quinta-feira, 26 de abril de 2012

porque não deixa de ser sobre mim


Rio de Janeiro, 24 de abril de 2012

À Coordenação Central de Cooperação Internacional.

Olá. Meu nome é Thaísa Pessoa da Rocha Pinto e tenho 20 anos. Sou natural do Rio de Janeiro e sempre morei no Grajaú, um pequeno bairro residencial na Zona Norte da cidade. Nasci em uma família grande e unida – minha avó teve quatro filhos – e meus laços sempre foram mais fortes no lado materno.

Meus pais são separados desde que me recordo e, como minha mãe trabalhava durante o dia, passei uma grande parcela da minha infância com meus avós. Eles foram responsáveis por boa parte da minha criação e meu desenvolvimento como indivíduo. Por muito tempo tive minha avó como minha melhor amiga e companheira – até seu falecimento, durante os meus onze anos.

Atualmente, moro com minha mãe, meu padrasto e uma de suas filhas. Temos todos uma ótima relação que já dura oito anos e não hesito em afirmar que de fato constituímos uma família. Nosso convívio não é marcado por muitos conflitos: todos somos muito compreensivos e tolerantes para com uns aos outros dentro e fora de casa.

Minha educação básica se deu em um colégio católico – o Colégio da Companhia de Maria – no próprio Grajaú. Foi lá onde fiz minha Primeira Eucaristia e fiz meus primeiros amigos. Sempre fui uma aluna muito bem sucedida e reconhecida pelos professores, e desde cedo já mostrei interesse pela escrita. O trabalho criativo, não me importava qual fosse, me estimulava e trabalhar com ideias desde cedo me pareceu uma oportunidade incrível.

A princípio, então, decidi me voltar para a área do design. A melhor perspectiva que encontrei de me aproximar da carreira na época – aos treze anos de idade – foi procurar um curso técnico de uma área afim, uma vez que não há curso técnico de design criativo. Para isso, precisei sair do colégio católico em que estudava e procurei um colégio com curso preparatório para as escolas técnicas do Rio. Assim, cursei a oitava série do fundamental no Colégio-Curso Martins visando aplicar para a CEFET no curso de Edificações – a maneira mais viável, até então, de trabalhar com desenho e criação.

Fui aprovada no curso técnico e no ensino médio, mas ainda assim abri mão de cursá-los ali. Na época, a instituição passava por greves de professores, e eu e minha família concluímos que seria melhor garantir um bom ensino antes de tudo. Assim, dei início às aulas do ensino médio na ECO – Escola de Educação Comunitária – uma excelente escola no bairro onde moro – e mantive minha matrícula no período da tarde do curso técnico.

Cheguei a frequentar as aulas do primeiro período, mas foi no primeiro ano do ensino médio que ratifiquei minha antiga identificação com a escrita e acabei por me decepcionar com as aulas da grade de Edificações. Por outro lado, procurei descobrir novas maneiras de me expressar e acabei por redirecionar meu interesse da comunicação visual para a comunicação social.

Como o colégio em que cursei o segundo grau era rígido, havia um estímulo para que os alunos se adiantassem e prestassem o vestibular antes do último ano do ensino médio. Gostei de ideia de aplicar como “treineira” e, como já havia me decepcionado com uma escolha acadêmica, fui bastante cautelosa e pesquisei sobre todas as possibilidades de curso.

A produção de textos voltada para o filme era indiscutivelmente o que mais se encaixava no meu perfil até então. Dentro desse universo, me deparei com a faculdade de Cinema e Audiovisual. A graduação, que existe na UFF, me pareceu a melhor das oportunidades dentre os cursos oferecidos por universidades públicas no Rio. Então, no segundo ano do ensino médio, para a minha surpresa, fui aprovada no vestibular.

A euforia foi grande, mas me deparei com a frustração logo em seguida: apesar de ter entrado com um pedido na justiça, não pude me matricular na universidade em 2008. Deveria, primeiro, concluir o ensino médio e, só então, poderia concorrer à vaga novamente.

Ao longo de 2008 fui confirmando minha escolha acadêmica e já era de meu conhecimento a disponibilidade dela dentro da PUC. Sabia, também, que o curso de Comunicação Social diferenciava-se por me oferecer a oportunidade de entrar em contato não só com o cinema, mas também a publicidade, o jornalismo e outras áreas afim em geral. Vendo meu interesse pelo estudo na Universidade, minha mãe permitiu que eu prestasse o vestibular 2009 com a condição de se fazer o possível para obter uma bolsa de estudos.

Uma vez aprovada, me dediquei ao máximo a tudo que tangencia a PUC. Meu rendimento se manteve alto durante todo o tempo de curso, criei ótimos laços com professores e, logo no terceiro período, entrei para o meu primeiro estágio.

Trabalhar como assistente de produção na TV PUC foi uma ótima experiência para mim. Lá, aprendi o que é ter uma postura profissional e a importância da boa comunicação no dia a dia. Seis meses depois, fui aprovada na seleção para me tornar editora de áudio e vídeo na própria TV.

E foi na ilha de edição que me descobri. Percebi que toda a paixão que eu mantinha pelo texto e pelo desenho poderia ser sintetizada no áudio e no vídeo. Trabalhar com imagens em movimento, som, música, montagem e todo o tipo de mídia me abriu caminhos que eu jamais teria percorrido sem essa oportunidade. Aprendi a trabalhar com o Final Cut, programa de edição para a plataforma Mac, e a produzir e montar conteúdo tanto jornalístico, quanto documental e de ficção. Sou muito grata a tudo que aprendi e descobri no núcleo de TV do Projeto Comunicar.

Depois de três períodos de estágio, recebi, esse ano, a oportunidade de estagiar numa produtora de TV. A Samba Filmes, que até então só havia produzido longas, videoclipes e dvds musicais, passou a produzir dois programas a serem exibidos nos canais Globosat e estava à procura de um estagiário para trabalhar com pós-produção. Minha antiga chefe, Marcia Antabi, fez a conexão entre eu e a Samba Filmes. Desde fevereiro estagio lá e tenho o que mais me satisfaz: a oportunidade de aprender a todo momento. É um novo ritmo, novas mídias, novos profissionais. O contato com o mercado de trabalho tem sido uma experiência muito enriquecedora para mim.

Tendo isso em vista, concluo que o final desse sexto período seja o melhor momento para um intercâmbio acadêmico. Sinto que desenvolvi a maturidade e a experiência suficientes para me aprofundar na área de interesse que descobri dentro do meu curso, além de ter a segurança necessária para fazê-lo longe de casa.

As universidades pelas quais optei me parecem ótimas escolhas não só pelos seus cursos de excelência, mas também por oferecerem matérias que se relacionam nitidamente com o que viso exercer. A área prática, pouco viabilizada na PUC-Rio, é extremamente rica em recursos nas universidades de Barcelona e Salamanca, por exemplo – e é essa carência que eu procuro suprir em meu currículo estudando no exterior.

Considero também uma ótima oportunidade para me aprofundar em possíveis ideias e objetivos com relação à monografia ou projeto de conclusão de curso. Novos ares e ideias eventualmente orientarão minhas escolhas nessa reta final do estudo. Certamente o intercâmbio seria uma experiência benéfica para mim, tanto pessoalmente quanto profissionalmente. Além de tudo, me orgulharia muito em levar o nome da PUC-Rio para o exterior e mostrar que o Brasil também é feito de bons alunos.

Atenciosamente,

Thaísa Pessoa