domingo, 28 de agosto de 2011

sábado, 14 de maio de 2011

Tri

Mas que triângulo é esse?
Que nunca se fecha
Que nunca se cruza - por completo

Que triângulo é esse?
Cujas arestas não se cruzam
Quiçá se encontram no infinito
São paralelas na sua perpendicularidade

Que triângulo é esse?
Que nunca se fecha
É mais um ciclo que não se completa
É incapaz de se encontrar em simultâneo

Que triângulo é esse?
Que se perde e reencontra
Prolonga, obtusa, endireita
Ora reto, ora agudo
Mas nunca triângulo

Que triângulo é esse?
Que nem triângulo é
Pois três retas paralelas
Só se encontram no infinito

domingo, 17 de abril de 2011

eu amo pra dentro

eu amo pra dentro
pensando alto
sufocando grito
falando sozinha
chorando baixinho
olhando de lado
escrevendo escondida
querendo muito
esperando pouco

eu amo pra dentro
sentada no cantinho
abraçando as pernas
e esperando ser abraçada
me balançando até me embalar
fazendo cafuné no travesseiro
ou as vezes até em mim

eu amo pra dentro
calada, quietinha
torcendo, frustrando
no segredo de um grito
no contágio de um sorriso
na alforria do beijo

eu amo pra dentro
pegando fôlego
indo à superfície
parando pra respirar
cada vez que eu resolvo

amar pra fora

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

(Quase) Soneto dos bêbis

e eis que uma longa caminhada
se torna uma curta pedalada
depois do rodízio de japonês
(que você comeu por mim e por mais três)

e eis que você sempre deita na minha cama
se declarando bebezinho-eu-ama
mexendo no relógio como se não houvesse hora
de chegar ou de ir embora

e eis que eu afirmo "você é meu homem"
e você se nega, "não tem nada a ver"
por mais que eu te ame hoje, amanhã e ontem
por mais que eu diga "é assim que é pra ser"

e o nosso soneto tem acento no nome
porque os outros - otários - não sabem nem ler
e se nem é soneto, não me interessa
regra é coisa de rádio, e a gente é bebê

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Chapter One: I would love you forever

Eu te amaria pra sempre, por mais que eu diga que não em todas as vezes que eu olho nos seus olhos bem séria e te mando ir embora. Eu nem sei porque eu tenho essa mania, na verdade. Mas, olha, se eu te convenço é só porque sou uma boa atriz.

Porque não há como não amar para sempre algo que foi construído para ser para sempre. Algo que dá frutos até mesmo no outono, quando todas as folhas já se foram e até a esperança não parece mais estar ali. Mas o amor ainda persiste em correr nas minhas, nas suas, nas nossas veias, e impressionantemente algo inesperado nos traz de volta um pro outro.

Pode ser uma música, um livro, um pensamento ou uma palavra. Quando a gente vê a gente já tá deitado falando numa língua que apenas duas das seis bilhões de pessoas que habitam este planeta sabem falar. E fazendo toda aquela coreografia que a gente já conhece de cor e nem por isso é menos gostosa de fazer. É bom beijar esse beijo que eu já conheço, você tem o melhor carinho que eu já vi - e o melhor puxão de cabelo também.

Depois disso tudo eu vejo como (e porque) eu te amo. Eu te amo porque eu cuido de você e você cuida de mim, porque a gente se completa num misto de desorganização negligente e de organização compulsiva que só a gente conhece. E eu te amo porque você me ensinou tudo sobre falar sempre a verdade e depois disso a minha vida mudou.

E também porque eu te conheço do começo ao fim e sei seus passos, pensamentos e pedidos antes mesmo de você pensar em pedi-los. E conheço as suas dúvidas também. E não é só isso - porque de nada adiantaria se eu soubesse de tudo isso e nada fizesse a respeito. Eu conheço cada detalhe e compartilho de cada um desses sentimentos com você.

E eu não sei se você sabe (a essa altura do campeonato já deve saber), mas me corrói saber que eu não posso mais fazer nada quanto a isso. A escolha é sua, meu amor. E eu sei que você - até então - escolheu viver o nosso amor, mas me dói até não sei onde mais ver que essa foi uma escolha sofrida para você. Porque, hoje, eu nos escolheria sorrindo, com a certeza de que optei pelo certo, pelo melhor.

E eu vou te provar que você também o fez, você vai ver. Mas, por enquanto, eu só te digo isso.

Eu te amaria para sempre.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

You lost me last night

Amor não enche barriga
Amor não cura ferida
Amor não apaga passado

Já faz tempo que você nem é mais meu namorado...

domingo, 12 de dezembro de 2010

Eu queria ir embora

Não sei como, mas eu queria.

Daquele jeito que eu sempre vou, com você me segurando pelo braço e eu olhando pra trás com aqueles olhinhos de quem vai se arrepender e sabe disso - mas ainda assim vai embora.

Eu queria ter coragem pra te contrariar. Não que eu nunca tivesse. Eu e você sabemos muito bem que eu sempre tive. Mas eu queria ter coragem de te contrariar agora - nos 48 do segundo tempo, com tudo prestes a desabar. Parece que nessas horas o meu medo bate, e bate como nunca bateu. Eu viro um bebezinho - não é que você sempre disse? - e perco todos aqueles impulsos que me fizeram te beijar lá no começo ou te estapear cá no final.

E eu sei que eu sempre vou sentir saudades e vou me arrepender por não ter te cutucado e dito pelo menos um tchauzinho daqueles bem tímidos. É que isso é a nossa cara. Um final triunfal pra uma história de filme - nós sempre fomos e sempre seremos um casal de filme, daqueles que nem se importam com quem está em volta ou com o que os outros vão pensar.

A gente merecia um bye-bye com alguém quase morrendo. Até porque, é a morte de uma era. A era do amor, a era da loucura e da liberdade. E foda-se tudo que eu contrariei e sempre disse que você sonhava demais - a gente tem vinte anos, vamos sonhar, porra.

E agora estou eu aqui, sem conseguir dormir. Ou ir embora. Ou sonhar. Ou viver. Não me arrependo de não ter feito nada - até porque eu fiz algo afinal. Meu arrependimento é sobre não saber o que fazer. Não só hoje, mas sempre.

Não sei se eu bebi demais, se eu gritei demais, se eu fiz escândalo demais. Mas esses somos nós. A gente se aproximou bebendo e se separou bebendo. Nossa cura foi nosso veneno.

E agora eu te perdi pra alguém que eu não sei nem se te quer. Quer dizer, eu não posso dizer nada sobre ninguém. Mas posso dizer sobre mim: e eu garanto que é muito difícil alguém te querer tanto assim. E se não foi pra ela que eu te perdi, como tanto dizem por aí, foi pro mundo.

Aquele mesmo que te trouxe, te levou de mim. Te levou e eu nem dei tchau. Não me despedi, não dei beijinho nem usei nome fofinho pra fazer carinho.

Não teve lágrima, não teve drama. Teve uma tentativa em vão e eu me deparando com o que eu mais temia - você e a sua indiferença. E é por isso que eu digo: eu queria ir embora.

Mas quem disse que eu consigo?