Ah, mas se eu pareço entediada de vez em quando porque fico quieta demais, você não vá achar que eu te amo de menos. Nunca duvide do meu amor, meu amor. É que eu só preciso de uns segundos pra refletir e perceber que tudo aquilo que está ao meu redor está acontecendo de verdade. Sabe, não é que eu não me ache merecedora de ti, mas nós somos tão perfeitos juntos que, não sei, será que somos obra-prima-ficção e não sabemos?
Personagens de cinema, será que somos? Hollywood não - somos intensos demais e óbvios de menos para eles. Mas, olha, um cinema europeu até que é bem a nossa cara. Imagina, meu amor, nós dois falando francês naquela telona enorme, que maravilha! Tá bom, francês não, que você não gosta, mas e inglês britânico, com aquele sotaque carregado? Não, já sei! Irlandeses, nós seríamos protagonistas de um longa-metragem irlandês. Nossa história se passaria em Dublin, quer coisa melhor?
Aquele céu mais azul que o meu olho sem lente, a gente na grama deitado conversando sobre absolutamente nada, exatamente como a gente faz no meu quarto. Só que sem a caminha apertadinha pra nos obrigar a ficar amontoados - no filme a gente fica empoleirado por vontade própria mesmo, por amar demais.
E aí no segundo seguinte eu já não sei mais se é bem assim que tem que ser, e a gente chora rios e rios de lágrimas (tudo aquilo que a gente faz questão de chorar de verdade) se perguntando porque não pode ser sempre assim. Aí na outra cena, meu gatinho, a gente descobre que pode, sim, ser sempre assim! Eu peço desculpas, e, afinal, você sabe: eu só forjei aquela dúvida pra gente ter aquele aperto no coração e chorar junto, abraçadinho, dizendo que não quer mais brigar.
Até porque depois sempre vem essa certeza boa, maior que tudo. Nós somos donos do tempo, meu bem! Quem manda no nosso destino é a gente. E é só a gente que é assim, não é mais ninguém. Se eu tivesse outro amor (não que exista outro amor, viu? no meu mundo, até na imaginação, só existe você!) não seria igual, eu não teria essa certeza. Eu provavelmente seria infeliz por culpa daquelas doenças que sempre me consumiam antes de você chegar. Sabe? Ansiedade, preguiça.
Mas contigo não tem inércia. Tudo se move, as luzes vão passando e quando a gente vê já atravessou a cidade. Tá tomando sorvete (pode ser de mão dada?) ou molhando o pé na beiradinha da praia - no nosso filme, Dublin tem praia porque praia é a nossa cara e o filme é nosso, a gente é quem manda. Aí na cena seguinte, corta pra gente tomando cerveja e falando besteira bem alto no bar pra todo mundo ver que a gente não tá nem aí, olha, a gente nem sabe que tem gente ao redor! Ih, eu disse cena?
Perdão, meu amor. É a vida real, que isso fique bem claro.
Porque sabe como é, não tem os créditos no final pra atrapalhar...
domingo, 13 de dezembro de 2009
domingo, 25 de outubro de 2009
quase.
E ela não sentia mais nada além de desprezo e ódio. Vontade de vê-lo morto também, talvez.
Mas só se pudesse matá-lo com as suas próprias mãos e depois desfazer-se daquele lindo corpo que um dia fora sua maior fonte de felicidade e prazer.
As coisas não haviam sido nada fáceis desde que ele deu sua cartada final. Toda vez que ela tentava reeguer-se, fraquejava e voltava a desejar tudo o que sabia que lhe era proibido, uma vez que a consumia de tanta dor e ignorância. Apesar de não ser obrigada a passar por nada daquilo, ainda insistia na idéia de reconstruir algo que nunca teve a menor vocação para manter-se em pé.
Provavelmente não admitiria nem pra si mesma tão cedo que perdeu a batalha. Preferia culpá-lo, relembrar todo o seu jogo sujo, e viver a remoer toda a trapaça que fez com que ela quase chegasse quase no fundo do poço.
Quase.
-
(25/09/08)
Mas só se pudesse matá-lo com as suas próprias mãos e depois desfazer-se daquele lindo corpo que um dia fora sua maior fonte de felicidade e prazer.
As coisas não haviam sido nada fáceis desde que ele deu sua cartada final. Toda vez que ela tentava reeguer-se, fraquejava e voltava a desejar tudo o que sabia que lhe era proibido, uma vez que a consumia de tanta dor e ignorância. Apesar de não ser obrigada a passar por nada daquilo, ainda insistia na idéia de reconstruir algo que nunca teve a menor vocação para manter-se em pé.
Provavelmente não admitiria nem pra si mesma tão cedo que perdeu a batalha. Preferia culpá-lo, relembrar todo o seu jogo sujo, e viver a remoer toda a trapaça que fez com que ela quase chegasse quase no fundo do poço.
Quase.
-
(25/09/08)
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
subliminar
eu não diria todo dia
mesmo com toda a vontade do mundo
de dizer a cada segundo
(a mesma vontade vadia e nada vazia
que me dá toda hora que eu olho pro lado)
não diria, por excesso de coragem e por falta de medo
ou talvez por covardia demais e bravura de menos
é que eu não sei se só sou eu
ou se ambos queremos
mas eu juro, juro pra você
que se soubesse agora o tamanho do seu querer
que fôlego não faltaria
(provavelmente eu antes suspiraria -
é que suspiro me encoraja, eu me sinto maior)
e, aí sim, sorriso no rosto, eu declararia
tudo aquilo que eu quero, e, melhor:
eu até me declararia
eu sei, parece ousadia
e é ousadia
então, por enquanto, eu só demonstraria...
mesmo com toda a vontade do mundo
de dizer a cada segundo
(a mesma vontade vadia e nada vazia
que me dá toda hora que eu olho pro lado)
não diria, por excesso de coragem e por falta de medo
ou talvez por covardia demais e bravura de menos
é que eu não sei se só sou eu
ou se ambos queremos
mas eu juro, juro pra você
que se soubesse agora o tamanho do seu querer
que fôlego não faltaria
(provavelmente eu antes suspiraria -
é que suspiro me encoraja, eu me sinto maior)
e, aí sim, sorriso no rosto, eu declararia
tudo aquilo que eu quero, e, melhor:
eu até me declararia
eu sei, parece ousadia
e é ousadia
então, por enquanto, eu só demonstraria...
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Dois
Sorriso sem riso é meio
e metade eu não quero
Não me satisfaz
Mas tu sabes tão bem quem eu sou
o que acho, o que espero
de ti que, não sei...
Até penso às vezes que mais
do que amante ou amigo,
te carrego comigo, ou algo assim
Todo canto que vou, me recordo
Desda hora em que acordo
me lembro de ti
Podes vir sem pensar no depois,
no agora ou no antes,
somos meros errantes
somos mais do que dois.
e metade eu não quero
Não me satisfaz
Mas tu sabes tão bem quem eu sou
o que acho, o que espero
de ti que, não sei...
Até penso às vezes que mais
do que amante ou amigo,
te carrego comigo, ou algo assim
Todo canto que vou, me recordo
Desda hora em que acordo
me lembro de ti
Podes vir sem pensar no depois,
no agora ou no antes,
somos meros errantes
somos mais do que dois.
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domingo, 18 de outubro de 2009
censura sem surra
eu cansei
eu não sei
quanto tempo dá mais
eu já vi
eu vivi
nada me satisfaz
se eu preciso
de riso, juízo
pra quê?
eu não quero
não espero
você pra viver
mesmo assim
você vem,
e repete também
tudo aquilo
que disse
a mesmice
o desdém
que a massa
sem graça
nem tesão de viver
crê e prega
carrega
não escuta e não lê
sou refém
de mazelas
balelas
mentiras
intrigas
e brigas
que nem quero brigar
se acredita
nos outros
no medíocre,
no fútil
não sou eu
quem vai
suas idéias mudar
eu não sei
quanto tempo dá mais
eu já vi
eu vivi
nada me satisfaz
se eu preciso
de riso, juízo
pra quê?
eu não quero
não espero
você pra viver
mesmo assim
você vem,
e repete também
tudo aquilo
que disse
a mesmice
o desdém
que a massa
sem graça
nem tesão de viver
crê e prega
carrega
não escuta e não lê
sou refém
de mazelas
balelas
mentiras
intrigas
e brigas
que nem quero brigar
se acredita
nos outros
no medíocre,
no fútil
não sou eu
quem vai
suas idéias mudar
Vou de táxi
Eu decidi deitar no colo dele. A minha dor na coluna já era insuportável, e o cansaço depois de um dia inteiro festejando como se não houvesse amanhã falava mais alto. Eu era uma caloura ansiosa, parecia uma pré-adolescente perdida na Disney sem saber em qual brinquedo ir. Queria sempre mais, e essa falta de controle já havia me levado a dar alguns vexames - dos quais eu preferia apenas não me lembrar no dia seguinte.
Mas não naquela noite. Pela primeira vez em quase um mês de faculdade, eu não estava bêbada numa festa. Seria até uma conquista, se todos ao meu redor não estivessem etilicamente anestesiados o suficiente para sequer notarem o quão pouco eu bebi. Em resumo, pra eles eu estava tão bêbada quanto os mesmos. Ótimo. "Preciso ir embora", eu pensei. "Agora."
E então, estávamos no táxi. Eu e ele. Ele e eu. Também havia o taxista, mas sua presença no momento era um tanto quanto irrelevante. Peguei a minha mochila e joguei em cima dele. Do meu amigo, não do taxista. Ele tirou a mochila de cima de suas pernas e a colocou entre nós dois. Talvez se ele estivesse um pouco menos bêbado ele reparasse que o meu objetivo era me deitar, e não atingí-lo com uma mochila que provavelmente pesava mais do que eu. Mas não, eu tive de esclarecer minhas intenções. "Eu quero deitar!", eu disse. Não quis dar muita oportunidade de resposta e coloquei a mochila de volta em seu colo. Fiz com que ele chegasse mais para o seu canto do carro e me espalhei. Talvez a viagem pra casa não fosse tão longa o quanto eu imaginava...
Com a cabeça já em seu colo, eu sorri. Mas não durou muito. Ainda não sei como, mas seu dedo encontrou meu ouvido. E, olha, se tem algo que me tira do sério é qualquer coisa no meu ouvido. Inseto no ouvido, língua no ouvido, dedo no ouvido. Não sei se era culpa do álcool, mas ele descobriu como me irritar. Por mais que eu desse tapas em sua mão, o maldito dedo insistia em tirar minha paz. Não era gracinha, não era charme. É que eu realmente fico irritada com qualquer coisa violando a paz dos meus ouvidos. E eu só queria que ele mantivesse uma certa distância dalí. Sem me tirar do meu canto, claro.
Entre um tapa e outro, conversávamos. Ele tapava meus olhos com um objetivo ainda desconhecido por mim. Mas não deixava de ser engraçado. Nós nos implicávamos bastante. Eu falava da menina com quem ele tivera um casinho, coisa corriqueira, mas ainda assim havia me contado. Dizia o quão o achava estúpido por desperdiçar tempo e neurônios pensando nela. E aproveitava para desejar silenciosamente que eu pudesse sê-la, mesmo que por um dia.
É, eu sei. Falar da quase-ex não é a maneira mais inteligente de tentar se conquistar alguém, mas era tudo que eu tinha no momento. Essas eram as minhas cartas, e eu tinha de usá-las. Querendo ou não, o assunto da menina era a minha única opção. Quer dizer, foi a maior aproximação que houve entre nós dois na história de nossa amizade. O contato físico até então limitava-se a esbarrões não intencionais, tapinhas em resposta a alguma implicância ou encostões de perna na curva do ônibus. Nada muito sedutor, percebe-se com facilidade.
E ali estava eu, deitada em seu colo, agradecendo aos céus que ele estava bêbado e sorridente, contando histórias e implicando comigo. O dedo no ouvido nem me incomodava tanto mais, depois da vigésima oitava vez. Ele também manifestava um suposto afeto através de uns cafunés esporádicos, meio tímidos. Estava mais pra afago, como alguém que tenta agradar um filhote de cachorro, mas com um certo receio de ser mordido. Ou arranhado. Tanto faz.
A nossa amizade era recente. Havíamos nos conhecido há pouco mais de um mês. Na verdade, eu o conhecia há pouco mais de um mês. Segundo o mesmo, já haviam previamente nos apresentado, mas parece que eu não guardei nenhuma recordação de tal fato. Não é que eu tenha o ignorado, mas ironicamente eu só fui notá-lo no nosso segundo encontro. E talvez tenha notado um pouco além da conta...
Desde então, nos falávamos quase que diariamente. Fomos à praia, com mais dois amigos em comum. Um grande amigo meu é um grande amigo dele. E uma grande amiga dele é uma grande amiga do nosso grande amigo em comum. Bom, fomos os quatro à praia, e foi ótimo. Apesar da distância, quero dizer.
Ele não é como a maioria dos caras que se vê por aí. Desde que nos conhecemos, ele não tentou me conquistar com uma conversa fiada clichê. Sempre tínhamos assunto, falávamos de tudo. Sabíamos detalhes da vida um do outro. Compartilhávamos fatos engraçados, sonhos, provavelmente até alguns segredos. Mas não romanceávamos nossa amizade com abraços e carinhos e declarações. Talvez por ele ser assim mesmo: um cara na dele. Não é que ele seja bruto ou frio. Ele simplesmente age assim porque é assim. E, quando vi, a distância entre nós já tinha virado um desejo louco de que nos aproximássemos.
Minha mãe ligou um pouco depois de entrarmos no táxi. Ela era um dos motivos pelos quais eu queria ir logo embora. Já tinha se passado quase uma hora e meia desde a última vez que ela havia me ligado, e eu disse que iria embora naquele exato momento. A não ser que eu estivesse cruzando o estado, já era pra eu estar em casa. Então, não contei a ela que estava indo de carro. Quando ela perguntou, disse que peguei um ônibus e estava no metrô, tentando justificar minha demora.
Ela aceitou a desculpa e eu desliguei o celular. Ele riu da minha cara. Na hora, me chamou de mentirosa e sem caráter. Eu dei de ombros, sabia que ele aproveitaria qualquer oportunidade de fazer graça. Entramos então num túnel e ele se lembrou da ligação do metrô. "Caralho, você é muito mentirosa!", ele disse. É incrível como todos ficamos educados sob o efeito de álcool.
Sem me importar muito, ri e perguntei: "Mentirosa? Eu?", com um sorrisinho cínico. Ele se abaixou, aproximando o rosto do meu. Eu senti que ia acontecer, mas não conseguia acreditar naquilo direito. Eu tentara imaginar incontáveis situações onde nos beijássemos, e aquela cena jamais havia se passado no meu imaginário. Eu sempre contava com a minha pessoa sob o efeito do álcool. Não ele. Era muito difícil de crer. E de reagir.
"Hahahah, como se você estivesse no metrô!", ele respondeu. A essa altura, ele já estava todo torto, se contorcendo para que seus olhos ficassem ao alcance dos meus. E eu ainda não acreditava que aquilo pudesse estar acontecendo. Dei uma risada leve e falei: "Ahh, mas eu tô no metrô... Onde é que você tá?", tentando parecer o menos deslumbrada possível. Sem a menor necessidade, obviamente. Quem precisaria de algum disfarce ali era ele, não eu: era terça-feira e ele estava prestes a chegar em casa da faculdade bêbado.
"Eu tô no Rebouças..."
Sorriu.
Abaixou um pouco mais a cabeça.
E aí...
Aconteceu.
"=)"
Eu não precisei fazer muito esforço, apenas levantei o queixo para que o alcançasse.
Feliz. Me sentia feliz. Satisfeita por saber que estava beijando alguém de quem gostava. A sensação parecia inédita, depois de tanto tempo e tantos beijos dados ao acaso, com descaso.
Mas, naquele momento, a sensação era completamente diferente. Pra mim, era uma conquista. E tudo pareceu ainda melhor quando as minhas expectativas forram correspondidas - até mesmo superadas. Ele era doce, carinhoso, sereno.
Fugia daquela rotina entediante praticada pelos últimos vinte caras que eu havia beijado. Não sei se era em respeito à nossa amizade, ele parecia ser assim em sua essência. Dócil, amável. Digno de todos os elogios possíveis.
Não consigo evitar um sorriso ao lembrar do táxi. E vem um frio na barriga que me faz achar que tenho treze anos...
Só tenho a lamentar que meu remédio também foi meu veneno. Talvez se não tivesse sido o álcool, nós não tivéssemos nos beijado. Não que ele tenha agido sem pensar, mas sabe-se que, quando ébrios, todos temos coragem de sobra.
Mas e quando a sobriedade voltar? E quando a ressaca chegar?
Será que ele ainda tem a mesma vontade?
A resposta... só cabe a mim esperar por ela.
Mas não naquela noite. Pela primeira vez em quase um mês de faculdade, eu não estava bêbada numa festa. Seria até uma conquista, se todos ao meu redor não estivessem etilicamente anestesiados o suficiente para sequer notarem o quão pouco eu bebi. Em resumo, pra eles eu estava tão bêbada quanto os mesmos. Ótimo. "Preciso ir embora", eu pensei. "Agora."
E então, estávamos no táxi. Eu e ele. Ele e eu. Também havia o taxista, mas sua presença no momento era um tanto quanto irrelevante. Peguei a minha mochila e joguei em cima dele. Do meu amigo, não do taxista. Ele tirou a mochila de cima de suas pernas e a colocou entre nós dois. Talvez se ele estivesse um pouco menos bêbado ele reparasse que o meu objetivo era me deitar, e não atingí-lo com uma mochila que provavelmente pesava mais do que eu. Mas não, eu tive de esclarecer minhas intenções. "Eu quero deitar!", eu disse. Não quis dar muita oportunidade de resposta e coloquei a mochila de volta em seu colo. Fiz com que ele chegasse mais para o seu canto do carro e me espalhei. Talvez a viagem pra casa não fosse tão longa o quanto eu imaginava...
Com a cabeça já em seu colo, eu sorri. Mas não durou muito. Ainda não sei como, mas seu dedo encontrou meu ouvido. E, olha, se tem algo que me tira do sério é qualquer coisa no meu ouvido. Inseto no ouvido, língua no ouvido, dedo no ouvido. Não sei se era culpa do álcool, mas ele descobriu como me irritar. Por mais que eu desse tapas em sua mão, o maldito dedo insistia em tirar minha paz. Não era gracinha, não era charme. É que eu realmente fico irritada com qualquer coisa violando a paz dos meus ouvidos. E eu só queria que ele mantivesse uma certa distância dalí. Sem me tirar do meu canto, claro.
Entre um tapa e outro, conversávamos. Ele tapava meus olhos com um objetivo ainda desconhecido por mim. Mas não deixava de ser engraçado. Nós nos implicávamos bastante. Eu falava da menina com quem ele tivera um casinho, coisa corriqueira, mas ainda assim havia me contado. Dizia o quão o achava estúpido por desperdiçar tempo e neurônios pensando nela. E aproveitava para desejar silenciosamente que eu pudesse sê-la, mesmo que por um dia.
É, eu sei. Falar da quase-ex não é a maneira mais inteligente de tentar se conquistar alguém, mas era tudo que eu tinha no momento. Essas eram as minhas cartas, e eu tinha de usá-las. Querendo ou não, o assunto da menina era a minha única opção. Quer dizer, foi a maior aproximação que houve entre nós dois na história de nossa amizade. O contato físico até então limitava-se a esbarrões não intencionais, tapinhas em resposta a alguma implicância ou encostões de perna na curva do ônibus. Nada muito sedutor, percebe-se com facilidade.
E ali estava eu, deitada em seu colo, agradecendo aos céus que ele estava bêbado e sorridente, contando histórias e implicando comigo. O dedo no ouvido nem me incomodava tanto mais, depois da vigésima oitava vez. Ele também manifestava um suposto afeto através de uns cafunés esporádicos, meio tímidos. Estava mais pra afago, como alguém que tenta agradar um filhote de cachorro, mas com um certo receio de ser mordido. Ou arranhado. Tanto faz.
A nossa amizade era recente. Havíamos nos conhecido há pouco mais de um mês. Na verdade, eu o conhecia há pouco mais de um mês. Segundo o mesmo, já haviam previamente nos apresentado, mas parece que eu não guardei nenhuma recordação de tal fato. Não é que eu tenha o ignorado, mas ironicamente eu só fui notá-lo no nosso segundo encontro. E talvez tenha notado um pouco além da conta...
Desde então, nos falávamos quase que diariamente. Fomos à praia, com mais dois amigos em comum. Um grande amigo meu é um grande amigo dele. E uma grande amiga dele é uma grande amiga do nosso grande amigo em comum. Bom, fomos os quatro à praia, e foi ótimo. Apesar da distância, quero dizer.
Ele não é como a maioria dos caras que se vê por aí. Desde que nos conhecemos, ele não tentou me conquistar com uma conversa fiada clichê. Sempre tínhamos assunto, falávamos de tudo. Sabíamos detalhes da vida um do outro. Compartilhávamos fatos engraçados, sonhos, provavelmente até alguns segredos. Mas não romanceávamos nossa amizade com abraços e carinhos e declarações. Talvez por ele ser assim mesmo: um cara na dele. Não é que ele seja bruto ou frio. Ele simplesmente age assim porque é assim. E, quando vi, a distância entre nós já tinha virado um desejo louco de que nos aproximássemos.
Minha mãe ligou um pouco depois de entrarmos no táxi. Ela era um dos motivos pelos quais eu queria ir logo embora. Já tinha se passado quase uma hora e meia desde a última vez que ela havia me ligado, e eu disse que iria embora naquele exato momento. A não ser que eu estivesse cruzando o estado, já era pra eu estar em casa. Então, não contei a ela que estava indo de carro. Quando ela perguntou, disse que peguei um ônibus e estava no metrô, tentando justificar minha demora.
Ela aceitou a desculpa e eu desliguei o celular. Ele riu da minha cara. Na hora, me chamou de mentirosa e sem caráter. Eu dei de ombros, sabia que ele aproveitaria qualquer oportunidade de fazer graça. Entramos então num túnel e ele se lembrou da ligação do metrô. "Caralho, você é muito mentirosa!", ele disse. É incrível como todos ficamos educados sob o efeito de álcool.
Sem me importar muito, ri e perguntei: "Mentirosa? Eu?", com um sorrisinho cínico. Ele se abaixou, aproximando o rosto do meu. Eu senti que ia acontecer, mas não conseguia acreditar naquilo direito. Eu tentara imaginar incontáveis situações onde nos beijássemos, e aquela cena jamais havia se passado no meu imaginário. Eu sempre contava com a minha pessoa sob o efeito do álcool. Não ele. Era muito difícil de crer. E de reagir.
"Hahahah, como se você estivesse no metrô!", ele respondeu. A essa altura, ele já estava todo torto, se contorcendo para que seus olhos ficassem ao alcance dos meus. E eu ainda não acreditava que aquilo pudesse estar acontecendo. Dei uma risada leve e falei: "Ahh, mas eu tô no metrô... Onde é que você tá?", tentando parecer o menos deslumbrada possível. Sem a menor necessidade, obviamente. Quem precisaria de algum disfarce ali era ele, não eu: era terça-feira e ele estava prestes a chegar em casa da faculdade bêbado.
"Eu tô no Rebouças..."
Sorriu.
Abaixou um pouco mais a cabeça.
E aí...
Aconteceu.
"=)"
Eu não precisei fazer muito esforço, apenas levantei o queixo para que o alcançasse.
Feliz. Me sentia feliz. Satisfeita por saber que estava beijando alguém de quem gostava. A sensação parecia inédita, depois de tanto tempo e tantos beijos dados ao acaso, com descaso.
Mas, naquele momento, a sensação era completamente diferente. Pra mim, era uma conquista. E tudo pareceu ainda melhor quando as minhas expectativas forram correspondidas - até mesmo superadas. Ele era doce, carinhoso, sereno.
Fugia daquela rotina entediante praticada pelos últimos vinte caras que eu havia beijado. Não sei se era em respeito à nossa amizade, ele parecia ser assim em sua essência. Dócil, amável. Digno de todos os elogios possíveis.
Não consigo evitar um sorriso ao lembrar do táxi. E vem um frio na barriga que me faz achar que tenho treze anos...
Só tenho a lamentar que meu remédio também foi meu veneno. Talvez se não tivesse sido o álcool, nós não tivéssemos nos beijado. Não que ele tenha agido sem pensar, mas sabe-se que, quando ébrios, todos temos coragem de sobra.
Mas e quando a sobriedade voltar? E quando a ressaca chegar?
Será que ele ainda tem a mesma vontade?
A resposta... só cabe a mim esperar por ela.
sábado, 20 de junho de 2009
All In
Falling feels like flying
Until you hit the ground
And everybody's fearless
When there's no one around
But oh you guys are so predictable
With your cheap and dirty dreams
Living lives that are unreasonable
And pretending movie scenes
But behind each and every silly boy
You'll always find a mean girl
Who thinks slavery is braveness
And believes she rules the world
When you realize there will be fences
And cages and no freedom
But, baby, I have told ya
These people have no limits
Girl, let me give you some advice
Don't you trust those fetching guys
I know they seem so captivating
And pretty easy in the eyes
But a month goes by, or maybe two
And, guess what? It wasn't true
All the things he said to you
It was all bullshit, never knew
And don't you care about his feelings
And his heart or silly mind
There's nothing else to do
There's no exit to find
He knows he's on a trap
And you've predicted every single step
If he fells, it's 'cause he wants to
You know, men just can't ask for help
Mercy, disappointment, pity, shame
Oh you guys are all the same
Until you hit the ground
And everybody's fearless
When there's no one around
But oh you guys are so predictable
With your cheap and dirty dreams
Living lives that are unreasonable
And pretending movie scenes
But behind each and every silly boy
You'll always find a mean girl
Who thinks slavery is braveness
And believes she rules the world
When you realize there will be fences
And cages and no freedom
But, baby, I have told ya
These people have no limits
Girl, let me give you some advice
Don't you trust those fetching guys
I know they seem so captivating
And pretty easy in the eyes
But a month goes by, or maybe two
And, guess what? It wasn't true
All the things he said to you
It was all bullshit, never knew
And don't you care about his feelings
And his heart or silly mind
There's nothing else to do
There's no exit to find
He knows he's on a trap
And you've predicted every single step
If he fells, it's 'cause he wants to
You know, men just can't ask for help
Mercy, disappointment, pity, shame
Oh you guys are all the same
quarta-feira, 3 de junho de 2009
De frente pro espelho
Meu bem, não há o que temer... Por tanta coisa já passaste, tanto susto que já levou. Por que agora essa insegurança toda? De onde vem?
Você sabe que é maior, que tudo nessa vida passa. És humilde, corajosa e destemida. Guarde toda a sua ansiedade para as expectativas de um reencontro , para o frio na barriga que vem antes da noitada. Mas perder sua paz para ele? Logo você...
Foi culpa da fragilidade também, eu sei. Por mais que pareça que o dito cujo tenha vindo diretamente dos céus embalado pra presente com laço de fita vermelho, você não pode perder o controle. Tens que pegar leve... Ir com calma, comer pelas bordas. Saber apreciar cada segundo da conquista, desfrutar do prazer de tê-lo ao seu lado em sua totalidade, sem deixar escapar uma gota do que são juntos.
Atropelar fases pra quê? Se o final é sempre o mesmo... É isso que você quer? Que chege logo a fase dolorida? Que tudo vire óbvio? A rotina cansa, minha amiga, e cansa muito. Eu te digo, aproveite enquanto ainda é novidade. E você aí tentando de qualquer jeito acelerar as coisas...
Sua possessividade não te faz bem, você sabe disso. Um nome não muda muita coisa, praticamente nada. Você sabe disso também. Essas respostas bastam para as suas tantas perguntas, e você já as tem. Só não quer encontrá-las...
Tens plena consciência de que, caso seus muitos anseios se realizassem, o sentimento seria banalizado. Você sabe que iria perder a graça. Não passa de mais um "Amor Cor-de-telha", em suas devidas proporções. Se está tão bom assim, pra que mudar? Se não há garantia de melhoria alguma...
Mas, ei! Não é por isso que se deve abrir mão de si mesma. Não é só você que sabe que tem dado mais do que recebe. Tome cuidado! Enquanto você era a única a sabê-lo, ainda tinha boa parte do controle da situação. Agora que já assumistes o risco de amar sozinha, uma armadilha foi criada. Fica por sua conta sofrer, ele já não tem mais nada a ver com isso. Você foi avisada, teve sua chance de juntar suas trouxinhas e ir embora. E, ainda assim, optou por ficar...
Tome isso como uma oportunidade de sair por cima. Mostre que tens consciência de seus esforços, mas que cobrará por eles. Afinal, tudo tem seu preço. Mostre que também quer seu metro quadrado de liberdade, que também sabe cumprir de menos em determinados quesitos. Insegurança sempre é uma boa forma de provocar reflexão.
E, não se esqueça, minha amiga: o mundo é redondo. O mundo gira, o mundo é um moinho! O tempo é o melhor dos remédios, e sempre há amanhã. O que não falta são aforismos para te convencer de que tudo isso é passageiro. De que ele, o tão apaixonante Don Juan, pode ser o próximo a ouvir "só não quero que você goste de mim".
Tenha cuidado, de fato. Conheces a ti mesma como ninguém, e sabes o quão frágil és depois de entregue. Mas também conheces a sua própria força e poder de superação. Sabes que pode e deve contar comigo. Antes de recorrer a qualquer outro indivíduo, lembre-se que cá estou eu, do outro lado do espelho. Esforçando-me para te convencer de que deves gostar de mim antes de tudo, pois é assim que te gosto. Só que precisa ser recíproco...
Talvez você até descubra que isso tudo não passa de uma grande brincadeira que foi levada a sério por engano, algum detalhe que passou despercebido pelo caminho. E então perceberás que já é hora de uma nova brincadeira ser vivida...
Você sabe que é maior, que tudo nessa vida passa. És humilde, corajosa e destemida. Guarde toda a sua ansiedade para as expectativas de um reencontro , para o frio na barriga que vem antes da noitada. Mas perder sua paz para ele? Logo você...
Foi culpa da fragilidade também, eu sei. Por mais que pareça que o dito cujo tenha vindo diretamente dos céus embalado pra presente com laço de fita vermelho, você não pode perder o controle. Tens que pegar leve... Ir com calma, comer pelas bordas. Saber apreciar cada segundo da conquista, desfrutar do prazer de tê-lo ao seu lado em sua totalidade, sem deixar escapar uma gota do que são juntos.
Atropelar fases pra quê? Se o final é sempre o mesmo... É isso que você quer? Que chege logo a fase dolorida? Que tudo vire óbvio? A rotina cansa, minha amiga, e cansa muito. Eu te digo, aproveite enquanto ainda é novidade. E você aí tentando de qualquer jeito acelerar as coisas...
Sua possessividade não te faz bem, você sabe disso. Um nome não muda muita coisa, praticamente nada. Você sabe disso também. Essas respostas bastam para as suas tantas perguntas, e você já as tem. Só não quer encontrá-las...
Tens plena consciência de que, caso seus muitos anseios se realizassem, o sentimento seria banalizado. Você sabe que iria perder a graça. Não passa de mais um "Amor Cor-de-telha", em suas devidas proporções. Se está tão bom assim, pra que mudar? Se não há garantia de melhoria alguma...
Mas, ei! Não é por isso que se deve abrir mão de si mesma. Não é só você que sabe que tem dado mais do que recebe. Tome cuidado! Enquanto você era a única a sabê-lo, ainda tinha boa parte do controle da situação. Agora que já assumistes o risco de amar sozinha, uma armadilha foi criada. Fica por sua conta sofrer, ele já não tem mais nada a ver com isso. Você foi avisada, teve sua chance de juntar suas trouxinhas e ir embora. E, ainda assim, optou por ficar...
Tome isso como uma oportunidade de sair por cima. Mostre que tens consciência de seus esforços, mas que cobrará por eles. Afinal, tudo tem seu preço. Mostre que também quer seu metro quadrado de liberdade, que também sabe cumprir de menos em determinados quesitos. Insegurança sempre é uma boa forma de provocar reflexão.
E, não se esqueça, minha amiga: o mundo é redondo. O mundo gira, o mundo é um moinho! O tempo é o melhor dos remédios, e sempre há amanhã. O que não falta são aforismos para te convencer de que tudo isso é passageiro. De que ele, o tão apaixonante Don Juan, pode ser o próximo a ouvir "só não quero que você goste de mim".
Tenha cuidado, de fato. Conheces a ti mesma como ninguém, e sabes o quão frágil és depois de entregue. Mas também conheces a sua própria força e poder de superação. Sabes que pode e deve contar comigo. Antes de recorrer a qualquer outro indivíduo, lembre-se que cá estou eu, do outro lado do espelho. Esforçando-me para te convencer de que deves gostar de mim antes de tudo, pois é assim que te gosto. Só que precisa ser recíproco...
Talvez você até descubra que isso tudo não passa de uma grande brincadeira que foi levada a sério por engano, algum detalhe que passou despercebido pelo caminho. E então perceberás que já é hora de uma nova brincadeira ser vivida...
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domingo, 31 de maio de 2009
Eu prometo
Eu prometo te fazer sorrir quando você estiver tristinho por não-sei-o-quê, e prometo ir para a sua casa direto do trabalho ou da faculdade, e só sair de lá quando você já estiver de saco cheio de mim.
Prometo escolher uma música que seja bem a nossa cara para ser nosso tema. Prometo, vou tomar cuidado. Uma que não seja romântica e melosa demais, mas que não torne o nosso amor uma ciência exata de tão óbvio. Mas não abro mão das metáforas para mostrar que também sabemos manter nossos segredinhos, claro. Não, melhor: prometo escrever uma música nossa. Você promete musicá-la?
E, falando de reciprocidade... Olha, eu também prometo mandar beijinho para o relógio toda vez que olhar para ele e encontrar o horário dobrado. Mas você, por favor, também lembre de mim às três-e-três...
Prometo deixar as unhas grandes para que eu possa te arranhar do jeito que você gosta bem nas costas, e fazer o carinhozinho no seu pescoço que te deixa todo dengoso. E, olha, prometo outra coisa: tolerar o seu mau gosto pra filmes. Deitar abraçadinha contigo e dormir te fazendo cafuné não é de todo o mal...
Prometo repetir quantas vezes forem necessárias para te convencer de que você é mais bonito e beija melhor e me faz mais feliz do que ele, ele, ou ele. Ou qualquer outro... Também prometo fingir que não sei que você está fazendo manha e se importa e sente ciúmes, sim, e prometo dar um jeito de dizer de uma maneira discreta com quem e para onde eu vou. Garanto não fazer com que você pareça um neurótico...
Prometo ser tolerante, amigável, sorridente, simpática, controlada. Prometo não gritar durante brigas! Mas, por favor, não me teste.
Posso também prometer ficar feliz toda vez que nos encontrarmos. Dou minha palavra: aquele mesmo sorriso bobo e surpreso ao te ver sempre permanecerá no mesmo lugar onde esteve na primeira vez que você o viu...
Entenda, prometo escutar suas mágoas, te levar pro bar e te acompanhar etilicamente até você não conseguir mais se lembrar do que tanto te incomodava - ou do seu nome, depende do que você esquecer antes. Mas, ei! Só te peço que me escutes também...
Prometo te dar todo o apoio que for necessário para que possas realizar seus sonhos, não importa do tamanho que sejam. Nem sob tortura me ousaria a atrapalhar a sua evolução, meu bem. Mesmo que me custe o nosso bem...
Prometo te querer feliz, prometo te querer bem, prometo te querer.
Prometo te amar, prometo querer te amar, prometo amar te querer.
Mas eu prometo tentar, acima de tudo, fazer com que sejamos merecedores de minhas promessas...
Prometo escolher uma música que seja bem a nossa cara para ser nosso tema. Prometo, vou tomar cuidado. Uma que não seja romântica e melosa demais, mas que não torne o nosso amor uma ciência exata de tão óbvio. Mas não abro mão das metáforas para mostrar que também sabemos manter nossos segredinhos, claro. Não, melhor: prometo escrever uma música nossa. Você promete musicá-la?
E, falando de reciprocidade... Olha, eu também prometo mandar beijinho para o relógio toda vez que olhar para ele e encontrar o horário dobrado. Mas você, por favor, também lembre de mim às três-e-três...
Prometo deixar as unhas grandes para que eu possa te arranhar do jeito que você gosta bem nas costas, e fazer o carinhozinho no seu pescoço que te deixa todo dengoso. E, olha, prometo outra coisa: tolerar o seu mau gosto pra filmes. Deitar abraçadinha contigo e dormir te fazendo cafuné não é de todo o mal...
Prometo repetir quantas vezes forem necessárias para te convencer de que você é mais bonito e beija melhor e me faz mais feliz do que ele, ele, ou ele. Ou qualquer outro... Também prometo fingir que não sei que você está fazendo manha e se importa e sente ciúmes, sim, e prometo dar um jeito de dizer de uma maneira discreta com quem e para onde eu vou. Garanto não fazer com que você pareça um neurótico...
Prometo ser tolerante, amigável, sorridente, simpática, controlada. Prometo não gritar durante brigas! Mas, por favor, não me teste.
Posso também prometer ficar feliz toda vez que nos encontrarmos. Dou minha palavra: aquele mesmo sorriso bobo e surpreso ao te ver sempre permanecerá no mesmo lugar onde esteve na primeira vez que você o viu...
Entenda, prometo escutar suas mágoas, te levar pro bar e te acompanhar etilicamente até você não conseguir mais se lembrar do que tanto te incomodava - ou do seu nome, depende do que você esquecer antes. Mas, ei! Só te peço que me escutes também...
Prometo te dar todo o apoio que for necessário para que possas realizar seus sonhos, não importa do tamanho que sejam. Nem sob tortura me ousaria a atrapalhar a sua evolução, meu bem. Mesmo que me custe o nosso bem...
Prometo te querer feliz, prometo te querer bem, prometo te querer.
Prometo te amar, prometo querer te amar, prometo amar te querer.
Mas eu prometo tentar, acima de tudo, fazer com que sejamos merecedores de minhas promessas...
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terça-feira, 26 de maio de 2009
Poker & Poesia
Você é o poker, e eu sou a poesia
Um amor tão arriscado não pode ser heresia
Tanta coragem, o óbvio nos temeria
Corremos na contra-mão subindo uma escadaria
Pois amor é amor aonde quer que o par for
Na cama, no chão, na parede, no teto
Eu quero te amar, ensaiar fazer um feto
E ter história pra contar pro nosso neto
Escrever partituras sobre um amor sem cura
Tentando prever o que não vai acontecer
Musicando momentos e contos e causos
Sem pressa, sem medo, sem hora ou atraso
Porque, se for a hora, eu oro
E, se for o caso, eu caso
Mesmo não tendo certeza se é pra ser assim
Eu só quero é que a gente nunca tenha fim
Um amor tão arriscado não pode ser heresia
Tanta coragem, o óbvio nos temeria
Corremos na contra-mão subindo uma escadaria
Pois amor é amor aonde quer que o par for
Na cama, no chão, na parede, no teto
Eu quero te amar, ensaiar fazer um feto
E ter história pra contar pro nosso neto
Escrever partituras sobre um amor sem cura
Tentando prever o que não vai acontecer
Musicando momentos e contos e causos
Sem pressa, sem medo, sem hora ou atraso
Porque, se for a hora, eu oro
E, se for o caso, eu caso
Mesmo não tendo certeza se é pra ser assim
Eu só quero é que a gente nunca tenha fim
terça-feira, 19 de maio de 2009
Linda, não.
- O filme é ali.
- Eu sei...
- Então por que você tá virada pra cá?
- Por que eu tô te olhando...
- Pára com isso, haha.
- Me deixa...
- ...
- Você é lindo, sabia?
- Hm?
- Você... é lindo.
- Heheh, brigado. Você é linda também.
- Não... eu não sou linda.
- Hm?
- Eu não sou linda. Eu posso ser legalzinha, engraçada, carinhosa, flexível, tolerante, paciente, magrinha, imprevisível e sorridente. Posso até ter bom gosto, me vestir bem, fazer um bom cafuné, te dar atenção, ter papo, gostar de sexo, fazer as suas vontades, te dar razão até quando você não merece, beijar o seu pescoço do jeito que você gosta, te apoiar com toda essa maluquice de ser músico, aceitar os seus ciúmes, esconder os meus ciúmes, ser amiga dos seus amigos, agüentar você implicando com os meus, compreender suas neuras e ser simpatiquinha com a sua família. Mas linda eu não sou...
- Ah, amor...
- Fala...
- Pega o controle ali pra mim que a TV tá baixa?
- Eu sei...
- Então por que você tá virada pra cá?
- Por que eu tô te olhando...
- Pára com isso, haha.
- Me deixa...
- ...
- Você é lindo, sabia?
- Hm?
- Você... é lindo.
- Heheh, brigado. Você é linda também.
- Não... eu não sou linda.
- Hm?
- Eu não sou linda. Eu posso ser legalzinha, engraçada, carinhosa, flexível, tolerante, paciente, magrinha, imprevisível e sorridente. Posso até ter bom gosto, me vestir bem, fazer um bom cafuné, te dar atenção, ter papo, gostar de sexo, fazer as suas vontades, te dar razão até quando você não merece, beijar o seu pescoço do jeito que você gosta, te apoiar com toda essa maluquice de ser músico, aceitar os seus ciúmes, esconder os meus ciúmes, ser amiga dos seus amigos, agüentar você implicando com os meus, compreender suas neuras e ser simpatiquinha com a sua família. Mas linda eu não sou...
- Ah, amor...
- Fala...
- Pega o controle ali pra mim que a TV tá baixa?
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sexta-feira, 15 de maio de 2009
Pra quê isso, minha amiga?
Se não é bom pra você, não é bom pra mim, não é bom pra ele, não é bom pra ninguém....
Nessa guerra ninguém ganha. Ele fica no meio do fogo cruzado, ferido. É isso que você quer?
Palavras ferem muito mais do que qualquer outro tipo de munição... Cuidado com o que você diz, minha amiga!
Não te culpo por sentir-se mal - e não o digo por deboche. Realmente acredito em seu pesar. Mas não podemos ficar mais assim, amiga... Isso dó em mim também, sabia? Você pode até achar que me sinto muito superior só pelo fato de tê-lo ao meu lado no presente momento, mas, por favor, acredite: me sinto tão (ou mais) desfavorecida quanto você.
Você teve sua chance, e a qualquer momento pode voltar a tê-la. Você tem mais amigos, mais peito, mais influências e viveu muita coisa ao lado dele. E eu, o que tenho? Tenho minha sinceridade, minhas palavras, meu medo, meu receio. Caí de pára-quedas no meio da situação mais desconfortante possível, minha amiga... Você ainda acha que eu estou tentando te prejudicar?
Ele sabe muito bem que sempre esteve (e ainda está!) completamente livre para tomar qualquer tipo de decisão. Para repensar a relação comigo ou contigo. Abro mão da minha estabilidade no momento, pensando no bem de nós três. E também tento evitar um tombo maior no futuro, confesso.
Cada vez que ele diz seu nome, me sobe um calafrio que diz para que eu tome cuidado. Que me grita estrondosamente para sair correndo, para largar tudo, que ali não é o meu lugar. Mas, sabe, amiga? Tem algo que me segura, que me impede de fazê-lo... Raízes, sabe? E sinto muito medo de estar criando raízes à toa. Estar me apegando a isso tudo em vão. O risco de ele jogar tudo pro alto e pouco se importar com o que eu sinto me assombra constantemente.
Imagina então se nos vermos de perto, os três, finalmente? Não sei nem se tenho estrutura pra isso... Ele já me disse que é um encontro o qual ele evita o máximo, e eu até entendo seus motivos. É óbvio que o término de vocês ainda te dói, e imagino que assim compreenda que doa nele também. Provocar um encontro desses a toa assim, então... É um risco que eu prefiro não correr.
O amor não foi feito para ser desfrutado por três pessoas ao mesmo tempo. Foi feito sob medida para duas, em um exato momento de suas vidas. Caso eu percebesse que vocês dois ainda estavam vivendo tal momento juntos, eu não insistiria. Dou minha palavra. Mas não é o que vejo... Tudo que enxerguei até agora entre vocês foram faíscas, choques e conflitos. Resquícios de algo que um dia já foi bom.
Mas esse dia já passou, minha amiga... Tudo nessa vida há de passar. Assim como vocês passaram, tenho certeza que nós dois iremos passar também. Mas, antes disso, gostaria de aproveitar cada momento que me é dado ao lado dele, sem que precisemos nos preocupar com a opinião e o conforto de terceiros.
Tudo que eu peço é um pouco de compreensão. E respeito...
Então pra quê isso, minha amiga?
Nessa guerra ninguém ganha. Ele fica no meio do fogo cruzado, ferido. É isso que você quer?
Palavras ferem muito mais do que qualquer outro tipo de munição... Cuidado com o que você diz, minha amiga!
Não te culpo por sentir-se mal - e não o digo por deboche. Realmente acredito em seu pesar. Mas não podemos ficar mais assim, amiga... Isso dó em mim também, sabia? Você pode até achar que me sinto muito superior só pelo fato de tê-lo ao meu lado no presente momento, mas, por favor, acredite: me sinto tão (ou mais) desfavorecida quanto você.
Você teve sua chance, e a qualquer momento pode voltar a tê-la. Você tem mais amigos, mais peito, mais influências e viveu muita coisa ao lado dele. E eu, o que tenho? Tenho minha sinceridade, minhas palavras, meu medo, meu receio. Caí de pára-quedas no meio da situação mais desconfortante possível, minha amiga... Você ainda acha que eu estou tentando te prejudicar?
Ele sabe muito bem que sempre esteve (e ainda está!) completamente livre para tomar qualquer tipo de decisão. Para repensar a relação comigo ou contigo. Abro mão da minha estabilidade no momento, pensando no bem de nós três. E também tento evitar um tombo maior no futuro, confesso.
Cada vez que ele diz seu nome, me sobe um calafrio que diz para que eu tome cuidado. Que me grita estrondosamente para sair correndo, para largar tudo, que ali não é o meu lugar. Mas, sabe, amiga? Tem algo que me segura, que me impede de fazê-lo... Raízes, sabe? E sinto muito medo de estar criando raízes à toa. Estar me apegando a isso tudo em vão. O risco de ele jogar tudo pro alto e pouco se importar com o que eu sinto me assombra constantemente.
Imagina então se nos vermos de perto, os três, finalmente? Não sei nem se tenho estrutura pra isso... Ele já me disse que é um encontro o qual ele evita o máximo, e eu até entendo seus motivos. É óbvio que o término de vocês ainda te dói, e imagino que assim compreenda que doa nele também. Provocar um encontro desses a toa assim, então... É um risco que eu prefiro não correr.
O amor não foi feito para ser desfrutado por três pessoas ao mesmo tempo. Foi feito sob medida para duas, em um exato momento de suas vidas. Caso eu percebesse que vocês dois ainda estavam vivendo tal momento juntos, eu não insistiria. Dou minha palavra. Mas não é o que vejo... Tudo que enxerguei até agora entre vocês foram faíscas, choques e conflitos. Resquícios de algo que um dia já foi bom.
Mas esse dia já passou, minha amiga... Tudo nessa vida há de passar. Assim como vocês passaram, tenho certeza que nós dois iremos passar também. Mas, antes disso, gostaria de aproveitar cada momento que me é dado ao lado dele, sem que precisemos nos preocupar com a opinião e o conforto de terceiros.
Tudo que eu peço é um pouco de compreensão. E respeito...
Então pra quê isso, minha amiga?
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segunda-feira, 11 de maio de 2009
Inebria-me
Sabes muito bem o quanto te quero
Que com paciência e esmero te espero
Pensando no dia em que poderemos ficar
Sozinhos, deitados, a tarde inteira
Conversando sobre qualquer besteira,
Planejando um mergulho na cachoeira
Ou qualquer programa pra te agradar
Sabes muito bem o esforço que faço
Para que cada verso preencha o espaço
Que guardo pra ti no meu querer
E tento, insisto, pra provar que mereço
Um sorriso, um abraço, um pedaço do apreço
Ou que me conheças como te conheço
Tudo que te peço é um beijo clichê
E se, meia-noite, 'cê tiver de ir embora
Tudo bem, te acompanho, não vai ter demora
Eu faço de tudo pra não te atrasar
Pois mesmo sofrendo por sentir sua falta
Não me importo com a dor, vou estar até alta
Então, meu amor, vem me inebriar.
Que com paciência e esmero te espero
Pensando no dia em que poderemos ficar
Sozinhos, deitados, a tarde inteira
Conversando sobre qualquer besteira,
Planejando um mergulho na cachoeira
Ou qualquer programa pra te agradar
Sabes muito bem o esforço que faço
Para que cada verso preencha o espaço
Que guardo pra ti no meu querer
E tento, insisto, pra provar que mereço
Um sorriso, um abraço, um pedaço do apreço
Ou que me conheças como te conheço
Tudo que te peço é um beijo clichê
E se, meia-noite, 'cê tiver de ir embora
Tudo bem, te acompanho, não vai ter demora
Eu faço de tudo pra não te atrasar
Pois mesmo sofrendo por sentir sua falta
Não me importo com a dor, vou estar até alta
Então, meu amor, vem me inebriar.
sábado, 9 de maio de 2009
É que eu gosto dos finais tristes.
Eu não sei quem foi que disse que é melhor ser alegre do que ser triste, que a alegria é a melhor coisa que existe. Eu não penso assim. Não sou assim, nunca fui.
Na questão afetiva, eu quero dizer. É óbvio que dependo de momentos felizes para ser estável mental e emocionalmente como qualquer um, mas qualquer paixonite já me parece ser uma oportunidade irrecusável de me render à tristeza.
Amores sofridos são mais belos. Convencem mais, demonstram maior sinceridade. Não há quem nunca tenha sofrido por amor. Só aqueles que não amaram, e, mesmo assim, sofreram por não amar - e talvez até sofreram mais do que se tivessem alguma vez amado.
Amar sorrindo sob o sol de janeiro é bom, e até simpático. Mas não se compara à beleza de amar aos prantos, debaixo de um dilúvio. Correndo, indo embora após mais uma das incontáveis brigas em que se briga só por se brigar, pensando já na reconciliação com mais lágrimas e beijos salgados.
Amar à distância também. Dá a mesma impressão de se protagonizar um filme de Hollywood. A saudade, o maior dos clichês, é a mãe das mais belas canções, cartas e cenas já vistas, sejam elas reais ou de ficção.
Encontros são bonitos, reencontros, mais ainda. Mas as despedidas são insuperáveis. A força de um abraço de despedida humilha qualquer beijo de boas-vindas com todo o seu significado por trás do ato de abraçar. Ele traduz o medo do tempo que há de passar enquanto sozinhas ambas as partes ficarão, e o tempo amedronta muito. A distância também. Um amor distante é só para aqueles que, mais do que saber sofrer por amor, sabem sofrer com amor.
E eu, como boa sofredora, tento tirar o máximo da beleza do sofrer até na proximidade. Me conheço bem, e sei que na ausência amo mais. Na ausência, vejo o quanto alguém pode ser essencial à minha existência, na ausência descubro se vale a pena amar. Se, enquanto ausente, eu não o amar, desisto na hora. Não há porque não abrir mão de alguém que não me faz falta mesmo quando não está ao meu lado.
Por outro lado, se me pego triste mesmo próxima de meu amor, sei que o amo mesmo. Triste num sentido amplo, muito além do óbvio. É uma melancolia, um medo de ir embora, de perder o que se tem. É esse medo que nos move e incentiva a amar mais intensamente e com mais sinceridade.
Eu poderia terminar esse texto dizendo que, apesar de tudo, ser triste não compensa. Que o amor verdadeiro e honesto só traz coisas boas, só nos faz bem. Mas não...
É que eu gosto dos finais tristes.
Na questão afetiva, eu quero dizer. É óbvio que dependo de momentos felizes para ser estável mental e emocionalmente como qualquer um, mas qualquer paixonite já me parece ser uma oportunidade irrecusável de me render à tristeza.
Amores sofridos são mais belos. Convencem mais, demonstram maior sinceridade. Não há quem nunca tenha sofrido por amor. Só aqueles que não amaram, e, mesmo assim, sofreram por não amar - e talvez até sofreram mais do que se tivessem alguma vez amado.
Amar sorrindo sob o sol de janeiro é bom, e até simpático. Mas não se compara à beleza de amar aos prantos, debaixo de um dilúvio. Correndo, indo embora após mais uma das incontáveis brigas em que se briga só por se brigar, pensando já na reconciliação com mais lágrimas e beijos salgados.
Amar à distância também. Dá a mesma impressão de se protagonizar um filme de Hollywood. A saudade, o maior dos clichês, é a mãe das mais belas canções, cartas e cenas já vistas, sejam elas reais ou de ficção.
Encontros são bonitos, reencontros, mais ainda. Mas as despedidas são insuperáveis. A força de um abraço de despedida humilha qualquer beijo de boas-vindas com todo o seu significado por trás do ato de abraçar. Ele traduz o medo do tempo que há de passar enquanto sozinhas ambas as partes ficarão, e o tempo amedronta muito. A distância também. Um amor distante é só para aqueles que, mais do que saber sofrer por amor, sabem sofrer com amor.
E eu, como boa sofredora, tento tirar o máximo da beleza do sofrer até na proximidade. Me conheço bem, e sei que na ausência amo mais. Na ausência, vejo o quanto alguém pode ser essencial à minha existência, na ausência descubro se vale a pena amar. Se, enquanto ausente, eu não o amar, desisto na hora. Não há porque não abrir mão de alguém que não me faz falta mesmo quando não está ao meu lado.
Por outro lado, se me pego triste mesmo próxima de meu amor, sei que o amo mesmo. Triste num sentido amplo, muito além do óbvio. É uma melancolia, um medo de ir embora, de perder o que se tem. É esse medo que nos move e incentiva a amar mais intensamente e com mais sinceridade.
Eu poderia terminar esse texto dizendo que, apesar de tudo, ser triste não compensa. Que o amor verdadeiro e honesto só traz coisas boas, só nos faz bem. Mas não...
É que eu gosto dos finais tristes.
sábado, 2 de maio de 2009
A primeira de muitas
Acredite, meu bem, pois quando digo que tanto te gosto, não é à toa...
No começo, confesso, achei que seríamos apenas mais uma tentativa em vão. Um protótipo de casal, desses muitos que se encontram facilmente por aí, sabe? Aqueles que parecem projetos não terminados, que, por pura preguiça, não tiveram a coragem de polir suas qualidades e superar seus defeitos.
Mas não... Logo assim que te vi, eu soube. Pode ter sido culpa da ansiedade, minha companheira inseparável nos momentos de tensão, mas o calafrio que senti assim que nos encontramos foi único. Sem dúvida guardarei a lembrança de nosso primeiro encontro como a de um daqueles momentos-chave da vida, sabe? Daqueles que, caso fôssemos assistir a um vídeo com os melhores momentos, com certeza estariam presentes na seleção.
Mas também não é por isso que te gosto tanto... É pelo seu sorriso! Mal conseguiria eu explicar o que sinto toda vez que arranco um sorriso sincero seu. Uma conquista! Por falar em conquista, também tem seus cabelos... seus cabelos me conquistaram. O cheiro deles, o toque deles. Como podem ser tão macios? É quase um crime não render-se a eles! Merecem uma placa de Boas-Vindas às mãos sedentas por cafuné, exatamente como as minhas... Queria eu ter um cabelo assim!
Também te gosto muito por toda a sua espontaneidade. Falas o que pensas, e assim, sem esforço algum, me ganhaste. Me ganhaste, sim, pois o que mais se vê por aí hoje em dia são personalidades forjadas. Gente fingindo que não se importa só pelo suposto charme de ser blasè e fazer um carão. E você, meu bem... Me vem com toda essa autenticidade, essa vontade de viver por viver, sem pretensão alguma, sempre me dizendo para que eu pare de pensar no depois, pois o que importa é o agora... Invejável. (Não completamente, pois não és perfeito! Não sou inocente e bem conheço a malícia escondida atrás de tais comentários. Mas só eu sei o quanto eu preciso de palavras como essas, pra anestesiar minhas neuroses...)
Sabe o que também me encanta? A forma como você me faz pensar nas coisas... Nas coisas em geral, em quase tudo! No que digo, no que faço, no que penso... Sempre que divido algo contigo, fazes questão de discordar de meu racícinioo e me mostrar que não há razão, não há opinião absoluta. Afinal, a vida não é uma ciência exata. E se não fosse a sua presença, meu amor... Nada disso eu teria concluído.
Também impressiono-me com seu timing. Me impressiona sua exatidão! Chegaste na hora exata, encontramo-nos sem antecedência nem atraso. No momento exato em que ambos precisam ajudar e ser ajudados. E nada melhor do que ajudar-te enquanto tenho suas mãos pra segurar.
Nossas risadas, seus carinhos, sua sinceridade, as opiniões conflitantes, seu talento musical, nossa amizade, sua paixão excêntrica por minhas costas, as borboletas que tomam conta de meu estômago quanto estou pra te encontrar, tudo... Tudo isso me conquistou, me encanta e me faz querer-te.
Gostar de ti é consequência, uma vez que, sendo a ótima companhia que és, não vejo outra saída a não ser entregar-me a todo esse sentimento. A reciprocidade não é garantida, mas é o preço que eu pago por render-me a ti.
Passaram-se dias com cara de meses, e aprendi o que não aprendia há anos com os tais protótipos. Usaste o termo "precoce" e, sei, me conheço e admito que estou me precipitando. Mas é assim que sou, é assim que vivo. Acostumei-me a receber de braços abertos as surpresas que a vida me faz, mesmo que súbitas e completamente inesperadas. Talvez tenha me aprofundado demais numa relação que ainda encontra-se imatura, mas boa parte dessa culpa é sua.
Por ter me encantado, por ter me abraçado e por ter me permitido entrar tão repentinamente em sua vida. E por ter feito o mesmo na minha, obviamente. Reconheço que o estado de minha vida antes do dia em que entraste nela não era dos mais organizados, e imagino que reconheças o mesmo quando se trata da sua.
Mas quero que saibas que cá estou eu, disposta a organizar-me, organizar-te e organizar-nos.
Obrigada por tudo que já fizeste e pelo que ainda fará por mim.
Beijos de quem muito te quer bem,
T.
No começo, confesso, achei que seríamos apenas mais uma tentativa em vão. Um protótipo de casal, desses muitos que se encontram facilmente por aí, sabe? Aqueles que parecem projetos não terminados, que, por pura preguiça, não tiveram a coragem de polir suas qualidades e superar seus defeitos.
Mas não... Logo assim que te vi, eu soube. Pode ter sido culpa da ansiedade, minha companheira inseparável nos momentos de tensão, mas o calafrio que senti assim que nos encontramos foi único. Sem dúvida guardarei a lembrança de nosso primeiro encontro como a de um daqueles momentos-chave da vida, sabe? Daqueles que, caso fôssemos assistir a um vídeo com os melhores momentos, com certeza estariam presentes na seleção.
Mas também não é por isso que te gosto tanto... É pelo seu sorriso! Mal conseguiria eu explicar o que sinto toda vez que arranco um sorriso sincero seu. Uma conquista! Por falar em conquista, também tem seus cabelos... seus cabelos me conquistaram. O cheiro deles, o toque deles. Como podem ser tão macios? É quase um crime não render-se a eles! Merecem uma placa de Boas-Vindas às mãos sedentas por cafuné, exatamente como as minhas... Queria eu ter um cabelo assim!
Também te gosto muito por toda a sua espontaneidade. Falas o que pensas, e assim, sem esforço algum, me ganhaste. Me ganhaste, sim, pois o que mais se vê por aí hoje em dia são personalidades forjadas. Gente fingindo que não se importa só pelo suposto charme de ser blasè e fazer um carão. E você, meu bem... Me vem com toda essa autenticidade, essa vontade de viver por viver, sem pretensão alguma, sempre me dizendo para que eu pare de pensar no depois, pois o que importa é o agora... Invejável. (Não completamente, pois não és perfeito! Não sou inocente e bem conheço a malícia escondida atrás de tais comentários. Mas só eu sei o quanto eu preciso de palavras como essas, pra anestesiar minhas neuroses...)
Sabe o que também me encanta? A forma como você me faz pensar nas coisas... Nas coisas em geral, em quase tudo! No que digo, no que faço, no que penso... Sempre que divido algo contigo, fazes questão de discordar de meu racícinioo e me mostrar que não há razão, não há opinião absoluta. Afinal, a vida não é uma ciência exata. E se não fosse a sua presença, meu amor... Nada disso eu teria concluído.
Também impressiono-me com seu timing. Me impressiona sua exatidão! Chegaste na hora exata, encontramo-nos sem antecedência nem atraso. No momento exato em que ambos precisam ajudar e ser ajudados. E nada melhor do que ajudar-te enquanto tenho suas mãos pra segurar.
Nossas risadas, seus carinhos, sua sinceridade, as opiniões conflitantes, seu talento musical, nossa amizade, sua paixão excêntrica por minhas costas, as borboletas que tomam conta de meu estômago quanto estou pra te encontrar, tudo... Tudo isso me conquistou, me encanta e me faz querer-te.
Gostar de ti é consequência, uma vez que, sendo a ótima companhia que és, não vejo outra saída a não ser entregar-me a todo esse sentimento. A reciprocidade não é garantida, mas é o preço que eu pago por render-me a ti.
Passaram-se dias com cara de meses, e aprendi o que não aprendia há anos com os tais protótipos. Usaste o termo "precoce" e, sei, me conheço e admito que estou me precipitando. Mas é assim que sou, é assim que vivo. Acostumei-me a receber de braços abertos as surpresas que a vida me faz, mesmo que súbitas e completamente inesperadas. Talvez tenha me aprofundado demais numa relação que ainda encontra-se imatura, mas boa parte dessa culpa é sua.
Por ter me encantado, por ter me abraçado e por ter me permitido entrar tão repentinamente em sua vida. E por ter feito o mesmo na minha, obviamente. Reconheço que o estado de minha vida antes do dia em que entraste nela não era dos mais organizados, e imagino que reconheças o mesmo quando se trata da sua.
Mas quero que saibas que cá estou eu, disposta a organizar-me, organizar-te e organizar-nos.
Obrigada por tudo que já fizeste e pelo que ainda fará por mim.
Beijos de quem muito te quer bem,
T.
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quarta-feira, 29 de abril de 2009
Sobre o tempo
Entre um pensamento e outro, resolvi vir galochar. A grande verdade é que os últimos dias têm sido corridos. Não da forma que costumavam ser quando eu utilizava tal expressão com frequência - Pretérito Imperfeito, você por aqui novamente? - tentando justificar um erro meu (não acredito que tenha errado de fato, mas como é o que dizem por aí...).
Os novos dias têm voado como brisa gelada no rosto pra fora da janela do carro. Sabe? Assim, correndo, pela estrada afora, sem nem ter a pretensão de definir um destino. Apenas correr, preocupando-se somente com a estabilidade de toda a viagem.
É bem verdade que criou-se uma estrutura em volta de toda essa falta de tempo. E também é verdade que, por pouco, a estrutura não tranformou-se em barreira. Dedicar meu tempo a atividades que não têm relação alguma com determinado aspecto de minha vida como tentativa de anestesiar a dor gerada pela carência não passa de uma tentativa em vão de viver em paz. É como optar por deixar que um membro se atrofie ao invés de investir um mínimo de esforço para que o mesmo se recupere. É burrice, em sua mais pura e genuína forma - pra não dizer ignorância.
Mas, é necessário relembrar, por pouco tais erros não foram cometidos. Isso significa que não houve erro algum. Talvez seja metáfora demais para um texto só, mas como o blog é meu... A sensação é a mesma de ter um pênalti a seu favor aos 48 do segundo tempo. Apenas um gol, e serás o campeão. Levará o título, a glória e a conquista para casa. Talvez seja muita responsabilidade, os pessimistas certamente veriam assim. Mas os otimistas, sem dúvida, agradeceriam eternamente pela simples oportunidade de resgatar sua vitória.
Segundos depois, o chute já fora dado. Nunca discordei daqueles que crêem na relatividade do tempo. É só abrir mão de controlá-lo, por medo ou ansiedade, que ele foge. Escorre, escapa sorrateiramente, sem que ao menos possamos perceber.
Nesse exato instante, a bola corre, pula, voa em direção ao gol. Antes não existissem obstáculos, mas não há nada mais realista quando se trata de retratar a vida do que representar as incontáveis resistências que se opõem e se impõem a cada segundo. Subitamente, o tempo mudou de idéia e resolveu se arrastar. Parece um bebê, aprendendo a engatinhar e frustrando-se a cada nova tentativa. Lento como só, me agoniza.
Mas compensa a dor que me provoca ao me deixar assistir de camarote toda a trajetória da bola ao seu destino. Milimetricamente falando. Não tenho a mínima idéia de onde o projétil vai parar. Se irão impedí-lo de chegar ao seu destino, eu não sei. Nunca saberei, a não ser que aqui permaneça, assistindo pacientemente sua viagem.
O tempo é o senhor da razão. Ele sabe, mais do que qualquer um, o que faz. Talvez eu soubesse o que estava fazendo quando dei meu chute. Foi um chute exaltado, completamente passional. Mas não significa que tenha se tratado de um impulso. Eu conhecia meus riscos, minhas probabilidades e chances de acertar ou não. Sem pestanejar, me arrisquei. E me arriscaria novamente, quantas vezes fossem necessárias para que desse certo.
Ninguém além do tempo pode me dizer se vai valer a pena, ou não, ter arriscado. Mas que eu quero que valha... ahh, se quero...!
Os novos dias têm voado como brisa gelada no rosto pra fora da janela do carro. Sabe? Assim, correndo, pela estrada afora, sem nem ter a pretensão de definir um destino. Apenas correr, preocupando-se somente com a estabilidade de toda a viagem.
É bem verdade que criou-se uma estrutura em volta de toda essa falta de tempo. E também é verdade que, por pouco, a estrutura não tranformou-se em barreira. Dedicar meu tempo a atividades que não têm relação alguma com determinado aspecto de minha vida como tentativa de anestesiar a dor gerada pela carência não passa de uma tentativa em vão de viver em paz. É como optar por deixar que um membro se atrofie ao invés de investir um mínimo de esforço para que o mesmo se recupere. É burrice, em sua mais pura e genuína forma - pra não dizer ignorância.
Mas, é necessário relembrar, por pouco tais erros não foram cometidos. Isso significa que não houve erro algum. Talvez seja metáfora demais para um texto só, mas como o blog é meu... A sensação é a mesma de ter um pênalti a seu favor aos 48 do segundo tempo. Apenas um gol, e serás o campeão. Levará o título, a glória e a conquista para casa. Talvez seja muita responsabilidade, os pessimistas certamente veriam assim. Mas os otimistas, sem dúvida, agradeceriam eternamente pela simples oportunidade de resgatar sua vitória.
Segundos depois, o chute já fora dado. Nunca discordei daqueles que crêem na relatividade do tempo. É só abrir mão de controlá-lo, por medo ou ansiedade, que ele foge. Escorre, escapa sorrateiramente, sem que ao menos possamos perceber.
Nesse exato instante, a bola corre, pula, voa em direção ao gol. Antes não existissem obstáculos, mas não há nada mais realista quando se trata de retratar a vida do que representar as incontáveis resistências que se opõem e se impõem a cada segundo. Subitamente, o tempo mudou de idéia e resolveu se arrastar. Parece um bebê, aprendendo a engatinhar e frustrando-se a cada nova tentativa. Lento como só, me agoniza.
Mas compensa a dor que me provoca ao me deixar assistir de camarote toda a trajetória da bola ao seu destino. Milimetricamente falando. Não tenho a mínima idéia de onde o projétil vai parar. Se irão impedí-lo de chegar ao seu destino, eu não sei. Nunca saberei, a não ser que aqui permaneça, assistindo pacientemente sua viagem.
O tempo é o senhor da razão. Ele sabe, mais do que qualquer um, o que faz. Talvez eu soubesse o que estava fazendo quando dei meu chute. Foi um chute exaltado, completamente passional. Mas não significa que tenha se tratado de um impulso. Eu conhecia meus riscos, minhas probabilidades e chances de acertar ou não. Sem pestanejar, me arrisquei. E me arriscaria novamente, quantas vezes fossem necessárias para que desse certo.
Ninguém além do tempo pode me dizer se vai valer a pena, ou não, ter arriscado. Mas que eu quero que valha... ahh, se quero...!
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Só pra constar
A minha vida anda tão contraditória que eu me sinto num constante jogo do "muda".
Quer ver? Eu mostro...
Vida: Aí tem um cara...
Eu: E eu fiquei com esse cara. - Vida: MUDA!
Eu: E minha irmã ficou com esse cara. - Vida: MUDA!
Eu: E minha irmã tá namorando esse cara. - Vida: Beleza.
Vida: Dois mil e nove começou e...
Eu: E eu vou pra faculdade. - Vida: MUDA!
Eu: E eu vou ficar sem fazer nada! - Vida: MUDA!
Eu: E eu vou trabalhar que nem uma corna. - Vida: That's what I'm talking 'bout, bitch.
Então, é isso.
Não que esses fatos me incomodem, só pra fazer uma graça da minha situação atual mesmo.
eu acho.
Quer ver? Eu mostro...
Vida: Aí tem um cara...
Eu: E eu fiquei com esse cara. - Vida: MUDA!
Eu: E minha irmã ficou com esse cara. - Vida: MUDA!
Eu: E minha irmã tá namorando esse cara. - Vida: Beleza.
Vida: Dois mil e nove começou e...
Eu: E eu vou pra faculdade. - Vida: MUDA!
Eu: E eu vou ficar sem fazer nada! - Vida: MUDA!
Eu: E eu vou trabalhar que nem uma corna. - Vida: That's what I'm talking 'bout, bitch.
Então, é isso.
Não que esses fatos me incomodem, só pra fazer uma graça da minha situação atual mesmo.
eu acho.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
A Cena dos Sonhos
Eu já estava começando a ficar tonta. Minhas amigas haviam todas sumido com desconhecidos os quais elas não reconheceriam no dia seguinte, nem sob tortura. E eu ali, com ele, sozinha. Tudo bem, no meio de muita gente que parecia tentar dançar, mas a sensação que eu tinha é de que estávamos a sós. Se não fosse todo aquele suor, eu poderia jurar que não havia mais ninguém por perto.
Nós dois, que finalmente nos reencontramos, por força do destino - ou do álcool - estávamos agindo como se aquela barreira invisível que insistia em nos constranger nunca houvesse existido. Eu poderia culpar a música, as luzes, ou todo o ambiente e sua atmosfera convidativa, mas prefiro acreditar que, não importa onde estivéssemos, estaríamos com exatamente aqueles mesmos sorrisos ridículos em nossas caras.
Mas eu ainda não estava completamente segura do que estava fazendo. Os empurrões constantes que faziam com que eu me mantivesse numa distância quase inexistente dele ainda estavam me incomodando um pouco. Foi nessa hora em que ele me pegou pela mão. Não foi a primeira vez na vida, na noite também não. Mas, mesmo assim, toda vez que ele encostava em mim daquela forma, eu sentia um choque, um arrepio. Eu não sei dizer muito bem o que era, mas tenho certeza que não desmaiei por sorte em todas essas vezes.
Para Nat, com (e sobre) todo o amor que houver nessa vida.
Nós dois, que finalmente nos reencontramos, por força do destino - ou do álcool - estávamos agindo como se aquela barreira invisível que insistia em nos constranger nunca houvesse existido. Eu poderia culpar a música, as luzes, ou todo o ambiente e sua atmosfera convidativa, mas prefiro acreditar que, não importa onde estivéssemos, estaríamos com exatamente aqueles mesmos sorrisos ridículos em nossas caras.
Mas eu ainda não estava completamente segura do que estava fazendo. Os empurrões constantes que faziam com que eu me mantivesse numa distância quase inexistente dele ainda estavam me incomodando um pouco. Foi nessa hora em que ele me pegou pela mão. Não foi a primeira vez na vida, na noite também não. Mas, mesmo assim, toda vez que ele encostava em mim daquela forma, eu sentia um choque, um arrepio. Eu não sei dizer muito bem o que era, mas tenho certeza que não desmaiei por sorte em todas essas vezes.
Para Nat, com (e sobre) todo o amor que houver nessa vida.
sexta-feira, 6 de março de 2009
Ahh, menina!
Ali, ó. Minha filha é aquela ali, a mais pra direita, do cabelo mais comprido. Eu vivo dizendo pra ela cortar esse cabelo, que essa ponta tá um horror, mas ela não corta. Tá tudo quebrado, precisando de uma hidratação, tá vendo não? Horrível... Ah, pois é, minha filha, com certeza. Não me escuta de jeito nenhum, só escuta aquelas amiguinhas dela. Já falei pra ela tomar jeito, que dinheiro não dá em árvore, que a vida não é só ficar indo pra festinha e ficar no telefone a tarde inteira, mas cadê que me escuta? A mãe é sempre a chata, né...
Ó, tá ela vindo ali, ó... Oooi, filha, mamãe tava falando agora de você com a mãe do Paulinho. Ih, filha, que vergonha, que nada, mamãe só fala bem, você sabe. Menina é engraçado, né? Reclama de tudo, tudo é vergonha, tudo é mico, ainda mais nessa fase... Dá um trabalho, Nossa Senhora!
Ah, mas estudar ela estuda, sempre foi estudiosa. O pai fica cheio do orgulho, dá presente, uma coisa! Ô Jesus, o seu não gosta de estudar não? Ahhh... Mas isso tem que acostumar desde cedo, né? Estudo é costume, tem que ter horário de estudo desde criança pra poder se habituar. Essa aqui desde pequena faz dever, estuda pra prova. Precisa ver, menina! Adora matemática, né filha? Olha, meu marido é doido pra ela fazer engenharia, fica todo orgulhoso só de pensar na filha seguir a carreira dele. Pois é, né, por causa da empresa, mas ela agora cismou que quer ser professora. Não pode nem falar perto dele que já ele já fecha a cara.
Ah, filha, quê que tem? Deixa mamãe falar... Eu tô conversando, você não conversa com as suas amigas? Vai ali na quadra, vai. Paulinho tá jogando futebol com os outros meninos, vai lá assistir. Agora deu pra isso, vê se pode. Não pode nem tocar no assunto dessa história da engenharia que ela já fica toda sentida...
E teu marido, faz o que? Aaaaaaaaaaaaaah, menina! Não acredito, tá separando? Mas por quê? Ah, mas ele era um homem tão educado, tratava todo mundo tão bem... No elevador, sempre cumprimentava a gente, dava bom dia, boa tarde, boa noite, mexia com o Cláudio... Outro dia até falei, "Ô bem, vê com ele de tomar uma cervejinha". Ah, mas é aquela coisa, né? Quando não tá dando mais, tem que separar, mesmo... Você vê, a Márcia, do 502, ficou nove anos casada com aquele ex-marido dela lá, o meio maluquinho, sabe quem é? Pois é, mas, menina, só brigavam, era uma coisa horrível! Dava pra ouvir no corredor, às vezes até de dentro de casa a gente escutava a brigalhada dos dois. Mas é... um absurdo, menina, não dá pra ficar empurrando casamento condenado com a barriga não.
Ahhh, mas já vai subir? Pois é, daqui a pouco eu também vou, vai dar a hora de fazer a janta mesmo. Tá bom então, vê se aparece, viu? Passa lá em casa pra gente tomar um cafezinho qualquer dia desses à tarde. Dá um beijo no Paulinho.
5 minutos depois.
Ihhhhhhh, Dona Lúcia, a senhora não sabe quem separou!
Ó, tá ela vindo ali, ó... Oooi, filha, mamãe tava falando agora de você com a mãe do Paulinho. Ih, filha, que vergonha, que nada, mamãe só fala bem, você sabe. Menina é engraçado, né? Reclama de tudo, tudo é vergonha, tudo é mico, ainda mais nessa fase... Dá um trabalho, Nossa Senhora!
Ah, mas estudar ela estuda, sempre foi estudiosa. O pai fica cheio do orgulho, dá presente, uma coisa! Ô Jesus, o seu não gosta de estudar não? Ahhh... Mas isso tem que acostumar desde cedo, né? Estudo é costume, tem que ter horário de estudo desde criança pra poder se habituar. Essa aqui desde pequena faz dever, estuda pra prova. Precisa ver, menina! Adora matemática, né filha? Olha, meu marido é doido pra ela fazer engenharia, fica todo orgulhoso só de pensar na filha seguir a carreira dele. Pois é, né, por causa da empresa, mas ela agora cismou que quer ser professora. Não pode nem falar perto dele que já ele já fecha a cara.
Ah, filha, quê que tem? Deixa mamãe falar... Eu tô conversando, você não conversa com as suas amigas? Vai ali na quadra, vai. Paulinho tá jogando futebol com os outros meninos, vai lá assistir. Agora deu pra isso, vê se pode. Não pode nem tocar no assunto dessa história da engenharia que ela já fica toda sentida...
E teu marido, faz o que? Aaaaaaaaaaaaaah, menina! Não acredito, tá separando? Mas por quê? Ah, mas ele era um homem tão educado, tratava todo mundo tão bem... No elevador, sempre cumprimentava a gente, dava bom dia, boa tarde, boa noite, mexia com o Cláudio... Outro dia até falei, "Ô bem, vê com ele de tomar uma cervejinha". Ah, mas é aquela coisa, né? Quando não tá dando mais, tem que separar, mesmo... Você vê, a Márcia, do 502, ficou nove anos casada com aquele ex-marido dela lá, o meio maluquinho, sabe quem é? Pois é, mas, menina, só brigavam, era uma coisa horrível! Dava pra ouvir no corredor, às vezes até de dentro de casa a gente escutava a brigalhada dos dois. Mas é... um absurdo, menina, não dá pra ficar empurrando casamento condenado com a barriga não.
Ahhh, mas já vai subir? Pois é, daqui a pouco eu também vou, vai dar a hora de fazer a janta mesmo. Tá bom então, vê se aparece, viu? Passa lá em casa pra gente tomar um cafezinho qualquer dia desses à tarde. Dá um beijo no Paulinho.
5 minutos depois.
Ihhhhhhh, Dona Lúcia, a senhora não sabe quem separou!
terça-feira, 3 de março de 2009
Amor Cor-de-telha
Pois bem, alguma hora eu teria de enfrentar tal fato. A questão é, eu não me apaixono. Eu me apego. E não às pessoas. Aos momentos, às cores, à velocidade com a qual o tempo voa quando tudo corre exatamente da maneira como a qual eu planejei. Ou melhor ainda.
É incrível quando me pego instantaneamente apaixonada - vamos fingir que eu me levo a sério - por alguém. O chão se abre. Metáforas a parte, me sinto eufórica. Mal falo, e tudo que sinto é vontade de gritar. É como se o indivíduo (ele ou ela, não tenho critérios de seleção para determinar por quem me encanto, apenas soa pretensioso demais para mim) automaticamente tornasse-se uma inspiração para mim. Como se, nele, a plenitude se encontrasse. Mas não uma plenitude serena e entediante. A paixão que subitamente se instala é maior que um amor ordinário de romances antigos. É imprevisível, e a total falta de controle sobre a mesma faz com que eu sinta uma vertigem inebriante.
Mas é óbvio que é um amor corriqueiro. Uma paixão volátil, que se desfaz como dente-de-leão ao sopro suave e repentino. Mas sem se desfazer de sua beleza. Jamais. Não importa quem seja. O quão irreal ou surreal é. É amor, um amor de graça. Sincero e honesto, disposto a dar o seu melhor a fim de obter a menor oportunidade que seja de realizar-se.
Mas, então, ao tornar-se real, a exposição à insensibilidade da rotina pode corroê-lo. É ela quem assopra o dente-de-leão. Sua fragilidade não é à prova dos obstáculos aos quais somos expostos constantemente. E é cruel ver uma raridade desfazer-se assim. Perder toda a sua beleza para a feiúra quase desfigurada do cotidiano.
O encanto, às vezes, só é mantido enquanto sonho. É onde fica guardada toda a graça das coisas efêmeras. É um risco o qual temos de correr para saber se vale a pena ou não tudo aquilo com o que sonhamos. Realizar um sonho e obter sucesso sem frustrar-se não é tão simples quanto parece. Na maioria das vezes, não conhecemos suficientemente bem nossos sonhos. Por isso é tão arriscado realizá-los. Que dirá então vivê-los mais de uma vez.
É aí que vive o risco de expor-nos à realidade. É uma prova de amor a um momento vivido arriscar uma boa lembrança, podendo arruiná-la definitavamente, em prol do novo sonho de poder revivê-la. Por isso que frequentemente opto por abrir mão de prolongar o improlongável.
Não só por isso, confesso. Quase sempre me falta coragem de encarar tudo que um possível amor propõe: constrangimentos, dores, dúvidas, inseguranças. Prefiro fazê-lo eu mesma antes que a vida cuide de sacrificar aquilo em que depositei minhas esperanças e eu seja obrigada a assistir à execução algo que eu mesma construí.
É assim que justifico minha forma de amar. Não é que eu substitua impiedosamente meu objeto de amor, eu apenas adianto um trabalho que a própria vida faria por mim. De uma forma muito menos dolorosa e cruel, obviamente.
E também sem deixar de recordar eternamente da beleza de cada dente-de-leão que assoprei.
É incrível quando me pego instantaneamente apaixonada - vamos fingir que eu me levo a sério - por alguém. O chão se abre. Metáforas a parte, me sinto eufórica. Mal falo, e tudo que sinto é vontade de gritar. É como se o indivíduo (ele ou ela, não tenho critérios de seleção para determinar por quem me encanto, apenas soa pretensioso demais para mim) automaticamente tornasse-se uma inspiração para mim. Como se, nele, a plenitude se encontrasse. Mas não uma plenitude serena e entediante. A paixão que subitamente se instala é maior que um amor ordinário de romances antigos. É imprevisível, e a total falta de controle sobre a mesma faz com que eu sinta uma vertigem inebriante.
Mas é óbvio que é um amor corriqueiro. Uma paixão volátil, que se desfaz como dente-de-leão ao sopro suave e repentino. Mas sem se desfazer de sua beleza. Jamais. Não importa quem seja. O quão irreal ou surreal é. É amor, um amor de graça. Sincero e honesto, disposto a dar o seu melhor a fim de obter a menor oportunidade que seja de realizar-se.
Mas, então, ao tornar-se real, a exposição à insensibilidade da rotina pode corroê-lo. É ela quem assopra o dente-de-leão. Sua fragilidade não é à prova dos obstáculos aos quais somos expostos constantemente. E é cruel ver uma raridade desfazer-se assim. Perder toda a sua beleza para a feiúra quase desfigurada do cotidiano.
O encanto, às vezes, só é mantido enquanto sonho. É onde fica guardada toda a graça das coisas efêmeras. É um risco o qual temos de correr para saber se vale a pena ou não tudo aquilo com o que sonhamos. Realizar um sonho e obter sucesso sem frustrar-se não é tão simples quanto parece. Na maioria das vezes, não conhecemos suficientemente bem nossos sonhos. Por isso é tão arriscado realizá-los. Que dirá então vivê-los mais de uma vez.
É aí que vive o risco de expor-nos à realidade. É uma prova de amor a um momento vivido arriscar uma boa lembrança, podendo arruiná-la definitavamente, em prol do novo sonho de poder revivê-la. Por isso que frequentemente opto por abrir mão de prolongar o improlongável.
Não só por isso, confesso. Quase sempre me falta coragem de encarar tudo que um possível amor propõe: constrangimentos, dores, dúvidas, inseguranças. Prefiro fazê-lo eu mesma antes que a vida cuide de sacrificar aquilo em que depositei minhas esperanças e eu seja obrigada a assistir à execução algo que eu mesma construí.
É assim que justifico minha forma de amar. Não é que eu substitua impiedosamente meu objeto de amor, eu apenas adianto um trabalho que a própria vida faria por mim. De uma forma muito menos dolorosa e cruel, obviamente.
E também sem deixar de recordar eternamente da beleza de cada dente-de-leão que assoprei.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Classificados
Não pode ser tão difícil. Não é possível que seja tão inalcançável quanto parece a idéia de arranjar alguém que se disponha a conviver comigo de maneira afetuosa e fiel.
Quer dizer, eu nem sou tão exigente assim. Sou só meio chata (sabe, era bom suportar a minha chatice, por questões de convívio mesmo). E, por chatice, eu quero dizer ansiedade, impaciência, exigência, neurose, obsessão. Fora isso, nada muito absurdo. Eu não sou preconceituosa, muito pelo contrário: respeito é fundamental! Se tem algo que eu não tolero é intolerância.
Sendo mais objetiva, a parte prática é bem menos confusa. Eu só reclamo de barulho quando leio ou escrevo, durmo sob quaisquer condições (até, em pé. mesmo.), não fico resmungona quando estou no trânsito. Não fico doente com muita frequencia. Na verdade, só quando durmo no ventilador. Gasto um pouco além do que posso, mas estou trabalhando nisso. Durmo tarde sem problemas, pra eu acordar tarde é mais fácil ainda.
Faço listas pra tudo, canto o dia inteiro, falo alto e chamo atenção. Ainda não me posicionei sobre a questão do ciúme, mas isso pode ser visto como um ponto a favor do indivíduo a se candidatar para o cargo em questão. Tenho mania de vermelho, rôo unha de vez em quando, não deixo mais a toalha molhada em cima da cama. Saio aos fins de semana, mas acompanhada a experiência pode até ser melhor.
Ouço música de todo o tipo, leio o suficiente (sobre aquilo que me interessa, obviamente) e escrevo bastante. Falo, como e durmo mais do que o necessário, mas quem não o faz? Admito que bebo além da conta - outro ponto no qual tenho trabalhado -, mas, para compensar, abro mão tranquilamente de uma xícara de café. Tenho estrias, algumas raras celulites e minha bunda não é tão durinha quanto deveria ser (considerando-se minha juventude), mas a academia é uma selva da qual eu definitivamente não faço parte.
Não ajo por impulso, reflito sobre tudo ao meu redor, não costumo temer as coisas. Não sou de sentir dor, não tenho medo de dentista e adoro montanha-russa. Gosto de girar até ficar tonta, comer até passar mal, beber até criar coragem de dizer (ou fazer) tudo aquilo que a sobriedade faz questão de reprimir.
Não resisto a crianças, tenho vontade de roubar os filhos alheios para poder apertá-los até não poderem mais respirar. Mas isso não significa que eu pretenda ter os meus. Não tão cedo. Minha mãe não é a pessoa mais equilibrada que eu conheço. Mas é a mais inconveniente (não é por isso que eu vou deixar de amá-la). Acredito em Deus e tenho fé, mas isso é o máximo de religiosidade que pode se encontrar em mim.
Aceito vícios, manias e tiques. Contanto que aceitem os meus. Garanto um sorriso quase incondicional, discussões fervorosas e respostas irônicas. Desculpas arrependidas, presentes criativos e beijos longos. E, é claro, o meu diferencial: duvido que haja um cafuné melhor que o meu.
Quer dizer, eu nem sou tão exigente assim. Sou só meio chata (sabe, era bom suportar a minha chatice, por questões de convívio mesmo). E, por chatice, eu quero dizer ansiedade, impaciência, exigência, neurose, obsessão. Fora isso, nada muito absurdo. Eu não sou preconceituosa, muito pelo contrário: respeito é fundamental! Se tem algo que eu não tolero é intolerância.
Sendo mais objetiva, a parte prática é bem menos confusa. Eu só reclamo de barulho quando leio ou escrevo, durmo sob quaisquer condições (até, em pé. mesmo.), não fico resmungona quando estou no trânsito. Não fico doente com muita frequencia. Na verdade, só quando durmo no ventilador. Gasto um pouco além do que posso, mas estou trabalhando nisso. Durmo tarde sem problemas, pra eu acordar tarde é mais fácil ainda.
Faço listas pra tudo, canto o dia inteiro, falo alto e chamo atenção. Ainda não me posicionei sobre a questão do ciúme, mas isso pode ser visto como um ponto a favor do indivíduo a se candidatar para o cargo em questão. Tenho mania de vermelho, rôo unha de vez em quando, não deixo mais a toalha molhada em cima da cama. Saio aos fins de semana, mas acompanhada a experiência pode até ser melhor.
Ouço música de todo o tipo, leio o suficiente (sobre aquilo que me interessa, obviamente) e escrevo bastante. Falo, como e durmo mais do que o necessário, mas quem não o faz? Admito que bebo além da conta - outro ponto no qual tenho trabalhado -, mas, para compensar, abro mão tranquilamente de uma xícara de café. Tenho estrias, algumas raras celulites e minha bunda não é tão durinha quanto deveria ser (considerando-se minha juventude), mas a academia é uma selva da qual eu definitivamente não faço parte.
Não ajo por impulso, reflito sobre tudo ao meu redor, não costumo temer as coisas. Não sou de sentir dor, não tenho medo de dentista e adoro montanha-russa. Gosto de girar até ficar tonta, comer até passar mal, beber até criar coragem de dizer (ou fazer) tudo aquilo que a sobriedade faz questão de reprimir.
Não resisto a crianças, tenho vontade de roubar os filhos alheios para poder apertá-los até não poderem mais respirar. Mas isso não significa que eu pretenda ter os meus. Não tão cedo. Minha mãe não é a pessoa mais equilibrada que eu conheço. Mas é a mais inconveniente (não é por isso que eu vou deixar de amá-la). Acredito em Deus e tenho fé, mas isso é o máximo de religiosidade que pode se encontrar em mim.
Aceito vícios, manias e tiques. Contanto que aceitem os meus. Garanto um sorriso quase incondicional, discussões fervorosas e respostas irônicas. Desculpas arrependidas, presentes criativos e beijos longos. E, é claro, o meu diferencial: duvido que haja um cafuné melhor que o meu.
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Caixa Postal
Olha só, é a última vez que eu vou repetir. Eu sei, eu sei, eu já disse que não iria te ligar de novo pra falar disso, mas você não me dá outra escolha.
Dessa semana não passa. Não passa, tá bom? Até sexta quero que suas coisas já estejam fora de casa. Não aguento mais olhar pra sua calça jeans, ela me lembra o quão chato você é pra escolher qualquer roupa. Uma cueca que seja. Por DEUS, será que você nunca vai deixar de ser tão teimoso? Quando eu dizia que a roupa vestiu bem, não era pra te sacanear. Se você realmente estivesse parecendo um jeca com as calças pescando, eu diria. Eu não mentiria por algo tão babaca. Não naquela época. Mas de um tempo pra cá você bem que tem merecido.
Aliás, você só tem me dado dor de cabeça. Despesas sem fim só por sua causa. Aquele seu perfume maldito já me fez mandar estofar os dois sofás. Já tem quase um ano que você voltou praí e a sala permanece impregnada com aquele cheiro. Você não imagina o quão infernal é a convivência com esse odor. Parece que toda a ânsia de vômito que eu sentia voltou, não sei como eu pude me acostumar com você exalando aquilo o dia inteiro. A cama não teve jeito, no primeiro mês eu comprei outra. O quarto ficou até mais bonitinho, eu sempre falava em trocar, mas você muquirana do jeito que é, né...
Muquirana e mentiroso! Porra, sua mãe ainda continua falando mal de mim! Eu sabia que ainda era assunto nessa casa... Sua irmã me disse, deixou escapar outro dia lá no escritório que sempre que vocês jantam juntos ela dá graças a Deus que eu não estou mais ali pra atrapalhar a refeição com minha falta de modos. De quanto tempo ela vai precisar pra me esquecer? Não foi com ela que eu passei cinco anos e meio casada, não faço questão de suas críticas, por favor.
Não duvido nada de que você velho fique igualzinho. Só reclama, mas que inferno. Morro de vergonha só de lembrar daquele jantar que deu a confusão da reserva no japonês. Outro dia tomei coragem pra voltar lá e até que me trataram bem. Quer dizer, não sei, né? Podem ter cuspido na minha comida. Vai que me reconheceram e lembraram do escândalo que você fez...
Anteontem fui na casa da Carla e a Julinha desandou a perguntar de você. Mas que merda, não é possível que ela não te esqueça. Memória de criança é foda. Eu só falava "Ju, vamo tomar sorvete com a tia.", oferecia tudo que me vinha à cabeça e ela falando que sorvete napolitano lembrava aquela viagem em que a gente levou ela pra Búzios. Até que não foi ruim, de fato. O chopp ainda não tinha dado uma forma tão inegavelmente esférica à sua barriga e você ainda me deixava falar palavrão em paz.
Puta merda, vou ter que desligar. Tem blitz ali na frente, sempre dá merda quando eu falo no telefone dirigindo, é de lei. Suas coisas tão numa caixa do lado do móvel da tv, perto da porta. A bola de vôlei tá indo junto, não quero mais aquela merda também, não. Você me encheu tanto o saco, agora leva. Se passar de sexta eu deixo a caixa na portaria, não tô brincando não, hein? Não... melhor: depois de sexta vai tudo janela abaixo. Já vi que vou ter que me fazer de louca pra me livrar das suas coisas, só assim que funciona, pra variar.
E deixa a chave perto dos porta-retratos, cansei de você me enrolando pra me entregar essa merda já. Senão eu vou trocar as fechaduras todas.
Última vez que eu te ligo, hein? Não ligo mais nã...
Caralho, a polícia me parou. Mais 50 reais por sua causa, vou botar na sua conta. Tchau.
Dessa semana não passa. Não passa, tá bom? Até sexta quero que suas coisas já estejam fora de casa. Não aguento mais olhar pra sua calça jeans, ela me lembra o quão chato você é pra escolher qualquer roupa. Uma cueca que seja. Por DEUS, será que você nunca vai deixar de ser tão teimoso? Quando eu dizia que a roupa vestiu bem, não era pra te sacanear. Se você realmente estivesse parecendo um jeca com as calças pescando, eu diria. Eu não mentiria por algo tão babaca. Não naquela época. Mas de um tempo pra cá você bem que tem merecido.
Aliás, você só tem me dado dor de cabeça. Despesas sem fim só por sua causa. Aquele seu perfume maldito já me fez mandar estofar os dois sofás. Já tem quase um ano que você voltou praí e a sala permanece impregnada com aquele cheiro. Você não imagina o quão infernal é a convivência com esse odor. Parece que toda a ânsia de vômito que eu sentia voltou, não sei como eu pude me acostumar com você exalando aquilo o dia inteiro. A cama não teve jeito, no primeiro mês eu comprei outra. O quarto ficou até mais bonitinho, eu sempre falava em trocar, mas você muquirana do jeito que é, né...
Muquirana e mentiroso! Porra, sua mãe ainda continua falando mal de mim! Eu sabia que ainda era assunto nessa casa... Sua irmã me disse, deixou escapar outro dia lá no escritório que sempre que vocês jantam juntos ela dá graças a Deus que eu não estou mais ali pra atrapalhar a refeição com minha falta de modos. De quanto tempo ela vai precisar pra me esquecer? Não foi com ela que eu passei cinco anos e meio casada, não faço questão de suas críticas, por favor.
Não duvido nada de que você velho fique igualzinho. Só reclama, mas que inferno. Morro de vergonha só de lembrar daquele jantar que deu a confusão da reserva no japonês. Outro dia tomei coragem pra voltar lá e até que me trataram bem. Quer dizer, não sei, né? Podem ter cuspido na minha comida. Vai que me reconheceram e lembraram do escândalo que você fez...
Anteontem fui na casa da Carla e a Julinha desandou a perguntar de você. Mas que merda, não é possível que ela não te esqueça. Memória de criança é foda. Eu só falava "Ju, vamo tomar sorvete com a tia.", oferecia tudo que me vinha à cabeça e ela falando que sorvete napolitano lembrava aquela viagem em que a gente levou ela pra Búzios. Até que não foi ruim, de fato. O chopp ainda não tinha dado uma forma tão inegavelmente esférica à sua barriga e você ainda me deixava falar palavrão em paz.
Puta merda, vou ter que desligar. Tem blitz ali na frente, sempre dá merda quando eu falo no telefone dirigindo, é de lei. Suas coisas tão numa caixa do lado do móvel da tv, perto da porta. A bola de vôlei tá indo junto, não quero mais aquela merda também, não. Você me encheu tanto o saco, agora leva. Se passar de sexta eu deixo a caixa na portaria, não tô brincando não, hein? Não... melhor: depois de sexta vai tudo janela abaixo. Já vi que vou ter que me fazer de louca pra me livrar das suas coisas, só assim que funciona, pra variar.
E deixa a chave perto dos porta-retratos, cansei de você me enrolando pra me entregar essa merda já. Senão eu vou trocar as fechaduras todas.
Última vez que eu te ligo, hein? Não ligo mais nã...
Caralho, a polícia me parou. Mais 50 reais por sua causa, vou botar na sua conta. Tchau.
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Sobre temer e ser temido
Eu adoro meter medo nas pessoas.
Basicamente, é isso. Simples assim, sem muitos rodeios. Complicação nenhuma praticamente.
Em teoria, é algo meio óbvio de se gostar, mas não são todos que são providos da perspicácia e da sagacidade (estou num dia muito modesto, eu sei) necessárias para se perceber o quão proveitosa pode ser a experiência de ser temido.
O medo invariavelmente gera respeito, devido à ameaça de perda causada por terceiros. Ok, parece viagem, mas não é. Esclarecendo: aqueles que têm algo a perder tendem a ser mais medrosos do que os que já estão na merda. "Se você não tem nada, não tem nada a perder."
Pobres indivíduos, procurando algo para atormentar seus dias incessantemente. Pessoas assim têm algo que preencha suas vidas. Têm preocupações e têm prazeres. Mas, por mais que suas vidas pareçam completas, constantemente procuram uma forma de submeterem-se a algo novo. Uma doutrina, uma religião, uma pessoa. E é aí que eu entro.
A parte difícil fica por conta da prática do negócio. Geralmente, a mais frequente das situações é uma cena de ciúmes. Eles sempre aparecem na primeira oportunidade que têm: insegurança, desconfiança, remorso, consciência pesada, falta do que fazer... tudo é motivo pra deixar um babaca enciumado. O que me resta a fazer é dar um real motivo para que se preocupem. Entenda, se não fosse eu, seria algum outro indivíduo se divertindo às custas do medo alheio - intencionalmente ou não.
Mas isso acontece o tempo inteiro. O ciúme é apenas um exemplo dentro das infinitas situações que são criadas nos mais variados tipos de relacionamento. Filhos temem pais, crentes temem Deus, atuais temem exs (isso existe?), fracos temem fortes.
Não digo que não tenho medos, hipocrisia não me agrada. Mas faço questão de escolher a dedo aquilo que vai me tirar o sono.
E você, do que tem medo?
Basicamente, é isso. Simples assim, sem muitos rodeios. Complicação nenhuma praticamente.
Em teoria, é algo meio óbvio de se gostar, mas não são todos que são providos da perspicácia e da sagacidade (estou num dia muito modesto, eu sei) necessárias para se perceber o quão proveitosa pode ser a experiência de ser temido.
O medo invariavelmente gera respeito, devido à ameaça de perda causada por terceiros. Ok, parece viagem, mas não é. Esclarecendo: aqueles que têm algo a perder tendem a ser mais medrosos do que os que já estão na merda. "Se você não tem nada, não tem nada a perder."
Pobres indivíduos, procurando algo para atormentar seus dias incessantemente. Pessoas assim têm algo que preencha suas vidas. Têm preocupações e têm prazeres. Mas, por mais que suas vidas pareçam completas, constantemente procuram uma forma de submeterem-se a algo novo. Uma doutrina, uma religião, uma pessoa. E é aí que eu entro.
A parte difícil fica por conta da prática do negócio. Geralmente, a mais frequente das situações é uma cena de ciúmes. Eles sempre aparecem na primeira oportunidade que têm: insegurança, desconfiança, remorso, consciência pesada, falta do que fazer... tudo é motivo pra deixar um babaca enciumado. O que me resta a fazer é dar um real motivo para que se preocupem. Entenda, se não fosse eu, seria algum outro indivíduo se divertindo às custas do medo alheio - intencionalmente ou não.
Mas isso acontece o tempo inteiro. O ciúme é apenas um exemplo dentro das infinitas situações que são criadas nos mais variados tipos de relacionamento. Filhos temem pais, crentes temem Deus, atuais temem exs (isso existe?), fracos temem fortes.
Não digo que não tenho medos, hipocrisia não me agrada. Mas faço questão de escolher a dedo aquilo que vai me tirar o sono.
E você, do que tem medo?
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Silêncio Corrosivo
Havia só umas duas semanas desde que começamos a sair. Não éramos íntimos até então, não tínhamos posto apelidinhos esdrúxulos um no outro, nem fazíamos piadinhas sobre como o jeito eu sentava em seu colo fazia parecer que eu era paraplégica.
Basicamente, éramos estranhos que se beijavam ocasionalmente.
Sempre fui de falar, de rir, engraçadinha - até meio babaca depois de uns goles. Ele, tímido. E confesso que talvez eu o acanhasse mais ainda. Acidentalmente, claro. Não tinha a intenção de fazer com que ele falasse menos do que já falava (que era nada).
Obviamente fui eu quem o convidou para sair. Obviamente fomos ao shopping. Obviamente íamos ao cinema.
Na verdade, minha intenção inicial foi chamá-lo para assistir a um jogo de futebol de nosses times. Parecia imperdível a oportunidade de torcer para o time que adotei do meu ex, enquanto meu possível futuro torcia para o time rival na cadeira ao lado. Mas acontece que eu não sou uma pessoa lá de muita sorte, e o bar resolveu que era melhor exibir o jogo do Botafogo no lugar do jogo do Vasco. Ok... Beleza então. Cinema, né?
Mas, como não contávamos com tal infortúnio e a minha sorte fazia questão de cagar tudo de vez, tivemos que esperar quase uma hora para a próxima sessão do filme que eu decidira escolher. Não, eu não poderia abrir mão de tal escolha. Com ele, ser feminista era peça fundamental na graça da relação. Imposição de escolhas: satisfação garantida ou sua solteirice de volta.
A situação começou a se agravar quando percebi o quão torturante a próxima hora seria. Apenas silêncio. Um silêncio ácido, que corroía minhas veias a cada segundo que se passava sem palavras. Não tenho necessidade de permanecer falando o tempo inteiro. Consigo conviver em silêncio com uma série de pessoas, e às vezes deixo até de falar sozinha. Mas aquele silêncio... aquele silêncio não.
A cada cinco minutos sem proferir uma palara, o indivíduo parecia que se obrigava a soltar um palavrão. UM PALAVRÃO! Quem é que se sente confortável ao ouvir um "Caralho..." interrompendo subitamente seus pensamentos? Pois é. Depois de meia hora dá vontade de se matar. Ou de matar o infeliz, mais fácil.
Então eu comecei:
- Porque você fica quieto?
- Eu não tenho o que falar, só isso.
- Mas se você não tem o que falar, por que fica aí xingando? Não quisesse vir, não vinha, ué.
- Não é isso... é só... mania.
- Mania? Não é mania. Você tá incomodado.
- Eu não tô incomodado.
- Tá sim. Quando a gente se sente plenamente confortável ao lado de alguém, a gente fica em silêncio sem se incomodar. Não fica xingando aí de graça.
- Pffff... Tá então.
5 minutos depois:
- Pooooooorra.
- ???
- Fala alguma coisa aí.
- Ué, eu tô bem. Quer conversar, inventa um assunto aí.
- Ah, não sei, que merda. Pensa aí você, sei lá.
- Eu já disse que tô bem. Quem quer ficar falando é você, você que puxe assunto.
- Caralho...
- Já deu a hora do cinema?
Felizmente, me deu uma luz e eu resolvi comprar besteiras pra levar e comer no cinema. Saímos daquele ping-pong escroto e o assunto seguiu.
Já a nossa relação...
Basicamente, éramos estranhos que se beijavam ocasionalmente.
Sempre fui de falar, de rir, engraçadinha - até meio babaca depois de uns goles. Ele, tímido. E confesso que talvez eu o acanhasse mais ainda. Acidentalmente, claro. Não tinha a intenção de fazer com que ele falasse menos do que já falava (que era nada).
Obviamente fui eu quem o convidou para sair. Obviamente fomos ao shopping. Obviamente íamos ao cinema.
Na verdade, minha intenção inicial foi chamá-lo para assistir a um jogo de futebol de nosses times. Parecia imperdível a oportunidade de torcer para o time que adotei do meu ex, enquanto meu possível futuro torcia para o time rival na cadeira ao lado. Mas acontece que eu não sou uma pessoa lá de muita sorte, e o bar resolveu que era melhor exibir o jogo do Botafogo no lugar do jogo do Vasco. Ok... Beleza então. Cinema, né?
Mas, como não contávamos com tal infortúnio e a minha sorte fazia questão de cagar tudo de vez, tivemos que esperar quase uma hora para a próxima sessão do filme que eu decidira escolher. Não, eu não poderia abrir mão de tal escolha. Com ele, ser feminista era peça fundamental na graça da relação. Imposição de escolhas: satisfação garantida ou sua solteirice de volta.
A situação começou a se agravar quando percebi o quão torturante a próxima hora seria. Apenas silêncio. Um silêncio ácido, que corroía minhas veias a cada segundo que se passava sem palavras. Não tenho necessidade de permanecer falando o tempo inteiro. Consigo conviver em silêncio com uma série de pessoas, e às vezes deixo até de falar sozinha. Mas aquele silêncio... aquele silêncio não.
A cada cinco minutos sem proferir uma palara, o indivíduo parecia que se obrigava a soltar um palavrão. UM PALAVRÃO! Quem é que se sente confortável ao ouvir um "Caralho..." interrompendo subitamente seus pensamentos? Pois é. Depois de meia hora dá vontade de se matar. Ou de matar o infeliz, mais fácil.
Então eu comecei:
- Porque você fica quieto?
- Eu não tenho o que falar, só isso.
- Mas se você não tem o que falar, por que fica aí xingando? Não quisesse vir, não vinha, ué.
- Não é isso... é só... mania.
- Mania? Não é mania. Você tá incomodado.
- Eu não tô incomodado.
- Tá sim. Quando a gente se sente plenamente confortável ao lado de alguém, a gente fica em silêncio sem se incomodar. Não fica xingando aí de graça.
- Pffff... Tá então.
5 minutos depois:
- Pooooooorra.
- ???
- Fala alguma coisa aí.
- Ué, eu tô bem. Quer conversar, inventa um assunto aí.
- Ah, não sei, que merda. Pensa aí você, sei lá.
- Eu já disse que tô bem. Quem quer ficar falando é você, você que puxe assunto.
- Caralho...
- Já deu a hora do cinema?
Felizmente, me deu uma luz e eu resolvi comprar besteiras pra levar e comer no cinema. Saímos daquele ping-pong escroto e o assunto seguiu.
Já a nossa relação...
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Deixa pra lá
Odeio essa sensação de falta de rumo que toma conta de mim às vezes. Não é algo que ocorra com tanta frequência a ponto de me enlouquecer, ou seja tão forte a ponto de me desnortear completamente, mas é chato. E ninguém gosta de algo chato. Simples assim. Funciona como uma falta de resposta. Mas eu sequer tenho a pergunta, o que fazer...?
É chato não ter um plano para o que se segue, é chato ter que lidar com a falta de controle sobre a própria vida, ainda mais sendo alguém tão neuroticamente controlador como eu. Eu vivo mandando nas coisas ao meu redor, por que não mandar no meu destino?
Não saber o que escrever, não saber o que fazer, ou qual decisão tomar. Não saber pra onde ir, não saber o que estudar. Não saber se devo trabalhar. A sensação de ter o poder de tomar uma decisão em minhas mãos me agrada, afaga meu ego e me embala docemente. Mas o fato de eu ser quem sou, uma pobre criatura ansiosa, transforma toda essa liberdade em um bicho de mil cabeças que eu nunca sei se estou realmente pronta para enfrentar.
Tudo isso me enlouquece. A inércia chega a doer, provocar aquela pontada que arde no peito quando estou prestes a começar algo. Detesto começar projetos, fases, textos, trabalhos. Qualquer coisa que exija um esforço inicial me parece uma montanha a escalar.
Pretendia escrever mais, muito mais... Pessoas chatas ao meu redor, projetos que pegam o embalo depois do sacrifício que é começá-los, planos que se desfazem ao longo de suas respectivas execuções. Mas minha mãe entrou no quarto falando algo sobre CDs velhos e passou um carro vendendo uvas fresquinhas ("uma caixa é três real, duas caixa é cinco real") e... deixa pra lá.
É chato não ter um plano para o que se segue, é chato ter que lidar com a falta de controle sobre a própria vida, ainda mais sendo alguém tão neuroticamente controlador como eu. Eu vivo mandando nas coisas ao meu redor, por que não mandar no meu destino?
Não saber o que escrever, não saber o que fazer, ou qual decisão tomar. Não saber pra onde ir, não saber o que estudar. Não saber se devo trabalhar. A sensação de ter o poder de tomar uma decisão em minhas mãos me agrada, afaga meu ego e me embala docemente. Mas o fato de eu ser quem sou, uma pobre criatura ansiosa, transforma toda essa liberdade em um bicho de mil cabeças que eu nunca sei se estou realmente pronta para enfrentar.
Tudo isso me enlouquece. A inércia chega a doer, provocar aquela pontada que arde no peito quando estou prestes a começar algo. Detesto começar projetos, fases, textos, trabalhos. Qualquer coisa que exija um esforço inicial me parece uma montanha a escalar.
Pretendia escrever mais, muito mais... Pessoas chatas ao meu redor, projetos que pegam o embalo depois do sacrifício que é começá-los, planos que se desfazem ao longo de suas respectivas execuções. Mas minha mãe entrou no quarto falando algo sobre CDs velhos e passou um carro vendendo uvas fresquinhas ("uma caixa é três real, duas caixa é cinco real") e... deixa pra lá.
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