Rio de Janeiro, 24 de
abril de 2012
À Coordenação Central de Cooperação Internacional.
Olá.
Meu nome é Thaísa Pessoa da Rocha Pinto e tenho 20 anos. Sou natural do Rio de
Janeiro e sempre morei no Grajaú, um pequeno bairro residencial na Zona Norte
da cidade. Nasci em uma família grande e unida – minha avó teve quatro filhos –
e meus laços sempre foram mais fortes no lado materno.
Meus
pais são separados desde que me recordo e, como minha mãe trabalhava durante o
dia, passei uma grande parcela da minha infância com meus avós. Eles foram
responsáveis por boa parte da minha criação e meu desenvolvimento como
indivíduo. Por muito tempo tive minha avó como minha melhor amiga e companheira
– até seu falecimento, durante os meus onze anos.
Atualmente,
moro com minha mãe, meu padrasto e uma de suas filhas. Temos todos uma ótima
relação que já dura oito anos e não hesito em afirmar que de fato constituímos
uma família. Nosso convívio não é marcado por muitos conflitos: todos somos
muito compreensivos e tolerantes para com uns aos outros dentro e fora de casa.
Minha
educação básica se deu em um colégio católico – o Colégio da Companhia de Maria
– no próprio Grajaú. Foi lá onde fiz minha Primeira Eucaristia e fiz meus
primeiros amigos. Sempre fui uma aluna muito bem sucedida e reconhecida pelos
professores, e desde cedo já mostrei interesse pela escrita. O trabalho
criativo, não me importava qual fosse, me estimulava e trabalhar com ideias desde
cedo me pareceu uma oportunidade incrível.
A
princípio, então, decidi me voltar para a área do design. A melhor perspectiva
que encontrei de me aproximar da carreira na época – aos treze anos de idade – foi
procurar um curso técnico de uma área afim, uma vez que não há curso técnico de
design criativo. Para isso, precisei sair do colégio católico em que estudava e
procurei um colégio com curso preparatório para as escolas técnicas do Rio.
Assim, cursei a oitava série do fundamental no Colégio-Curso Martins visando aplicar
para a CEFET no curso de Edificações – a maneira mais viável, até então, de
trabalhar com desenho e criação.
Fui
aprovada no curso técnico e no ensino médio, mas ainda assim abri mão de cursá-los
ali. Na época, a instituição passava por greves de professores, e eu e minha
família concluímos que seria melhor garantir um bom ensino antes de tudo.
Assim, dei início às aulas do ensino médio na ECO – Escola de Educação
Comunitária – uma excelente escola no bairro onde moro – e mantive minha
matrícula no período da tarde do curso técnico.
Cheguei
a frequentar as aulas do primeiro período, mas foi no primeiro ano do ensino
médio que ratifiquei minha antiga identificação com a escrita e acabei por me
decepcionar com as aulas da grade de Edificações. Por outro lado, procurei
descobrir novas maneiras de me expressar e acabei por redirecionar meu
interesse da comunicação visual para a comunicação social.
Como
o colégio em que cursei o segundo grau era rígido, havia um estímulo para que
os alunos se adiantassem e prestassem o vestibular antes do último ano do
ensino médio. Gostei de ideia de aplicar como “treineira” e, como já havia me
decepcionado com uma escolha acadêmica, fui bastante cautelosa e pesquisei
sobre todas as possibilidades de curso.
A
produção de textos voltada para o filme era indiscutivelmente o que mais se
encaixava no meu perfil até então. Dentro desse universo, me deparei com a
faculdade de Cinema e Audiovisual. A graduação, que existe na UFF, me pareceu a
melhor das oportunidades dentre os cursos oferecidos por universidades públicas
no Rio. Então, no segundo ano do ensino médio, para a minha surpresa, fui
aprovada no vestibular.
A
euforia foi grande, mas me deparei com a frustração logo em seguida: apesar de
ter entrado com um pedido na justiça, não pude me matricular na universidade em
2008. Deveria, primeiro, concluir o ensino médio e, só então, poderia concorrer
à vaga novamente.
Ao
longo de 2008 fui confirmando minha escolha acadêmica e já era de meu
conhecimento a disponibilidade dela dentro da PUC. Sabia, também, que o curso
de Comunicação Social diferenciava-se por me oferecer a oportunidade de entrar
em contato não só com o cinema, mas também a publicidade, o jornalismo e outras
áreas afim em geral. Vendo meu interesse pelo estudo na Universidade, minha mãe
permitiu que eu prestasse o vestibular 2009 com a condição de se fazer o
possível para obter uma bolsa de estudos.
Uma
vez aprovada, me dediquei ao máximo a tudo que tangencia a PUC. Meu rendimento
se manteve alto durante todo o tempo de curso, criei ótimos laços com
professores e, logo no terceiro período, entrei para o meu primeiro estágio.
Trabalhar
como assistente de produção na TV PUC foi uma ótima experiência para mim. Lá,
aprendi o que é ter uma postura profissional e a importância da boa comunicação
no dia a dia. Seis meses depois, fui aprovada na seleção para me tornar editora
de áudio e vídeo na própria TV.
E
foi na ilha de edição que me descobri. Percebi que toda a paixão que eu
mantinha pelo texto e pelo desenho poderia ser sintetizada no áudio e no vídeo.
Trabalhar com imagens em movimento, som, música, montagem e todo o tipo de
mídia me abriu caminhos que eu jamais teria percorrido sem essa oportunidade.
Aprendi a trabalhar com o Final Cut, programa de edição para a plataforma Mac,
e a produzir e montar conteúdo tanto jornalístico, quanto documental e de
ficção. Sou muito grata a tudo que aprendi e descobri no núcleo de TV do
Projeto Comunicar.
Depois
de três períodos de estágio, recebi, esse ano, a oportunidade de estagiar numa
produtora de TV. A Samba Filmes, que até então só havia produzido longas,
videoclipes e dvds musicais, passou a produzir dois programas a serem exibidos
nos canais Globosat e estava à procura de um estagiário para trabalhar com
pós-produção. Minha antiga chefe, Marcia Antabi, fez a conexão entre eu e a
Samba Filmes. Desde fevereiro estagio lá e tenho o que mais me satisfaz: a
oportunidade de aprender a todo momento. É um novo ritmo, novas mídias, novos
profissionais. O contato com o mercado de trabalho tem sido uma experiência
muito enriquecedora para mim.
Tendo
isso em vista, concluo que o final desse sexto período seja o melhor momento
para um intercâmbio acadêmico. Sinto que desenvolvi a maturidade e a
experiência suficientes para me aprofundar na área de interesse que descobri
dentro do meu curso, além de ter a segurança necessária para fazê-lo longe de
casa.
As
universidades pelas quais optei me parecem ótimas escolhas não só pelos seus
cursos de excelência, mas também por oferecerem matérias que se relacionam
nitidamente com o que viso exercer. A área prática, pouco viabilizada na
PUC-Rio, é extremamente rica em recursos nas universidades de Barcelona e Salamanca,
por exemplo – e é essa carência que eu procuro suprir em meu currículo
estudando no exterior.
Considero
também uma ótima oportunidade para me aprofundar em possíveis ideias e
objetivos com relação à monografia ou projeto de conclusão de curso. Novos ares
e ideias eventualmente orientarão minhas escolhas nessa reta final do estudo.
Certamente o intercâmbio seria uma experiência benéfica para mim, tanto
pessoalmente quanto profissionalmente. Além de tudo, me orgulharia muito em
levar o nome da PUC-Rio para o exterior e mostrar que o Brasil também é feito
de bons alunos.
Atenciosamente,
Thaísa
Pessoa