Sabe, eu te conheço.
O seu 'adeus' é 'até logo', o seu 'nunca mais' é 'pra sempre', o seu 'não' é 'sim'.
E eu sei disso tudo porque me conheço também, e eu funciono da mesma maneira.
A gente só anda em círculos, vive dando voltas e correndo atrás dos próprios rabos, sem nem saber o porquê.
Já virou vício essa mania de procurar um ao outro. Falar besteira, incomodar de propósito, importunar até as dores e problemas antigos voltarem todos, um a um.
Até parece que, quando a dúvida sobre o que fazer com relação a nós surge, dá uma sensação de alívio, de dever cumprido. Mas, na verdade, o que dá é uma dor - ou algo semelhante.
Parece saudade, mas saudade do quê se a gente só se mata e se consome faz bastante tempo já?
Deve ser saudade de quando as coisas eram... não diria fáceis, mas sim menos difíceis. Quando essa situação não tinha ainda se tornado maior do que nós.
Hoje tomou uma dimensão tão grande que parece surreal a idéia deque sorrir juntos e achar tudo mágico e simples é possível.
Ou de que sintonia existe, ou de que foi tudo um sonho (que se realizou sem deixar de parecer um sonho).
Botar tudo a perder não foi uma opção tomada por vontade própria. Nem minha, nem sua.
Mas o que poderia ter sido feito para evitar a catástrofe que se sucedeu foi simplesmente ignorado.
Não foi culpa nossa, não houve aviso prévio. A desgraça não bateu na nossa porta antes de chegar destruindo o nosso lar.
Apenas aconteceu, de repente.
E, sem que ninguém esperasse...
Lá fomos nós.
Mas, olha, tá tudo bem.
Porque, sabe, eu te conheço...