domingo, 29 de setembro de 2013

antes nenhuma noite do que só uma

ou só duas, só três, só quatro - ou só mil
enquanto não for tudo, pra mim não é o bastante
enquanto não for sempre, vai parecer que nunca foi

reviver a lembrança do último e esperar o próximo:
a paciência e a impaciência caminhando lado a lado

declarando independência e marcando território
nas minhas entranhas
saindo quando quer

e eu sem voz
nem pra prisão

sem previsão
de quando isso vai acabar

cessar essa sede
de menos do outro
e mais de mim
que mora no outro
no mundo
e no que mais tiver por vir

agora eu tô por aí

(mas pelo menos voltei a escrever)

terça-feira, 3 de setembro de 2013

i need a therapist

a arquitetura de uma crise: 

de um lado temos a minha eterna insatisfação com a falta de espaço nessa casa e meu antigo descontentamento com as opiniões e a constante intromissão da minha mãe. ponto. (do outro temos a bolha imobiliária do rio de janeiro que parece não explodir nem pra tão cedo). 

em seguida vem a mediocridade do discurso assumido CONSCIENTEMENTE pelo lugar onde eu trabalho, cujos sócios por sinal estavam discutindo hoje a possibilidade de dirigir 8 episódios do superbonita (apenas o programa mais machista ever com LUANA PIOVANI doutrinando mulheres ensinando-as o que podem fazer para tentar chegar aos seus pés) por vinte mil reais dos quais eu CERTAMENTE não verei um único centavo. 

aí surge o emprego que eu sempre sonhei: uma tapa na cara da sociedade, uma tapa no discurso che guevara de butique do victor e na vida acomodada e burocrática de bruno carvalho - SÓ QUE POR ALGUMAS CENTENAS DE REAIS A MENOS POR MÊS, claro. 

então, quando o meu chefe que parece ser a pessoa mais insuportavel do mundo e a minha mãe que NÃO NASCEU PRA CUMPRIR PROMESSAS se unem no mesmo tempo, espaço e universo, mandar tudo tomar no cu parece uma ótima solução - apesar de gerar efeitos opostos pq obviamente se eu dou tchauzinho pra dona claudia eu vou precisar beijar o cu do tio nico. 

mas ok, a gente se prepara pra fazer frila até o sol nascer, lide com isto, enfim, cereja do bolo: no fim do dia eu que apareço com necessidades especiais tipo sopa de feijão... 

TEM ESSE EMAIL NA CAIXA DE ENTRADA. 

EU ACHO QUE ESSA É A MAIOR CARTA DE AMOR QUE ESSE HOMEM JÁ ESCREVEU, fim.

agora vc entende a minha crise? 

espero que sim.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

que(m) faz

hoje no jantar ninguém sabia o que fazer com o quiche
onde servir
como cortar
(sequer a massa estava igual)

você foi ontem e hoje o quiche já fez falta
e amanhã
e depois
e depois
e depois

é chegada a minha vez de dizer VAI COM DEUS
com a mesma vontade que eu ouvia todo dia

ah, dona célia
a sua falta já chegou aqui

...agradecer é pouco pro que eu devia

segunda-feira, 29 de abril de 2013

reclamatório


meus parabéns pra você que ainda não percebeu que tá tudo errado.
sua vida deve ser bem melhor que a minha.........

quarta-feira, 30 de maio de 2012

beijos

já não mando
quem mandou
se apaixonar?

é o fim da linha
fim da história
não tem glória
só miséria
pra chorar

e o ombro amigo
ficou amargo
contar contigo
ou com o descaso
já dá no mesmo
eu nem te vejo
faz mais de mês

dar mão na rua
jamais
mas se eu estiver nua
quer mais

e agora espera
de porta aberta
mas eu tô certa
se eu ficar

quarta-feira, 9 de maio de 2012

com tanto

relaxa, mano
eu também te amo
tanta autoconfiança
até dá pra rimar

relaxa, baby
olha que beleza
beleza não põe mesa
é só bom de olhar

contanto que não cesse
contanto que não pare
toda essa sintonia
dá pra reparar

amor que não se mede
é coisa de otário
quem pensa desse jeito
ainda vai penar

tem que ficar esperto
de longe ou de perto
fechado ou aberto
o que quiser chamar

contanto que me chame
contanto que me ame
desse jeito que eu chamo
de bom de amar

pode me chamar de amiga
te juro, não tem briga
mas se eu sair por cima
é melhor pra nós dois

a gente vai pra casa
você até se atrasa
tudo acaba na cama
o resto é só depois

quinta-feira, 26 de abril de 2012

porque não deixa de ser sobre mim


Rio de Janeiro, 24 de abril de 2012

À Coordenação Central de Cooperação Internacional.

Olá. Meu nome é Thaísa Pessoa da Rocha Pinto e tenho 20 anos. Sou natural do Rio de Janeiro e sempre morei no Grajaú, um pequeno bairro residencial na Zona Norte da cidade. Nasci em uma família grande e unida – minha avó teve quatro filhos – e meus laços sempre foram mais fortes no lado materno.

Meus pais são separados desde que me recordo e, como minha mãe trabalhava durante o dia, passei uma grande parcela da minha infância com meus avós. Eles foram responsáveis por boa parte da minha criação e meu desenvolvimento como indivíduo. Por muito tempo tive minha avó como minha melhor amiga e companheira – até seu falecimento, durante os meus onze anos.

Atualmente, moro com minha mãe, meu padrasto e uma de suas filhas. Temos todos uma ótima relação que já dura oito anos e não hesito em afirmar que de fato constituímos uma família. Nosso convívio não é marcado por muitos conflitos: todos somos muito compreensivos e tolerantes para com uns aos outros dentro e fora de casa.

Minha educação básica se deu em um colégio católico – o Colégio da Companhia de Maria – no próprio Grajaú. Foi lá onde fiz minha Primeira Eucaristia e fiz meus primeiros amigos. Sempre fui uma aluna muito bem sucedida e reconhecida pelos professores, e desde cedo já mostrei interesse pela escrita. O trabalho criativo, não me importava qual fosse, me estimulava e trabalhar com ideias desde cedo me pareceu uma oportunidade incrível.

A princípio, então, decidi me voltar para a área do design. A melhor perspectiva que encontrei de me aproximar da carreira na época – aos treze anos de idade – foi procurar um curso técnico de uma área afim, uma vez que não há curso técnico de design criativo. Para isso, precisei sair do colégio católico em que estudava e procurei um colégio com curso preparatório para as escolas técnicas do Rio. Assim, cursei a oitava série do fundamental no Colégio-Curso Martins visando aplicar para a CEFET no curso de Edificações – a maneira mais viável, até então, de trabalhar com desenho e criação.

Fui aprovada no curso técnico e no ensino médio, mas ainda assim abri mão de cursá-los ali. Na época, a instituição passava por greves de professores, e eu e minha família concluímos que seria melhor garantir um bom ensino antes de tudo. Assim, dei início às aulas do ensino médio na ECO – Escola de Educação Comunitária – uma excelente escola no bairro onde moro – e mantive minha matrícula no período da tarde do curso técnico.

Cheguei a frequentar as aulas do primeiro período, mas foi no primeiro ano do ensino médio que ratifiquei minha antiga identificação com a escrita e acabei por me decepcionar com as aulas da grade de Edificações. Por outro lado, procurei descobrir novas maneiras de me expressar e acabei por redirecionar meu interesse da comunicação visual para a comunicação social.

Como o colégio em que cursei o segundo grau era rígido, havia um estímulo para que os alunos se adiantassem e prestassem o vestibular antes do último ano do ensino médio. Gostei de ideia de aplicar como “treineira” e, como já havia me decepcionado com uma escolha acadêmica, fui bastante cautelosa e pesquisei sobre todas as possibilidades de curso.

A produção de textos voltada para o filme era indiscutivelmente o que mais se encaixava no meu perfil até então. Dentro desse universo, me deparei com a faculdade de Cinema e Audiovisual. A graduação, que existe na UFF, me pareceu a melhor das oportunidades dentre os cursos oferecidos por universidades públicas no Rio. Então, no segundo ano do ensino médio, para a minha surpresa, fui aprovada no vestibular.

A euforia foi grande, mas me deparei com a frustração logo em seguida: apesar de ter entrado com um pedido na justiça, não pude me matricular na universidade em 2008. Deveria, primeiro, concluir o ensino médio e, só então, poderia concorrer à vaga novamente.

Ao longo de 2008 fui confirmando minha escolha acadêmica e já era de meu conhecimento a disponibilidade dela dentro da PUC. Sabia, também, que o curso de Comunicação Social diferenciava-se por me oferecer a oportunidade de entrar em contato não só com o cinema, mas também a publicidade, o jornalismo e outras áreas afim em geral. Vendo meu interesse pelo estudo na Universidade, minha mãe permitiu que eu prestasse o vestibular 2009 com a condição de se fazer o possível para obter uma bolsa de estudos.

Uma vez aprovada, me dediquei ao máximo a tudo que tangencia a PUC. Meu rendimento se manteve alto durante todo o tempo de curso, criei ótimos laços com professores e, logo no terceiro período, entrei para o meu primeiro estágio.

Trabalhar como assistente de produção na TV PUC foi uma ótima experiência para mim. Lá, aprendi o que é ter uma postura profissional e a importância da boa comunicação no dia a dia. Seis meses depois, fui aprovada na seleção para me tornar editora de áudio e vídeo na própria TV.

E foi na ilha de edição que me descobri. Percebi que toda a paixão que eu mantinha pelo texto e pelo desenho poderia ser sintetizada no áudio e no vídeo. Trabalhar com imagens em movimento, som, música, montagem e todo o tipo de mídia me abriu caminhos que eu jamais teria percorrido sem essa oportunidade. Aprendi a trabalhar com o Final Cut, programa de edição para a plataforma Mac, e a produzir e montar conteúdo tanto jornalístico, quanto documental e de ficção. Sou muito grata a tudo que aprendi e descobri no núcleo de TV do Projeto Comunicar.

Depois de três períodos de estágio, recebi, esse ano, a oportunidade de estagiar numa produtora de TV. A Samba Filmes, que até então só havia produzido longas, videoclipes e dvds musicais, passou a produzir dois programas a serem exibidos nos canais Globosat e estava à procura de um estagiário para trabalhar com pós-produção. Minha antiga chefe, Marcia Antabi, fez a conexão entre eu e a Samba Filmes. Desde fevereiro estagio lá e tenho o que mais me satisfaz: a oportunidade de aprender a todo momento. É um novo ritmo, novas mídias, novos profissionais. O contato com o mercado de trabalho tem sido uma experiência muito enriquecedora para mim.

Tendo isso em vista, concluo que o final desse sexto período seja o melhor momento para um intercâmbio acadêmico. Sinto que desenvolvi a maturidade e a experiência suficientes para me aprofundar na área de interesse que descobri dentro do meu curso, além de ter a segurança necessária para fazê-lo longe de casa.

As universidades pelas quais optei me parecem ótimas escolhas não só pelos seus cursos de excelência, mas também por oferecerem matérias que se relacionam nitidamente com o que viso exercer. A área prática, pouco viabilizada na PUC-Rio, é extremamente rica em recursos nas universidades de Barcelona e Salamanca, por exemplo – e é essa carência que eu procuro suprir em meu currículo estudando no exterior.

Considero também uma ótima oportunidade para me aprofundar em possíveis ideias e objetivos com relação à monografia ou projeto de conclusão de curso. Novos ares e ideias eventualmente orientarão minhas escolhas nessa reta final do estudo. Certamente o intercâmbio seria uma experiência benéfica para mim, tanto pessoalmente quanto profissionalmente. Além de tudo, me orgulharia muito em levar o nome da PUC-Rio para o exterior e mostrar que o Brasil também é feito de bons alunos.

Atenciosamente,

Thaísa Pessoa