quarta-feira, 30 de maio de 2012

beijos

já não mando
quem mandou
se apaixonar?

é o fim da linha
fim da história
não tem glória
só miséria
pra chorar

e o ombro amigo
ficou amargo
contar contigo
ou com o descaso
já dá no mesmo
eu nem te vejo
faz mais de mês

dar mão na rua
jamais
mas se eu estiver nua
quer mais

e agora espera
de porta aberta
mas eu tô certa
se eu ficar

quarta-feira, 9 de maio de 2012

com tanto

relaxa, mano
eu também te amo
tanta autoconfiança
até dá pra rimar

relaxa, baby
olha que beleza
beleza não põe mesa
é só bom de olhar

contanto que não cesse
contanto que não pare
toda essa sintonia
dá pra reparar

amor que não se mede
é coisa de otário
quem pensa desse jeito
ainda vai penar

tem que ficar esperto
de longe ou de perto
fechado ou aberto
o que quiser chamar

contanto que me chame
contanto que me ame
desse jeito que eu chamo
de bom de amar

pode me chamar de amiga
te juro, não tem briga
mas se eu sair por cima
é melhor pra nós dois

a gente vai pra casa
você até se atrasa
tudo acaba na cama
o resto é só depois

quinta-feira, 26 de abril de 2012

porque não deixa de ser sobre mim


Rio de Janeiro, 24 de abril de 2012

À Coordenação Central de Cooperação Internacional.

Olá. Meu nome é Thaísa Pessoa da Rocha Pinto e tenho 20 anos. Sou natural do Rio de Janeiro e sempre morei no Grajaú, um pequeno bairro residencial na Zona Norte da cidade. Nasci em uma família grande e unida – minha avó teve quatro filhos – e meus laços sempre foram mais fortes no lado materno.

Meus pais são separados desde que me recordo e, como minha mãe trabalhava durante o dia, passei uma grande parcela da minha infância com meus avós. Eles foram responsáveis por boa parte da minha criação e meu desenvolvimento como indivíduo. Por muito tempo tive minha avó como minha melhor amiga e companheira – até seu falecimento, durante os meus onze anos.

Atualmente, moro com minha mãe, meu padrasto e uma de suas filhas. Temos todos uma ótima relação que já dura oito anos e não hesito em afirmar que de fato constituímos uma família. Nosso convívio não é marcado por muitos conflitos: todos somos muito compreensivos e tolerantes para com uns aos outros dentro e fora de casa.

Minha educação básica se deu em um colégio católico – o Colégio da Companhia de Maria – no próprio Grajaú. Foi lá onde fiz minha Primeira Eucaristia e fiz meus primeiros amigos. Sempre fui uma aluna muito bem sucedida e reconhecida pelos professores, e desde cedo já mostrei interesse pela escrita. O trabalho criativo, não me importava qual fosse, me estimulava e trabalhar com ideias desde cedo me pareceu uma oportunidade incrível.

A princípio, então, decidi me voltar para a área do design. A melhor perspectiva que encontrei de me aproximar da carreira na época – aos treze anos de idade – foi procurar um curso técnico de uma área afim, uma vez que não há curso técnico de design criativo. Para isso, precisei sair do colégio católico em que estudava e procurei um colégio com curso preparatório para as escolas técnicas do Rio. Assim, cursei a oitava série do fundamental no Colégio-Curso Martins visando aplicar para a CEFET no curso de Edificações – a maneira mais viável, até então, de trabalhar com desenho e criação.

Fui aprovada no curso técnico e no ensino médio, mas ainda assim abri mão de cursá-los ali. Na época, a instituição passava por greves de professores, e eu e minha família concluímos que seria melhor garantir um bom ensino antes de tudo. Assim, dei início às aulas do ensino médio na ECO – Escola de Educação Comunitária – uma excelente escola no bairro onde moro – e mantive minha matrícula no período da tarde do curso técnico.

Cheguei a frequentar as aulas do primeiro período, mas foi no primeiro ano do ensino médio que ratifiquei minha antiga identificação com a escrita e acabei por me decepcionar com as aulas da grade de Edificações. Por outro lado, procurei descobrir novas maneiras de me expressar e acabei por redirecionar meu interesse da comunicação visual para a comunicação social.

Como o colégio em que cursei o segundo grau era rígido, havia um estímulo para que os alunos se adiantassem e prestassem o vestibular antes do último ano do ensino médio. Gostei de ideia de aplicar como “treineira” e, como já havia me decepcionado com uma escolha acadêmica, fui bastante cautelosa e pesquisei sobre todas as possibilidades de curso.

A produção de textos voltada para o filme era indiscutivelmente o que mais se encaixava no meu perfil até então. Dentro desse universo, me deparei com a faculdade de Cinema e Audiovisual. A graduação, que existe na UFF, me pareceu a melhor das oportunidades dentre os cursos oferecidos por universidades públicas no Rio. Então, no segundo ano do ensino médio, para a minha surpresa, fui aprovada no vestibular.

A euforia foi grande, mas me deparei com a frustração logo em seguida: apesar de ter entrado com um pedido na justiça, não pude me matricular na universidade em 2008. Deveria, primeiro, concluir o ensino médio e, só então, poderia concorrer à vaga novamente.

Ao longo de 2008 fui confirmando minha escolha acadêmica e já era de meu conhecimento a disponibilidade dela dentro da PUC. Sabia, também, que o curso de Comunicação Social diferenciava-se por me oferecer a oportunidade de entrar em contato não só com o cinema, mas também a publicidade, o jornalismo e outras áreas afim em geral. Vendo meu interesse pelo estudo na Universidade, minha mãe permitiu que eu prestasse o vestibular 2009 com a condição de se fazer o possível para obter uma bolsa de estudos.

Uma vez aprovada, me dediquei ao máximo a tudo que tangencia a PUC. Meu rendimento se manteve alto durante todo o tempo de curso, criei ótimos laços com professores e, logo no terceiro período, entrei para o meu primeiro estágio.

Trabalhar como assistente de produção na TV PUC foi uma ótima experiência para mim. Lá, aprendi o que é ter uma postura profissional e a importância da boa comunicação no dia a dia. Seis meses depois, fui aprovada na seleção para me tornar editora de áudio e vídeo na própria TV.

E foi na ilha de edição que me descobri. Percebi que toda a paixão que eu mantinha pelo texto e pelo desenho poderia ser sintetizada no áudio e no vídeo. Trabalhar com imagens em movimento, som, música, montagem e todo o tipo de mídia me abriu caminhos que eu jamais teria percorrido sem essa oportunidade. Aprendi a trabalhar com o Final Cut, programa de edição para a plataforma Mac, e a produzir e montar conteúdo tanto jornalístico, quanto documental e de ficção. Sou muito grata a tudo que aprendi e descobri no núcleo de TV do Projeto Comunicar.

Depois de três períodos de estágio, recebi, esse ano, a oportunidade de estagiar numa produtora de TV. A Samba Filmes, que até então só havia produzido longas, videoclipes e dvds musicais, passou a produzir dois programas a serem exibidos nos canais Globosat e estava à procura de um estagiário para trabalhar com pós-produção. Minha antiga chefe, Marcia Antabi, fez a conexão entre eu e a Samba Filmes. Desde fevereiro estagio lá e tenho o que mais me satisfaz: a oportunidade de aprender a todo momento. É um novo ritmo, novas mídias, novos profissionais. O contato com o mercado de trabalho tem sido uma experiência muito enriquecedora para mim.

Tendo isso em vista, concluo que o final desse sexto período seja o melhor momento para um intercâmbio acadêmico. Sinto que desenvolvi a maturidade e a experiência suficientes para me aprofundar na área de interesse que descobri dentro do meu curso, além de ter a segurança necessária para fazê-lo longe de casa.

As universidades pelas quais optei me parecem ótimas escolhas não só pelos seus cursos de excelência, mas também por oferecerem matérias que se relacionam nitidamente com o que viso exercer. A área prática, pouco viabilizada na PUC-Rio, é extremamente rica em recursos nas universidades de Barcelona e Salamanca, por exemplo – e é essa carência que eu procuro suprir em meu currículo estudando no exterior.

Considero também uma ótima oportunidade para me aprofundar em possíveis ideias e objetivos com relação à monografia ou projeto de conclusão de curso. Novos ares e ideias eventualmente orientarão minhas escolhas nessa reta final do estudo. Certamente o intercâmbio seria uma experiência benéfica para mim, tanto pessoalmente quanto profissionalmente. Além de tudo, me orgulharia muito em levar o nome da PUC-Rio para o exterior e mostrar que o Brasil também é feito de bons alunos.

Atenciosamente,

Thaísa Pessoa

segunda-feira, 23 de abril de 2012

seringa

leia-me se for capaz

domingo, 22 de abril de 2012

0104 (ou "aquela do sushi")

eu quero um amor pra comer sushi.

que japonês enche barriga rapidinho
comer de palitinho
é quase tão bom como amar no frio.

cafuné de mão cheia
sangue correndo na veia
do outro e entrando direto na minha.

dormir de conchinha
disputar coberta
ficar esperta
pra não levar cosquinha.

beijo com suspiro
o arrepio
que levanta até pelinho
que eu não sei localizar.

olhar no olho
e saber que não se mente
até em primeiro de abril
no amor dá pra confiar.

Vergonha na Cara

Olha, eu não sei. Eu não sei o que acontece, o que me prende, o que me algema. Se eu me identifico ou se me horrorizo, se me espanto ou se simpatizo. Não sei se é pena ou se é admiração. Não sei por onde começar o término disso. Nem sei se você merece ser enterrado, há quem diga que você não é digno sequer de um ritual fúnebre.

Só sei que em você o que me encanta também me assusta - e eu não tenho mais pra onde correr. Já faz mais de mês que venho correndo de mim, correndo da vida, só pra correr atrás de ti. Minhas pernas não me respeitam, meus passos são desordenados em consequência da sua inconsequência.

Você diz que não tem medo mas o medo é o que te move. A vergonha dói que nem uma agulha gelada entrando na sua espinha dorsal - mas é o que te mantém ereto. Dói porque você não sabe direito quando é que vai passar, e se não passar você corta com pó. A culpa branca vem no dia seguinte, mas e daí? Antes isso do que não ter amor algum.

A mão gelada não é tão boa quanto aquela que dá o tapa fervendo na cara pra acordar, mas o entretenimento caro é mais barato que o seu suor. A sua insegurança vale ouro e eu já gastei todas as minhas fichas. A mim, resta esperar mais um pouco de crédito, ficar no prejuízo até que você decida que já deu a hora de me amar mais um pouco.

Ou simular o amor - tanto faz. A diferença é só no nome, e o nome é só linguagem. Quem precisa disso? Quem precisa da verdade quando o que se sente é o sangue correndo na veia até as oito da manhã esperando o transgressor acontecer?

Mas uma hora, meu amor, você já vai ter visto de tudo - ou pelo menos vai se sentir assim. E aí a maior transgressão que vai te sobrar é aquele tapa na cara quentinho que você tanto rechaçou. Eu não posso garantir pra você que vou estar aqui nesse momento. Também não posso garantir pra mim que já terei partido há muito - apesar de saber que é bem isso que eu e você merecíamos.

Não depende de mim. Depende de quanto tempo você vai levar pra perceber. Depende de quantas decepções você vai precisar causar com um sorriso na cara. Só que ele passa. No dia seguinte, mas passa. Dá ressaca, mas ela também passa, então você gosta mesmo assim. E olha que ressaca de crueldade é a pior ressaca que tem.

E quanto a mim? Eu já disse que não sei. Por muito tempo me perguntei o quão agredida por ti eu seria até que você de uma vez por todas se cansasse. Só que finalmente eu percebi: você vai bater o quanto eu aguentar. E quando eu não aguentar mais, você ainda vai bater só mais um pouquinho pra garantir a ressaca do dia seguinte.

Eu sei, eu devia revidar. Mas eu tenho medo de aprender a bater que nem você e me tornar isso. Esse bicho. Essa coisa. Que vê bicho e coisa nos outros, em tudo. Por medo do medo do medo do medo do medo do amor. Ou do medo mesmo. Você se faz de forte, mas eu sei que é fraco. São só as suas palavras que te seguram em pé - e, nelas, nem você acredita.

Você não merece? Ou você não quer o meu respeito? É só isso que me falta descobrir. E é evidente que você não vai deixar isso acontecer.

Poesia Conjunta

I

Luta de Classes

Então amor
vamos supor
que você seja realmente superior.
Eu teria que contrapor,
e talvez me expor
para que na noite anterior
não tivesse derramado tanto licor
com esse excesso de rancor
a quem se dispor
a lidar com seu supor.
Então amor
vamos contrapor
que você seja realmente superior
e talvez na noite anterior
para me expor
com excesso de licor
não tivesse derramado tanto rancor
a lidar com seu dispor
a quem se amor.

a.n.


II

Vaivém

Então, querido
Vamos fingir que você não fez o que fez comigo
Que o meu gemido sempre foi fingido
E que tudo aquilo que me disseste ao pé do ouvido
Nunca fez o menor sentido
Então, meu bem
você voltaria na noite que vem?
Faria de mim outra vez tua refém?
Juraria as mentiras que não enganam ninguém?
Ou forjaria vitória com esse teu vaivém?

(24.02.12)

sexta-feira, 13 de abril de 2012

No mundo dos meus sonhos

eu te chamava pra subir e você dizia que sim
(simples assim)
eu até dizia que era pra conversar
mas nem você nem ninguém iria acreditar

aquele bêbado do elevador ia ser mais ainda engraçado
ia virar uma piada interna
algo com sorte e estar alcoolizado

no mundo dos meus sonhos você não criticava as minhas poesias
(nem sempre com o que a gente sonha é sonho)
você lia e apenas sorria
agradecia com o beijo
que hoje você esqueceu de me dar

e depois que a gente subisse aqui pra casa
na ponta dos pés, pra ninguém acordar
eu ia trocar de roupa e vestir uma cortada
camiseta tosca que eu uso pra deitar

e no lugar da crítica só teriam elogios
desses intelecto-poéticos que só você sabe criar
um eufemismo pra palavras mais vulgares
ou uma hipérbole pra não saber o que falar?

e depois do short de oncinha
de algodão escroto
(não nasci pra ser sexy)
próxima parada é a cozinha
mas tira o sapato
não se desespere

no mundo dos meus sonhos você se sente em casa
puxa a cama de baixo, me dá uns amassos
tá seguro do que quer
ele em cima, eu embaixo

quando chegasse na cozinha
ia até ter japonês
depois disso, sessão cineminha
ar condicionado, contar até três
trepar na cama, você dizer que me ama
dar tapa na cara e pedir outra vez

então já sabe:
se quiser me dar presente
é parar de ficar doente
chegar aqui em casa

dar um beijo,
pegar na cintura
me deixar mais segura
sair da teoria
e brincar de prática

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

VAI EMBORA

mas leva as suas tralhas
e as suas malhas
e as suas malas
ocupam espaço
me arrancou um pedaço
do futuro que eu subi
telha por telha
com as minhas próprias mãos
pra quem esperava sete anos
um mês é amostra grátis
sem estômago forrado
nem dente palitado
se isso não é azar
eu não sei o que é

vai embora
que já deu tua hora
melhor ir agora
que até a rima tá na cara
mais fácil de entender
praquela inteligência rara

mas tudo bem
a escolha é sua
só vai embora
xô
RUA!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

um belo bundão

ando contando
os dias contados
pra pensar fora do graja
pra botar dentro da caixa
tudo aquilo que não vale guardar

me fazer um bota-fora
ter coragem de ir embora
juntar os cacos
as conchas
as pedras
os grãos
e pedaços

estilhaços
afiados e cortantes
a cicatriz profunda e grande
não parece parar de sangrar

é tudo culpa dessa geração
que nunca tá satisfeita
que não quer dar satisfação

é só brincar de gato e rato
fingir de surdo-mudo
prefere dar a bunda
a dar o braço a torcer

dar condição
pra quê?

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

salve-me se puder

depois de tanta ferida aberta
tanta cicatriz com nome e sobrenome
fica difícil pisar com os dois pés
seria mais fácil se fosse delivery
de preferência em menos de meia hora
ah, quem me dera te ter aqui agora
querer é de graça e não custa sonhar
eu sei, o mar não tá pra peixe
e que poesia você já leu mais de mil
mas essa daqui não é só mais uma
nem sei se é de amor que eu tô aqui pra falar
como eu queria ser poderosa
que nem as palavras de leminski
pra ter certeza que não ia acabar em dezembro
talvez até eu ganhasse uma rosa
dessas mesmo de balde que vendem em bar
meu cabelo é dourado e eu encaro a corda bamba
mas as coincidências param por aí
implorar por amor não faz (mais) o meu tipo
pra viver com essa dor eu prefiro partir
não é que eu esteja me queixando
veja bem meu bem, eu sei que não foi por mal
é que sofrer calada já tá mais que doendo
e o meu coração não é seu quintal

domingo, 22 de janeiro de 2012

resposta a leminski

nada dito
tudo feito:
dor no peito.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

o contador de histórias

eu não me canso do amor giratório
que só me serve de afago ao ego
é melhor que não tenha escapatória
do que sofrer a perda dessa mistério

as teclas pretas do piano
são espelhadas, e refletem só luz
se tem validade e estragou nesse ano
não tá estragado, ainda dá pra mais um

o mundo é maravilhoso mas não é de mentira
tem mais verdade que muita história por aí
e se tragar não for a minha glória
eu não posso dizer que não te ouvi

mas de peixes essa menina não tem nada
tem tanto ar que até voa, tá na cara que é aquário
eu sei disso que tá marcado na minha pele
não parece, mas eu já fiz papel de otário

e leão que não gosta de algodão doce
com gente assim feliz nunca vai ser
moça assim já derrete na boca
isso aí dá e passa, espera pra ver

pra falar em fiel sem ninguém falar nada
o crime é a vaidade, isso não tem perdão
te usar de caminho, te fazer de estrada
marcar outras vidas e saber que é em vão

e não tem desculpa de sorriso bonito
uma linha no rosto eu já vi mais de mil
pra deixar de ser tom e aprender a ser summer
é só ter a coragem de tomar um doril

se quebrado estiver não vai dizer que a culpa é minha
carinho e afago não fazem mal a ninguém
bem que eu te disse que não é isso que eu faria
mas deixei claro, a escolha é sua, tudo bem

de peça em peça todo mundo morre um pouco
mundo imaginário cada um tem o seu
o problema é quando entram os sentimentos
é quando vira julieta e romeu

e a roda roda, a nóia nóia, vai girando
uma engrenagem bonita dessas dá pra ver
que antes isso que morrer sem história
só ir embora depois de amanhecer

domingo, 8 de janeiro de 2012

improvisações

os improvisos e as ações de alguém que me enche os olhos de lágrimas e os pulmões de ar

se eu pudesse te dar um presente
mais útil que um jornal de poesia
mais do que barras de ouro valeria
mais até do que ganhar na loteria

bom mesmo seria se eu te desse
uma dose de humildade
que a falta dela é a única coisa que derruba a gente
sem aos menos precisar de um demente
esperando a hora certa de empurrar
(e isso era bom você aprender)

um cara engraçadinho, inteligente, bem articulado
bem humorado, te ganha no papo
à medida certa do misterioso
fala grosso, ignora a baliza
da sociedade, mente a idade (quando precisa)

mas a mentalidade
eu não sei bem precisar

preciso é o ponto
(da orelha!)
que ele fala baixinho
demonstra carinho
mas não vai além de demonstrar

e tola sou eu que procuro
parece até que preciso
vou atrás no escuro
tropeço no vício
(no meu ou no seu?)

culpa do solstício
desses dias mais longos
que só alongam a espera
me atrasam o encontro
logo agora que eu resolvi ser pontual

pontual e inspirada
quem diria, nem parece aquela thaísa
que se escondia atrás das pessoas
resolveu ser Pessoa
com P de gente grande
que não tem medo de se encontrar

vasculhei mais e vomitei umas poesias
um vídeo com momentos de alegria
de algumas noites que meu corpo se encarregou de esquecer

ainda vou aproveitar pra me apoderar desse teu jeito
incisivo
instigante
insistente
confiante
sem medo de ser

pelo menos pra isso você tinha que servir
não é pouco caso, eu só não quero jogar muito confete
depois de te ver jogar tudo pro alto
você não merece muito elogio

passei dessa fase, ficar de tiete
pior ainda se for de marmanjo
você sequer tem cara de anjo
quem me dera ter essa desculpa pra dar

descuido meu, andar de guarda abaixada
perigosamente, eu te disse que vivia
pra quê andar de guarda-chuva
se não tem chuva nenhuma pra guardar?

cegueira seletiva, ver um monte de sinal e dar de ombros
botar na conta do acaso, foi por engano
engano meu achar que esse era nosso ano
melhor procurar outro alguém pra amar

fazer minhas malas, preparar minha bagagem
apertem os cintos, vai começar a contagem
nomadismo emocional, preparar pra decolar

(você bem que queria saber o que se passava na minha cabeça naquele momento
- e em todos os outros -
mas esse gostinho, meu amor, eu não vou te dar)

Vale de lágrimas

- Quantas lágrimas valem um desamor?
- Depende do desamor. Que desamor?
- O nosso amor. Quantas lágrimas eu valeria se terminasse com você?
- Todo amor tem o mesmo valor, o mesmo número de lágrimas a serem choradas. O que varia é quem vai chorar mais e quem vai chorar menos. Ninguém nunca chora igual.
- Nesse caso, eu acho que ia chorar mais do que você.
- É. Você ia chorar bastante...
- Você não ia chorar nem um pouquinho por mim?
- Sei lá, eu acho que prefiro guardar pra depois.
- Por que pra depois, se a gente ia estar terminando?
- Porque eu sei que iria voltar. A gente sempre volta.
- Porque eu ainda não chorei. Mas, um dia, eu vou ter chorado tudo que eu tenho pra chorar - e aí nosso desamor não vai ter mais lágrima nenhuma pra valer.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

por enquanto

desenhar um milhão de margaridas
até achar a certa
é um desafio
uma prova de resistência ao passado
é uma prova da minha palavra

quando eu disse que estava indo
eu já sabia que não ia voltar

e agora tem os vagalumes
que se baseiam na luz dos baseados
e entre uma piscada e outra, iluminados
eu vejo corpos que já foram meus

porque aqui é tudo meu
essa história é minha
esse passado é meu
esse presente eu me dei
quando escolhi ser assim

essa sou eu, eu disse
você mergulhou porque quis

eu sei que te fiz um convite
mas você me disse que queria dançar
entre tantos amores, entre tantos passistas
por que você não me deixa passar?

eu posso passar com cuidado
só não passo despercebida
discrição nunca foi meu talento
e os discretos você sequer respeita, meu bem

tanta gente pra escolher, eu escolhi um vício
um viciado que mente pra curar
as feridas não são minhas, eu não sinto doer
dolorido é aquilo que te troca por dor

eu podia sarar, te rejuvenescer
uns vinte ou trinta anos em cada joelho
valem a história pra contar?
se um dia souber a resposta
eu não vou me surpreender

você é desses que esperam o momento certo
só pra fazer a coisa errada
e depois dizem que foi tudo de caso pensado
bobas somos nós, que não te vimos pensar

e no final das contas
você nem é tão imprevisível assim
eu que fantasio, eu que me inspiro
nas minhas próprias histórias pra te construir

mas o mérito é seu, você merece os créditos
não é tão fácil assim me fazer parar o olhar
depois dos escafandros, depois das borboletas
depois das margaridas, depois do jantar

vinte brigas em um mês, não sei se é bem isso
mas eu já perdi a conta
eu sou presa pelas rédeas
como assim "internalizar"?

seja minha mãe, seja o dinheiro
ou algum motivo melhor que o medo
o pudor não serve pra nada
só não sou alheia à vergonha alheia

depois do barco, na marina da glória
depois de tantos táxis pra chegar no flamengo
depois de lutar por todos eles na lapa
ou pelo meu gozo, nas camas, por aí

o truque é ser inesperado
melhor se for virado
melhor se for de manhã

depois de ser pego fazendo besteira
qualquer perdão já é tentador

se quer piedade, a manha é fazer manha
pra falar a verdade, a minha é fazer amor

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

aviso ao navegante

sério...
você realmente acha que merece toda essa atenção que eu te dou?
você brinca comigo de quente e frio como se nada disso te abalasse...
e eu acho que não abala mesmo.

você vive de instintos, de desejos animais e puramente carnais.
respeitar a moral te incomoda, mas é necessário. viver dentro dos limites da sociedade é a dor de uma pedra no sapato com a qual você já se acostumou, mas tira as botas de vez em quando porque isso te sufoca demais.

aí fica mais confortável. tranquilão.
pega e some.
vai embora.
não dá tchau.
- tchau pra quê? tchau é só mais uma convenção social que serve pra transmitir a sensação de segurança e a ilusão de que aquela pessoa vai embora mas não quer que você ache que ela está sumindo. você sequer se dá o trabalho de dizer que jajá vai voltar.

porque é isso que você quer mesmo. você acha bonita toda essa coisa de desaparecer e surgir depois. você deve achar UM CHARME.

mas olha, quer um segredo?
NÃO É UM CHARME.

É UMA MERDA.

ninguém procura alguém com quem não se pode contar. ninguém quer ter que dormir de olho aberto pra conferir se o dito cujo tá ali do lado.

todo mundo quer paz, e você é a tormenta.
só que disfarçada de paz.

você vai atrás de uma coisa que você nem sabe direito o que é (mas eu sei).
e é uma droga.
uma merda.
É UMA MERDA perder pra isso.

eu já desisti de tentar concorrer, mas correr atrás já é demais.
não vou me arriscar também em nome de ter uma coleira que te aproxime de mim toda vez que te faltar.
(ou vou?)

você se abdica (e eu nem te culpo por isso, deve ser inconsciente. fruto de alguma (outra) perturbação sua) de desenvolver todo e qualquer sentimento em nome de uma razão hipócrita que dá espaço a um ou outro lampejo de ternura ou piedade. mas amor, carinho, afeto, nada. tudo oco. UM GRANDE VAZIO.

e eu aqui. eu sou um corpo, é isso que eu sou pra você. mas não que isso signifique que você só queira me comer (você é espertinho demais pra pensar assim). você me vê como um ser vivo, pensante, falante, detentor de ideias e experiências aparentemente interessantes e proveitosas o suficiente para você querer dedicar UM POUQUINHO DO SEU TEMPO à minha companhia.

MAS SÓ UM POUQUINHO.
e quando te convém.

fora isso, é apego demais, é carência demais, não, não, não.
você não cogita, não tolera, não entende.

satisfaz seu anseio por qualquer vantagem que eu possa te oferecer (seja ela comida, informação, risadas ou sexo) e depois vai embora.
calado.
sem aviso prévio.
no susto.

você age como um viciado.
você É um viciado.
em maconha, em informação, em adrenalina.
e no que mais puder (e couber no seu orçamento).

só não é viciado em mim.

não sei mais até que ponto eu posso chegar pra te convencer de que viver comigo é muito melhor do que viver assim.

-

mas será que é mesmo?