domingo, 27 de novembro de 2011

conjunto vazio

e se eu disser que o meu amor tem um jeito manso que é só seu
eu vou estar mentindo, porque eu não tenho amor -
é ele que me tem

me tem mas não tem
porque eu não tenho ninguém

nunca tive e quando tive
não tive ou tive
e nem tive o suficiente
pra dizer que te via
o quanto eu queria
ou o quanto bastasse
pra que esse amor durasse

mas aí não durou,
o barco furou
o barco virou
o barco afundou
e aviso aos navegantes que o mar não tá pra peixe -
qualquer amor que eu eu vejo, eu já peço:
NÃO ME DEIXE!

mas ele deixa
e eles deixam
deixam pra lá
e me deixam pra cá
carente
calada
caída

de amores
caídos
por aí
perdidos
achados
roubados
furtados
de mim

que nem tinha
nem tenho
nem tento
ter um amor pra dar...

a vida recomeçou

quando eu percebi que perder tudo
é uma ótima oportunidade
pra fingir que não se tinha nada

e o que eu tenho agora
é nada mais nada menos
do que a vontade de uma vida inteira
de ter tudo aquilo
que já era pra estar aqui

é bom sair daquela caixa
de tranqueiras
de sapatos
de ideias
e pensar com o lado de fora
da cabeça
(e da caixa também)

esquecer o pudor e o medo de fazer errado
até porque não existe fazer errado

errado é quem não faz

perder tudo
não é nada