domingo, 12 de dezembro de 2010

Eu queria ir embora

Não sei como, mas eu queria.

Daquele jeito que eu sempre vou, com você me segurando pelo braço e eu olhando pra trás com aqueles olhinhos de quem vai se arrepender e sabe disso - mas ainda assim vai embora.

Eu queria ter coragem pra te contrariar. Não que eu nunca tivesse. Eu e você sabemos muito bem que eu sempre tive. Mas eu queria ter coragem de te contrariar agora - nos 48 do segundo tempo, com tudo prestes a desabar. Parece que nessas horas o meu medo bate, e bate como nunca bateu. Eu viro um bebezinho - não é que você sempre disse? - e perco todos aqueles impulsos que me fizeram te beijar lá no começo ou te estapear cá no final.

E eu sei que eu sempre vou sentir saudades e vou me arrepender por não ter te cutucado e dito pelo menos um tchauzinho daqueles bem tímidos. É que isso é a nossa cara. Um final triunfal pra uma história de filme - nós sempre fomos e sempre seremos um casal de filme, daqueles que nem se importam com quem está em volta ou com o que os outros vão pensar.

A gente merecia um bye-bye com alguém quase morrendo. Até porque, é a morte de uma era. A era do amor, a era da loucura e da liberdade. E foda-se tudo que eu contrariei e sempre disse que você sonhava demais - a gente tem vinte anos, vamos sonhar, porra.

E agora estou eu aqui, sem conseguir dormir. Ou ir embora. Ou sonhar. Ou viver. Não me arrependo de não ter feito nada - até porque eu fiz algo afinal. Meu arrependimento é sobre não saber o que fazer. Não só hoje, mas sempre.

Não sei se eu bebi demais, se eu gritei demais, se eu fiz escândalo demais. Mas esses somos nós. A gente se aproximou bebendo e se separou bebendo. Nossa cura foi nosso veneno.

E agora eu te perdi pra alguém que eu não sei nem se te quer. Quer dizer, eu não posso dizer nada sobre ninguém. Mas posso dizer sobre mim: e eu garanto que é muito difícil alguém te querer tanto assim. E se não foi pra ela que eu te perdi, como tanto dizem por aí, foi pro mundo.

Aquele mesmo que te trouxe, te levou de mim. Te levou e eu nem dei tchau. Não me despedi, não dei beijinho nem usei nome fofinho pra fazer carinho.

Não teve lágrima, não teve drama. Teve uma tentativa em vão e eu me deparando com o que eu mais temia - você e a sua indiferença. E é por isso que eu digo: eu queria ir embora.

Mas quem disse que eu consigo?

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Agora sim

Não é que me faltava inspiração. Ou vontade, ou motivos, ou tempo pra escrever. Tudo isso eu tive de sobra. Eu me afastei foi por falta de espaço. Eu sei, eu tenho consciência de que esse espaço é meu - e somente meu -, e foi designado para que eu dissesse tudo aquilo que me viesse à cabeça, fosse necessário ou não.

Mas, confesso: eu sempre me senti invadida. Meu maior problema não são os desconhecidos que surgem com elogios ou críticas inesperados. O que sempre me consumiu era a exposição a conhecidos. Eu preciso de um espaço em que eu possa ser eu, sem máscaras, sem medos, sem meias-palavras. Falar o que eu quiser sem medo de ofender ou magoar ninguém.

E foi assim que o Galochas surgiu. Surgiu da minha necessidade de me declarar para o mundo. Mas em silêncio. Não preciso de escândalos. Meu medo não é do palco, é da plateia. E, ao saber que todos estavam a um clique da minha nudez literária (que me expõe tanto quanto ou senão mais que a literal), mantinha um pé atrás constante, desnecessário.

Não quero ter que fugir o tempo inteiro, não quero ter que esconder minhas verdades de todos. Sou quem sou e acredito na minha própria verdade. Prefiro fingir pra mim, aqui no meu silêncio, berrando pra ninguém ouvir. Digo as verdades e as mentiras que eu quiser, conto meus segredos só pra mim.

Fechei comentários, não funcionou. Continuei com a desconfortável sensação de estar me arriscando a todo momento. Não quero ser descoberta, não preciso desse risco. Privei o blog de visitantes externos, agora o conteúdo é privado. Só meu.

(Talvez meu próximo leitor só chegue daqui a alguns anos, quando eu já tiver me tornado uma pessoa diferente...)