quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

carta aos súditos

(uma mensagem do rei texugo)

vou te contar de uma ilha distante
homens de coração grande
mulheres de pé no chão

o fuso da ilha é diferente
o tempo passa quando a gente tem pressa
o tempo dá pra parar com a mão

ela é habitada por seres noturnos
que só acordam depois das três
e se antes disso forem vistos na rua
são zumbis-texugos, eu aviso a vocês

e todo ano tem metamorfose
não é a gente que escolhe
quando vê já mudou

de repente a temperatura sobe
a gente ouve pagode
samba, sambar, sambou

a gente vê que a primavera era trailer
flores são bonitas
mas não são feitas de amor

amor é suor sem sentido
fumar sem ser escondido
do leblon ao arpoador

e lá só se vive dessa maneira
sem eira nem beira
porque a gente é assim

grajamaica é mais que uma ilha
é uma família
que escolhi para mim

-

ps.
tanta rima, tanta poesia
mas o principal ainda não chegou:
compartilhem da minha euforia,
afrouxem os cintos, o verão começou!

fragmento

na verdade, eu acho que você é uma pessoa pouco sensível. sabe? eu te vejo como um ser completamente desprovido de sensibilidade de fato - aquela, individual e personalizada.

o que te atinge é superficial, o que te alcança é fulgás e efêmero, é fútil, é vulgar. o que te faz chorar é tão banal quanto o que emociona uma grávida ávida por emoção.

você não se surpreende com a vida, com o diferente, com o pessoal. você só gosta do elementar, do ordinário. você gosta dos filmes dublados porque tem preguiça de ler a legenda - você diz que não enxerga, mas quando quer ler as letrinhas miúdas do meu facebook pra depois vir falar mal de mim, você vê tudo - e acaba perdendo toda a sinceridade do texto original.

você vive assim: virando as costas pra verdade. só aceita a própria interpretação dos fatos e se elege a rainha da verdade. quando não passa de uma rainha de mentira.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

grajamília

AH, se os senhores soubessem
o quanto eu lhes devo
pelo muito que sinto
pelo pouco que falo
pelo tanto que penso
nesse pouco tempo
que passei com vocês

psycho killer

não vou fazer isso não
é o plano de saúde
que não planeja nada
só planifica
e amontoa
a dose de maldade boa
prestes a passar pelo túnel de dois reais

não vou fazer isso não
é o passeio egoísta
disfarçado de mundo
que por um segundo
te deixa enganar

não vou fazer isso não
é a coragem vestida de noiva
garantindo um segundo de prazer
a cada três outros momentos de tensão

não vou fazer isso não
é uma dose de antropologia barata
de horas de análise freudiana
ouvindo o gato Freud ronrornar

não vou fazer isso não
foi a melhor escolha da minha vida
por mais que ela só tenha sido seguida
por medo do que os outros vão pensar

no dia em que eu quis ver o mundo com outros olhos

eu não fumei maconha
eu saí sem óculos

Prazo de validade

Parece que perece
Prescreve
Estraga
Apodrece

Caduca
Fica ruim
Passa do ponto

Azeda
Dá mofo
Bolor

E eu só percebo
Quando o gosto ruim já tá na boca
A careta já tá na cara

Já é tarde:
Aí não serve mais pra nada

afinal somos lobos

tudo na vida é amor
até que se prove o contrário
afinal somos humanos:
ao final somos LOUCOS

afinal
ao final
ANIMAL

soft thai

o maior gato por lebre da história do grajaú

(porque, aqui, de leve não tem nada -
é mais jogo pedir pra viagem, me embalar
e levar pra casa

na sua, pode ser?)


domingo, 18 de dezembro de 2011

tudo vem

tudo bem
isso vai passar
assim como eu passei
mesmo que passe em passos lentos
mesmo que passe correndo
mesmo que passe sem perceber
mesmo que passe de mim pra você

eu sei que vai passar porque hoje eu vi você passando
e se você passa pra mim eu passo pra você
e se você passa por mim e eu não aceno pra você
eu juro, foi porque eu não enxerguei
pior você, que não acena enquanto vê
tudo bem, eu sei que passei pra você

domingo, 27 de novembro de 2011

conjunto vazio

e se eu disser que o meu amor tem um jeito manso que é só seu
eu vou estar mentindo, porque eu não tenho amor -
é ele que me tem

me tem mas não tem
porque eu não tenho ninguém

nunca tive e quando tive
não tive ou tive
e nem tive o suficiente
pra dizer que te via
o quanto eu queria
ou o quanto bastasse
pra que esse amor durasse

mas aí não durou,
o barco furou
o barco virou
o barco afundou
e aviso aos navegantes que o mar não tá pra peixe -
qualquer amor que eu eu vejo, eu já peço:
NÃO ME DEIXE!

mas ele deixa
e eles deixam
deixam pra lá
e me deixam pra cá
carente
calada
caída

de amores
caídos
por aí
perdidos
achados
roubados
furtados
de mim

que nem tinha
nem tenho
nem tento
ter um amor pra dar...

a vida recomeçou

quando eu percebi que perder tudo
é uma ótima oportunidade
pra fingir que não se tinha nada

e o que eu tenho agora
é nada mais nada menos
do que a vontade de uma vida inteira
de ter tudo aquilo
que já era pra estar aqui

é bom sair daquela caixa
de tranqueiras
de sapatos
de ideias
e pensar com o lado de fora
da cabeça
(e da caixa também)

esquecer o pudor e o medo de fazer errado
até porque não existe fazer errado

errado é quem não faz

perder tudo
não é nada

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Os Cinco Passos

1. fazer com que ele fique comigo
2. fazer com que ele fique comigo sóbrio
3. fazer com que ele fique comigo novamente
4. fazer com que ele fique comigo em público
5. fazer com que ele me namore

*desistir dele e procurar outra vítima

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

ainda bem que isso aqui existe


pra eu poder me impressionar com com as minhas impressões.

ainda em tempo: unbreakable não existe.

domingo, 28 de agosto de 2011

sábado, 14 de maio de 2011

Tri

Mas que triângulo é esse?
Que nunca se fecha
Que nunca se cruza - por completo

Que triângulo é esse?
Cujas arestas não se cruzam
Quiçá se encontram no infinito
São paralelas na sua perpendicularidade

Que triângulo é esse?
Que nunca se fecha
É mais um ciclo que não se completa
É incapaz de se encontrar em simultâneo

Que triângulo é esse?
Que se perde e reencontra
Prolonga, obtusa, endireita
Ora reto, ora agudo
Mas nunca triângulo

Que triângulo é esse?
Que nem triângulo é
Pois três retas paralelas
Só se encontram no infinito

domingo, 17 de abril de 2011

eu amo pra dentro

eu amo pra dentro
pensando alto
sufocando grito
falando sozinha
chorando baixinho
olhando de lado
escrevendo escondida
querendo muito
esperando pouco

eu amo pra dentro
sentada no cantinho
abraçando as pernas
e esperando ser abraçada
me balançando até me embalar
fazendo cafuné no travesseiro
ou as vezes até em mim

eu amo pra dentro
calada, quietinha
torcendo, frustrando
no segredo de um grito
no contágio de um sorriso
na alforria do beijo

eu amo pra dentro
pegando fôlego
indo à superfície
parando pra respirar
cada vez que eu resolvo

amar pra fora

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

(Quase) Soneto dos bêbis

e eis que uma longa caminhada
se torna uma curta pedalada
depois do rodízio de japonês
(que você comeu por mim e por mais três)

e eis que você sempre deita na minha cama
se declarando bebezinho-eu-ama
mexendo no relógio como se não houvesse hora
de chegar ou de ir embora

e eis que eu afirmo "você é meu homem"
e você se nega, "não tem nada a ver"
por mais que eu te ame hoje, amanhã e ontem
por mais que eu diga "é assim que é pra ser"

e o nosso soneto tem acento no nome
porque os outros - otários - não sabem nem ler
e se nem é soneto, não me interessa
regra é coisa de rádio, e a gente é bebê

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Chapter One: I would love you forever

Eu te amaria pra sempre, por mais que eu diga que não em todas as vezes que eu olho nos seus olhos bem séria e te mando ir embora. Eu nem sei porque eu tenho essa mania, na verdade. Mas, olha, se eu te convenço é só porque sou uma boa atriz.

Porque não há como não amar para sempre algo que foi construído para ser para sempre. Algo que dá frutos até mesmo no outono, quando todas as folhas já se foram e até a esperança não parece mais estar ali. Mas o amor ainda persiste em correr nas minhas, nas suas, nas nossas veias, e impressionantemente algo inesperado nos traz de volta um pro outro.

Pode ser uma música, um livro, um pensamento ou uma palavra. Quando a gente vê a gente já tá deitado falando numa língua que apenas duas das seis bilhões de pessoas que habitam este planeta sabem falar. E fazendo toda aquela coreografia que a gente já conhece de cor e nem por isso é menos gostosa de fazer. É bom beijar esse beijo que eu já conheço, você tem o melhor carinho que eu já vi - e o melhor puxão de cabelo também.

Depois disso tudo eu vejo como (e porque) eu te amo. Eu te amo porque eu cuido de você e você cuida de mim, porque a gente se completa num misto de desorganização negligente e de organização compulsiva que só a gente conhece. E eu te amo porque você me ensinou tudo sobre falar sempre a verdade e depois disso a minha vida mudou.

E também porque eu te conheço do começo ao fim e sei seus passos, pensamentos e pedidos antes mesmo de você pensar em pedi-los. E conheço as suas dúvidas também. E não é só isso - porque de nada adiantaria se eu soubesse de tudo isso e nada fizesse a respeito. Eu conheço cada detalhe e compartilho de cada um desses sentimentos com você.

E eu não sei se você sabe (a essa altura do campeonato já deve saber), mas me corrói saber que eu não posso mais fazer nada quanto a isso. A escolha é sua, meu amor. E eu sei que você - até então - escolheu viver o nosso amor, mas me dói até não sei onde mais ver que essa foi uma escolha sofrida para você. Porque, hoje, eu nos escolheria sorrindo, com a certeza de que optei pelo certo, pelo melhor.

E eu vou te provar que você também o fez, você vai ver. Mas, por enquanto, eu só te digo isso.

Eu te amaria para sempre.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

You lost me last night

Amor não enche barriga
Amor não cura ferida
Amor não apaga passado

Já faz tempo que você nem é mais meu namorado...