaridas, depois do jantar
vinte brigas em um mês, não sei se é bem isso
mas eu já perdi a conta
eu sou presa pelas rédeas
como assim "internalizar"?
seja minha mãe, seja o dinheiro
ou algum motivo melhor que o medo
o pudor não serve pra nada
só não sou alheia à vergonha alheia
depois do barco, na marina da glória
depois de tantos táxis pra chegar no flamengo
depois de lutar por todos eles na lapa
ou pelo meu gozo, nas camas, por aí
o truque é ser inesperado
melhor se for virado
melhor se for de manhã
depois de ser pego fazendo besteira
qualquer perdão já é tentador
se quer piedade, a manha é fazer manha
pra falar a verdade, a minha é fazer amor
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