segunda-feira, 1 de setembro de 2008

por causa de você

Você não é o mesmo. E eu realmente tento não me importar com o fato de você ter seguido sua vida, arranjado outra - outras? -, ou o que for.

O que me incomoda de fato é a idéia de que eu perdi tudo que havia construído. Mesmo sabendo que foi ao seu lado, me sinto prejudicada ao lembrar que parte do que foi embora com a SUA inconseqüencia havia sido fruto de MINHA dedicação. De meses, e, por que não, anos, desperdiçados, ao ver minhas palavras e sonhos completamente inutilizados por toda a sua ignorância.

Me dói mais ainda lembrar do futuro que se foi. Dos meus planos, minuciosamente idealizados, visando melhorias não só na minha vida, como na sua também.

Se hoje em dia te odeio, o faço por ter precisado de maneira inexplicável da sua piedade, e tudo que você me ofereceu foi exatamente o contrário. Não me canso de repetir o quanto te desprezo por ter me dado as costas, por ter ido embora, metaforicamente ou não (porque deixar de vir é praticamente ir embora, certo?). E, caso algum dia eu tenha criado esperanças de ter feito crescer a criança que você era, que elas vão pro inferno junto com você.

O que mais percebo em todo o seu comportamento é que, mais do que nunca, hoje em dia a ÚLTIMA coisa que você pode ser considerado é um homem. Você é fraco, covarde e babaca. Não enfrenta sequer seus conterrâneos mentalmente subdesenvolvidos, que dirá sua consciência. Aliás, que dirá ME enfrentar.

Já me cansei de ver você fugir de mim e de tudo que eu tenho pra te dizer. Espero ansiosamente pelo dia em que eu possa te amarrar numa cadeira, te imobilizar com uma camisa-de-força e te amordaçar até garantir que você mal respire. Aliás, apenas o faça, e mesmo assim com bastante dificuldade, para ouvir cada letra do que eu venho tentando te dizer ao longo desse ano perturbado que você me fez passar. Ano esse que eu só sofri o que sofri e só chorei o que chorei por descaso SEU. Por descompromisso SEU, e por, mais uma vez repito, ignorância SUA.

Se não fosse você me contradizendo, fugindo do que eu tenho a dizer ou manipulando as minhas idéias para fazer com que eu me sentisse uma completa louca - e, admito, com sucesso - eu garanto que hoje em dia não seria tão insegura quanto sou. Não teria o receio que tenho de que tudo aconteça novamente, mesmo que seja com outro alguém. Também tenho certeza que não teria desenvolvido metade sequer da aversão que criei aos homens. Não teria mais tanto medo de agir, não teria medo de me envolver, não teria medo do amanhã.

Então, antes de tudo me agradeça. Mas agradeça com toda a gratidão que você conseguir concentrar, mesmo que seja pouca e dure uma fração de segundo.
Pois duvido muito que haja outro alguém no mundo disposto a passar tudo que passei por você sem perder o controle. Sem te ameaçar de morte, sem gritar nos seus ouvidos até você querer morrer por vontade própria.

E, acima de tudo, sem deixar de desejar que você volte à sua consciência normal e bata na minha porta dizendo que aprendeu. Ou de ter esperanças de que isso de fato, um dia, quem sabe, possa vir a ocorrer.