quarta-feira, 29 de abril de 2009

Sobre o tempo

Entre um pensamento e outro, resolvi vir galochar. A grande verdade é que os últimos dias têm sido corridos. Não da forma que costumavam ser quando eu utilizava tal expressão com frequência - Pretérito Imperfeito, você por aqui novamente? - tentando justificar um erro meu (não acredito que tenha errado de fato, mas como é o que dizem por aí...).

Os novos dias têm voado como brisa gelada no rosto pra fora da janela do carro. Sabe? Assim, correndo, pela estrada afora, sem nem ter a pretensão de definir um destino. Apenas correr, preocupando-se somente com a estabilidade de toda a viagem.

É bem verdade que criou-se uma estrutura em volta de toda essa falta de tempo. E também é verdade que, por pouco, a estrutura não tranformou-se em barreira. Dedicar meu tempo a atividades que não têm relação alguma com determinado aspecto de minha vida como tentativa de anestesiar a dor gerada pela carência não passa de uma tentativa em vão de viver em paz. É como optar por deixar que um membro se atrofie ao invés de investir um mínimo de esforço para que o mesmo se recupere. É burrice, em sua mais pura e genuína forma - pra não dizer ignorância.

Mas, é necessário relembrar, por pouco tais erros não foram cometidos. Isso significa que não houve erro algum. Talvez seja metáfora demais para um texto só, mas como o blog é meu... A sensação é a mesma de ter um pênalti a seu favor aos 48 do segundo tempo. Apenas um gol, e serás o campeão. Levará o título, a glória e a conquista para casa. Talvez seja muita responsabilidade, os pessimistas certamente veriam assim. Mas os otimistas, sem dúvida, agradeceriam eternamente pela simples oportunidade de resgatar sua vitória.

Segundos depois, o chute já fora dado. Nunca discordei daqueles que crêem na relatividade do tempo. É só abrir mão de controlá-lo, por medo ou ansiedade, que ele foge. Escorre, escapa sorrateiramente, sem que ao menos possamos perceber.

Nesse exato instante, a bola corre, pula, voa em direção ao gol. Antes não existissem obstáculos, mas não há nada mais realista quando se trata de retratar a vida do que representar as incontáveis resistências que se opõem e se impõem a cada segundo. Subitamente, o tempo mudou de idéia e resolveu se arrastar. Parece um bebê, aprendendo a engatinhar e frustrando-se a cada nova tentativa. Lento como só, me agoniza.

Mas compensa a dor que me provoca ao me deixar assistir de camarote toda a trajetória da bola ao seu destino. Milimetricamente falando. Não tenho a mínima idéia de onde o projétil vai parar. Se irão impedí-lo de chegar ao seu destino, eu não sei. Nunca saberei, a não ser que aqui permaneça, assistindo pacientemente sua viagem.

O tempo é o senhor da razão. Ele sabe, mais do que qualquer um, o que faz. Talvez eu soubesse o que estava fazendo quando dei meu chute. Foi um chute exaltado, completamente passional. Mas não significa que tenha se tratado de um impulso. Eu conhecia meus riscos, minhas probabilidades e chances de acertar ou não. Sem pestanejar, me arrisquei. E me arriscaria novamente, quantas vezes fossem necessárias para que desse certo.

Ninguém além do tempo pode me dizer se vai valer a pena, ou não, ter arriscado. Mas que eu quero que valha... ahh, se quero...!