ando contando
os dias contados
pra pensar fora do graja
pra botar dentro da caixa
tudo aquilo que não vale guardar
me fazer um bota-fora
ter coragem de ir embora
juntar os cacos
as conchas
as pedras
os grãos
e pedaços
estilhaços
afiados e cortantes
a cicatriz profunda e grande
não parece parar de sangrar
é tudo culpa dessa geração
que nunca tá satisfeita
que não quer dar satisfação
é só brincar de gato e rato
fingir de surdo-mudo
prefere dar a bunda
a dar o braço a torcer
dar condição
pra quê?